DEPUTADO CHICO RAFAEL (PSB)
Discurso
Comenta o projeto de lei, de autoria do Governador Itamar Franco, que
estima as receitas e fixa as despesas do Orçamento Fiscal do Estado de
Minas Gerais e do Orçamento de Investimento das Empresas controladas pelo
Estado para o exercício de 2001.
Reunião
133ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/01/2001
Página 14, Coluna 1
Assunto ORÇAMENTO.
Aparteante Adelmo Carneiro Leão, Agostinho Patrús, Sebastião Costa.
Proposições citadas PL 1216 de 2000
Legislatura 14ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/01/2001
Página 14, Coluna 1
Assunto ORÇAMENTO.
Aparteante Adelmo Carneiro Leão, Agostinho Patrús, Sebastião Costa.
Proposições citadas PL 1216 de 2000
133ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
14ª LEGISLATURA, EM 22/12/2000
Palavras do Deputado Chico Rafael
O Deputado Chico Rafael - Srs. Deputados, acabei de ser informado
pela assessoria da Casa de que a gráfica ainda está rodando as
emendas. Os Deputados estão de acordo em votar um monstrengo
jurídico que sequer está na mesa para ser votado? Os Deputados
conhecem quais são as emendas que foram apresentadas ao orçamento
para serem votadas? O Deputado tem o direito de saber o que está
se passando aqui. Não acredito que uma Casa como esta, constituída
de homens de bom senso e experimentados, esteja de acordo em votar
aquilo que ainda não consta do projeto e não se encontra na mesa.
Outra coisa: passaram a perna na maioria dos Deputados. Fomos
informados de que deveríamos apresentar emendas até o valor de
R$690.000,00, destinadas aos municípios. O Deputado Alencar da
Silveira Júnior, réu confesso neste Plenário, disse que apresentou
uma emenda de R$1.300.000,00 em favor da região de Jacutinga, etc.
Essa região é do meu interesse e do Deputado Dalmo Ribeiro Silva,
pois de lá somos. Também poderíamos ter apresentado emenda, porque
tínhamos interesse. O Deputado Dalmo Ribeiro Silva agiu de boa-fé
e apresentou emenda de apenas R$690.000,00. Enquanto isso, o alto
clero da Casa apresenta as emendas que quer, fazendo o que deseja.
Neste momento, o Deputado Irani Barbosa está na gráfica, tentando
compatibilizar alguns interesses. Estávamos no Colégio de Líderes
quando tentaram passar mel em nossa boca, sugerindo que
apresentássemos as emendas. E aquelas que não foram acatadas - e
foram muitas em favor do Sul de Minas, onde há muitas estradas sem
asfalto e carências... Por que isso está acontecendo? O Deputado
João Leite é testemunha, pois também lhe fizeram a oferta de que
iriam incluir na errata uma emenda destinando R$10.000.000,00 para
Belo Horizonte, para atender a áreas de risco, a ser publicada
amanhã.
Ora, Deputados, que Casa é esta, onde não primamos em cumprir o
Regimento Interno no orçamento de R$17.000.000.000,00 do segundo
maior Estado do País? É assim que vamos conseguir atender à nossa
população, prestigiando o alto clero da Assembléia, que apresentou
emendas das mais variadas, destinando milhões de reais para a
construção de estradas e as prefeituras? Enquanto isso, nós,
Deputados que apresentamos emenda no valor de R$690.000,00, vamos
compactuar com isso? Pergunto aos Deputados que apresentaram
emendas de R$690.000,00 se estão de acordo que determinados
Deputados apresentem emendas no valor de R$8.300.000,00, para a
construção de estradas, entre Cachoeira da Prata e Maravilhas, no
valor de R$2.199.000,00 ou entre Arinos e São Francisco, no valor
de R$8.359.000,00? E nós, que apresentamos emendas no valor de
R$690.000,00, vamos aceitar e ficar quietos?
Não sei o teor das outras emendas. Quero crer - e estou começando
a acreditar - que não foram publicadas no diário oficial do Estado
porque contêm outros interesses, para que os Deputados não
tomassem conhecimento delas. Não tenho outro raciocínio nem
interpretação dessa conduta. Com a desculpa de que se publica
amanhã e se resolve sem problema e que é erro material, ora,
depois do que está sendo dito, do que está publicado e do que não
está, serão coniventes com essa situação da Assembléia? O
orçamento é a peça mais importante da organização administrativa
do Estado. Não estou com o intuito de fazer obstrução para
prejudicar quem quer que seja. Gostaria que nós, Deputados,
cumpríssemos o nosso papel e o Regimento da Casa e fizéssemos um
orçamento de acordo com a realidade do Estado, sem prestigiar nem
preterir ninguém. Passaram a perna em nós e em todos aqueles que
apresentaram emendas no valor de até R$690.000,00. O Deputado
Agostinho Patrús, há pouco, interpelou-me, perante o Colégio de
Líderes, dizendo-me que, caso não colaborasse...
Continuarei a falar sobre a interpelação que o Deputado Agostinho
Patrús fez-me, no Colégio de Líderes, na presença de vários
colegas Deputados. Disse-me que, caso eu não colaborasse com a
votação do orçamento, teria o maior opositor na Casa. Talvez a
minha imaturidade não me deixe entender por que um Deputado não
pode pedir que se cumpra o Regimento Interno, seja votado um
orçamento transparente e possa conhecer as emendas que está
votando. Ainda tenho de aceitar isso de um decano da Casa, dizendo
que fará oposição a mim a partir do ano que vem. Qual a razão
disso, queridos Deputados? Não estou agredindo ninguém nem a Casa,
porque faço parte deste Poder. Queridos Deputados, não podemos
conviver com isso. O Deputado Márcio Cunha exaltou-se. Isso é
próprio dele por ser um Deputado jovem e vibrante, que costuma
defender as suas causas também com grande paixão.
Apresentei várias emendas destinadas ao Sul de Minas. Destinei
emenda à cidade de Pouso Alegre, no valor de R$ 2.000.000,00, e
foi rejeitada pelo relator. Apresentei emenda, no valor de
R$400.000,00, para a construção de uma ponte sobre o rio Sapucaí,
no Município de Conceição dos Ouros, e foi rejeitada pela
Comissão. Apresentei emenda, no valor de R$2.000.000,00, destinada
à pavimentação da estrada que liga Paraisópolis, Consolação e
Cambuí, a qual também foi rejeitada pela Comissão. Não deduzi
nenhum valor de outras dotações, simplesmente fiz o desdobramento
das próprias dotações do DER-MG e da COPASA-MG. Não tirei recurso
de nenhuma entidade. Apresentei emenda, no valor de
R$2.000.000,00, destinada à pavimentação da estrada que liga os
Municípios de Toques do Mogi e Borda da Mata, na região Norte,
Deputado Dalmo Ribeiro Silva, mas não conseguimos nada, porque a
relatoria atendeu aos caciques da Casa. A plebe e o baixo clero,
aqui, não têm vez. Temos de nos abaixar cada vez mais, para
aceitar as imposições do alto clero da Casa. Não podemos aceitar
isso.
Apresentei, também, uma emenda, no valor de R$1.500.000,00,
destinada à pavimentação da estrada que liga a Rodovia Fernão Dias
ao Município de Bom Repouso. Também essa emenda foi rejeitada pela
Comissão. Apresentei outra, no valor de R$500.000,00, para ligar o
Município de Camanducaia a Monte Verde. Também foi rejeitada pela
Comissão. Pergunto: por que foram acatadas emendas do alto clero
da Assembléia? Indago a todos os senhores, que têm bom senso: por
que vamos votar um orçamento sem saber o que estamos votando? As
emendas sequer chegaram, até agora; estão na gráfica. A Assembléia
irá cometer essa heresia, esse abuso, esse esbulho em relação ao
Regimento e à Constituição do Estado, votando sem saber em quê?
Volto a dizer que serão colocadas emendas que nem sabemos o que
contêm. Faço um apelo veemente e dramático a todos os Deputados.
Temos que exercer o nosso mandato e, pelo menos, tomar
conhecimento do conteúdo dessas emendas que estão para ser
votadas.
O Deputado Adelmo Carneiro Leão (em aparte) - Deputado Chico
Rafael, agradeço o aparte que V. Exa. me concede. Quero dizer que,
para mim, para toda a Bancada do PT e, seguramente, para todos os
Deputados, é motivo de orgulho e de alegria a sua presença entre
nós, por sua dedicação, competência e empenho para que o nosso
Estado seja cada dia melhor. Compartilho suas preocupações.
Vivemos uma situação grave não somente quanto ao orçamento que
está sendo discutido agora, mas também em muitas outras situações
nas quais V. Exa. teve a oportunidade de se manifestar com essa
mesma ênfase, mostrando sua preocupação em garantir que tanto a
Assembléia Legislativa quanto todos os outros setores
governamentais empenhem-se em tornar nosso Estado cada vez mais
justo e equânime.
Antes de fazer minhas reflexões, Deputado, se V. Exa. permitir,
quero desejar a V. Exa., a todos os colegas Deputados e Deputadas
um Natal muito feliz. Estendo os votos aos trabalhadores desta
Casa, que tanto nos têm ajudado, desde o pessoal da limpeza até os
técnicos mais gabaritados, do mais alto nível, que têm dado uma
enorme contribuição ao desenvolvimento desta Casa, dedicando seu
tempo, seu trabalho, sua energia em favor da nossa evolução.
Desejo a todos os trabalhadores da Assembléia Legislativa um Natal
muito feliz e que possamos nos revestir da energia mais positiva
para entrar no próximo milênio com toda a força e determinação de
fazer o Estado evoluir no sentido do Estado Democrático Direito,
de transparência e de justiça.
Quero trazer algumas reflexões. V. Exa. fala das injustiças
praticadas no Estado, mas esse não é um fruto do trabalho da
Assembléia Legislativa e das mazelas existentes entre nós. O
problema reside na origem do orçamento: ele é injusto na origem,
organização e proposição. A responsabilidade não é apenas da
Assembléia, pois ele já vem com os problemas graves da
distribuição e partilha incorreta dos recursos. Se V. Exa.
analisar com carinho, verá que sua região está muito mais bem
contemplada que a da Deputada Maria José Haueisen, dos Deputados
Wanderley Ávila e Ermano Batista e de tantos outros, como o Alto
Paranaíba, o Triângulo Mineiro, os Vales do Jequitinhonha e do
Mucuri, etc. A distribuição é malfeita. O Governo não soube fazer
um planejamento adequado e não nos encaminhou uma peça que
merecesse ser tratada como um plano de orçamento para o próximo
ano.
O erro está na origem e no nosso comportamento, considerando a
forma como tudo foi conduzido. Reconheço e parabenizo o esforço, o
empenho e a preocupação de todos os relatores em fazer, sem
influências externas, uma peça essencialmente da Assembléia
Legislativa, como foi colocado na discussão entre os Líderes. Não
foram felizes ao tratar, de maneira tão fechada, a questão, mas
avançamos. A Assembléia Legislativa, com todos os seus defeitos,
avançou.
Vamos analisar, por exemplo, a questão da Emenda nº 29, da
Constituição Federal, que determina o mínimo de recursos para a
saúde. O Governo do Estado, em sua mensagem, disse que priorizará
a saúde, a segurança e as questões sociais; no entanto, nem a
determinação constitucional estava cumprindo. Nós, Deputados,
porém, percebemos a situação e, com nossa atuação decisiva,
conseguimos garantir mais investimentos e melhores condições para
a saúde, como determina a Constituição. Com todos os defeitos da
proposta orçamentária, se analisarmos a distribuição nas
diferentes regiões, veremos que melhorou, apesar de não estar de
acordo com o nosso desejo, pois poderia ser mais justa. De acordo
com seu argumento, poderíamos dizer que todos, com exceção do Sul
e da região central, estávamos prejudicados, uma vez que
representamos regiões que precisam de recursos em razão da
carência e da necessidade ou da potencialidade de desenvolvimento.
Então, quero dizer que, com todos os defeitos, avançamos um pouco
nessa peça. Estamos aprendendo, Deputado Chico Rafael, o que não
aprendemos no passado, porque esta Assembléia Legislativa,
atualmente sob a coordenação do Deputado Anderson Adauto, mudou
seu perfil e sua maneira de ver e fazer as coisas. Estamos num
processo de aprendizagem, em que a construção, a votação, a
fiscalização e a execução do orçamento será diferente. Assim,
tenho a convicção de que, com todos os defeitos, avançamos um
pouquinho, mas vamos avançar muito mais no próximo milênio e no
próximo século, porque, com a independência e a capacidade
dialógica desta Casa, gerada em razão dos problemas conjunturais,
seremos melhores. Com todos os defeitos, faremos desta Assembléia
Legislativa um espaço de representação popular respeitado e
querido pelo povo. V. Exa. coloca uma questão muito preocupante:
há várias emendas não analisadas. Mas discutimos, no Colégio de
Líderes, que nenhum de nós iria votar sem tomar conhecimento de
todo o teor delas.
Então, porque não foram publicadas, não significa que vamos votar
sem conhecê-las. Antes de votar qualquer emenda, o conjunto das
emendas e o orçamento, vamos conhecê-las. Caso contrário, por
falta de conhecimento ou dúvida, poderemos votar coisas que
prejudiquem os interesses de Minas. Por isso, acho que devemos
destacá-las e rejeitá-las. Assim, poderemos avançar. Mas, se
tomarmos todas as emendas que faltam, que não vieram aqui, posso
assegurar, categoricamente, por tudo que já foi apresentado, que
não representam nem 0,5% do conjunto dos recursos que V. Exa.
expôs como R$17.500.000,00.
Reconheço a preocupação de V. Exa., compartilho dela, mas o pior
seria se, neste final de ano, não apresentássemos ao povo de Minas
um orçamento, com todos os defeitos, mas consolidado e votado. O
Orçamento pode ter muitos problemas, mas o não-Orçamento é muito
mais grave. E não digo isso em razão do conteúdo, do problema das
emendas, é a natureza do Governo. E não é só desse, é de governos
sucessivos, que não aprenderam a respeitar as determinações legais
e constitucionais, com todos os defeitos que têm. Acho que esses
defeitos podem e serão superados em razão de um acordo de Líderes.
Por isso, como Líder do PT, solicito a suspensão da reunião para
que seja feito esse acordo. Se houver entre nós um acordo para que
possamos apresentar ao povo de Minas, com todos os problemas, esse
orçamento, estaremos oferecendo mais do que o não-orçamento. E o
não-orçamento é dar um cheque em branco a um Governo que tem
algumas e importantes características positivas, mas tantas outras
merecedoras de críticas as mais severas. Muito obrigado.
O Deputado Chico Rafael - Nobre Deputado Adelmo Carneiro Leão, a
sua coerência de pensamento, de raciocínio enriquece muito esse
modesto pronunciamento nosso. Com homens como V. Exa., é que
aprendemos a atuar na vida parlamentar. Eu o tenho como uma das
grandes referências desta Casa. Quero me unir ao senhor quando diz
que as injustiças que temos são decorrentes de um processo longo e
histórico, mas cabe a nós, homens públicos, parlamentares, que
prometemos, em praça pública, o cumprimento da lei, da moralidade,
da transparência, neste momento em que decidimos a vida fiscal e
orçamentária deste Estado, debruçar-nos com mais cuidado, com mais
empenho e não deixar coisas dessa natureza acontecerem. Temos o
relatório do orçamento do Estado apresentado quase à meia-noite de
ontem e publicado aos pedaços pela imprensa. Agora, de última
hora, também aceitando emendas para agradar aos Deputados. Acho
que não é dessa forma que a Assembléia Legislativa de Minas vai
sequer iniciar o processo de correção das injustiças que temos no
País e no Estado. É uma pena. Lamento profundamente ver a peça
orçamentária do Estado ser tratada dessa forma, muito embora V.
Exa. tenha trabalhado arduamente, principalmente no setor da
saúde, que é sua área específica. Graças a V. Exa., foi detectada
a ausência de recursos no setor de saúde, e, por meio de um acordo
do Colégio de Líderes, pudemos incluir emendas para atender esse
setor, inclusive o Hospital Regional de Pouso Alegre, com uma
verba de R$700.000,00 para ampliar os serviços de hemodiálise,
psiquiatria e oncologia.
Com relação ao fato de nossa região ser contemplada com o maior
percentual do Estado, o Sul de Minas está em plena pujança
econômica. O Estado precisa investir na região para manter e
atrair o setor industrial de São Paulo, que hoje já não consegue
conviver naquele verdadeiro inferno que se transformou a Grande
São Paulo. Então, muitos empresários estão saindo e procurando
outras regiões, e o Estado precisa atraí-los para o Sul de Minas.
Com isso, certamente, vamos conseguir, por meio da arrecadação do
ICMS e de todos os impostos, a geração de novos empregos, postos
de trabalho e vamos conseguir recursos para que o Estado possa
olhar, cada vez mais, os irmãos tão desamparados do Jequitinhonha,
do Mucuri e do Norte de Minas, com os quais também muito me
preocupo. O Estado precisa ter ações mais efetivas nesse setor,
não por meio de medidas emergenciais, como dar cestas básicas, mas
de investimentos públicos para gerar postos de trabalho, o povo
ter condições dignas de vida e não ser obrigado a se submeter ao
suplício de viver com uma cesta básica.
O Deputado Agostinho Patrús (em aparte) - Deputado Chico Rafael,
V. Exa. relatou um fato ocorrido na reunião de Líderes que foi o
que aconteceu. Na realidade, como o parlamentar mais antigo desta
Casa, com cinco mandatos - sei que V. Exa. está iniciando o seu
primeiro mandato e tem a mesma preocupação com o Estado -, a minha
grande preocupação é que, se não votarmos o orçamento e ficarmos
preocupados com pequenos detalhes, favorecimentos de emendas de um
Deputado ou outro, que, tudo somado, não representa
R$20.000.000,00, vamos inviabilizar o Governador no mês de
janeiro, porque, naquele mês, terá que utilizar um doze avos do
orçamento de 2000.
O que vai acontecer, Deputado Chico Rafael? O Governador que está
contando, para o ano 2001, com um orçamento de
R$17.000.000.000,00, só vai poder usar um doze avos de menos de
R$14.000.000.000,00, que foi o orçamento votado e aprovado e que é
o orçamento do Estado para 2000.
Em outras palavras, o Governador, que estava contando,
orçamentariamente, com R$1.500.000.000,00, aproximadamente, para
janeiro, vai contar com menos de R$1.200.000.000,00. Com isso, o
Governo, possivelmente, não terá condições de pagar seus
compromissos da dívida, o funcionalismo público e outras despesas
indispensáveis.
Então, a minha preocupação e exaltação, e até peço desculpas a V.
Exa., é exatamente a preocupação de que o Governador Itamar Franco
fique inviabilizado e, com toda a razão, coloque a culpa na
Assembléia Legislativa. Ele estará com todo o dinheiro do IPVA
arrecadado em janeiro e ficará impossibilitado de utilizá-lo,
porque só poderá utilizar R$1.200.000.000,00 ou menos do que isso,
porque, orçamentariamente, a Assembléia Legislativa só definiu
isso para 2000, que era o que havia. Então, não poderá utilizar os
R$3.000.000.000,00 de crescimento da receita de Minas para 2001, o
que equivale a mais de R$250.000.000,00 por mês.
Então, Deputado, a minha preocupação é essa. Acho que temos que
nos debruçar sobre os aspectos maiores do orçamento e, se houver
algum equívoco maior, devemos corrigi-lo.
O relatório foi feito pela Comissão de Fiscalização Financeira,
acredito, com a melhor das intenções. Deve haver imperfeições, e
aqui estamos para analisá-lo. Faremos os destaques, as correções
necessárias, o Governador terá 30 dias para apresentar seus vetos
àquilo que for impossível atender. Além disso, o que o Governador
não desejar vetar, não precisa fazê-lo, porque o orçamento é
apenas autorizativo. Estamos nos apegando a pequenos detalhes e
deixando o Governador sem orçamento para 2001, impossibilitando
que utilize os recursos arrecadados no mês de janeiro. Ficará com
o dinheiro no Banco, mas sem poder gastá-lo.
Peço a reflexão do nobre colega porque precisamos pensar
responsavelmente o Estado. Sei que V. Exa. é responsável, e
poderemos corrigir o que estiver errado, mas o pior erro que
cometeremos é o de deixar o Governador sem orçamento para 2001,
impossibilitado de cumprir suas obrigações, sendo a Assembléia
culpada por isso. Com a experiência que tenho, se não votarmos o
orçamento hoje, somente o faremos após 15 de fevereiro, porque os
Deputados viajam, dificultando a existência de “quorum”, ou seja,
a presença de 39 Deputados. Apenas 1 Deputado, pedindo
verificação, segura o orçamento até 15 de fevereiro, ficando o
Governador sem orçamento, sendo culpa desta Assembléia. Deixo bem
clara minha posição. Nada tenho contra V. Exa., que tem procurado
estudar detalhadamente todos os projetos que chegam. Apenas trago
a preocupação de quem tem a experiência de cinco mandatos, já
viveu, nesta Casa, situações as mais diversas. O mais importante é
pensar Minas e ter responsabilidade para com o Estado. Muito
obrigado.
O Deputado Chico Rafael - Deputado Agostinho Patrús, este ato de
nobreza de V. Exa., tendo a humildade de pedir desculpas perante
seus colegas pelo que se passou no Salão Nobre, demonstra que é um
homem de espírito desprendido, grandioso. Tenho seguido suas
orientações por diversas vezes. Após seu posicionamento, digo-lhe
que continuarei a seguir suas orientações, muito embora tenhamos
algumas divergências como a que ora se apresenta. Não prego a
votação contrária ao orçamento nem desejo deixar o Governo do
Estado sem o orçamento. O que critico é o tratamento que foi dado
a todos os Deputados, principalmente aos iniciantes, com relação
às emendas parlamentares. Falo do descumprimento do Regimento
Interno, porque, a despeito da necessidade que o Estado tem do
orçamento, dela não me deixo convencer sem saber, pelo menos, o
que estamos votando. Precisamos conhecer o que estamos votando
hoje, amanhã, em janeiro ou fevereiro. Os parlamentares têm o
direito de saber o que estão votando. Não podemos, simplesmente,
achar que está tudo certo, que o Estado necessita do orçamento, e
votá-lo de qualquer jeito. Não é essa a nossa função. Como vamos
corrigir as injustiças e imperfeições do orçamento se não nos
debruçarmos sobre ele, se não o analisarmos com mais cuidado, com
profundidade, se não avaliarmos e estudarmos as emendas que não
chegaram até agora?
As emendas ainda estão na gráfica, onde, acredito, votaremos o
orçamento. Sr. Presidente, é melhor transferir a sessão da
Assembléia para a gráfica.
O Deputado Sebastião Costa (em aparte) - Cumprimento V. Exa. pela
preocupação com a forma pela qual gostaria que o orçamento
estivesse sendo conduzido. Entendo a preocupação do ilustre
Deputado. Mas quero divergir de algumas vezes em que V. Exa. se
coloca como sendo um Deputado do baixo clero. Não é esse o
conceito que a Casa tem de V. Exa. Pelo contrário, ainda ontem, o
ilustre Deputado acabara de relatar um projeto importantíssimo de
organização e divisão judiciária, o que revela que o Deputado
Chico Rafael não é visto como uma pessoa que não exerce liderança
nem influência, pelo contrário, tem muita influência, exerce
grande liderança e, apesar de estar aqui há apenas dois anos, sua
passagem tem demonstrado que, com pouco tempo, consegue impor-se e
fazer-se respeitar no local de trabalho. Nesse aspecto, quero
dizer que V. Exa. não é considerado um parlamentar do baixo clero,
pelo contrário, merece respeito e destaque pela disposição com que
tem desenvolvido seus trabalhos. Gostaria de fazer apenas duas
observações para que V. Exa. as avaliasse. Em primeiro lugar, se
alguma coisa está contida no orçamento e fere a conveniência
administrativa do Estado, o Governador poderá usar da prerrogativa
do veto. Nesse caso, voltaria para a Assembléia, em outro momento,
para a discussão do veto.
A segunda razão é que deixar de votar o orçamento deixaria uma
marca no Poder Legislativo, ou seja, deixamos de cumprir um dos
maiores e mais importantes papéis que o parlamento tem a exercer.
E tenho a certeza de que não é esse o espírito de V. Exa. Sua
preocupação com relação à forma, aos detalhes, à maneira com que
se conduz, de fato, desperta uma reação. Mas tenho certeza de que
a Assembléia Legislativa, que tanto tem contado com a participação
de V. Exa., contará, uma vez mais, com sua colaboração nesse
episódio. Tenho certeza de que o Governo do Estado, naquilo que
exceder os limites administrativos de seu desejo, terá, também, a
prerrogativa de vetar, o que, naturalmente, será feito. Agradeço o
aparte.
O Deputado Chico Rafael - Muito obrigado, Deputado Sebastião
Costa, pelas referências à minha pessoa, principalmente partindo
de um Deputado que considero do mais alto clero da Casa, pela
experiência, pelo conhecimento e pela bagagem.
O Deputado Sebastião Costa afirmou que, se o Governador não
concordar com o que votarmos, poderá vetar o dispositivo. E a
Assembléia também poderá derrubar o veto.
Não podemos trabalhar na lógica de que vamos votar um projeto com
as emendas na gráfica e depois deixar o Governador vetá-lo. Não é
dessa forma que devemos conduzir nossos trabalhos.
Vim para esta Casa pensando no cumprimento de um Regimento
Interno, nas discussões dos projetos, nas avaliações das questões
que são colocadas na Casa com maior profundidade. Quando vejo um
projeto dessa natureza e importância ser tratado dessa forma, é
profundamente entristecedor e desanimador. Tira-nos o estímulo de
trabalhar, de dedicar-nos. A impressão que se tem é “deixa como
está para ver como fica”. Não é dessa forma que nós, Deputados,
que temos a obrigação de representar os 17 milhões de mineiros,
temos de agir.
Quero pedir aos colegas que me perdoem a impetuosidade com que
coloco as questões, mas isso é próprio da minha vontade de tentar
fazer alguma coisa para mudar o que estamos vivendo em Minas e no
País. Nós, homens públicos, temos essa responsabilidade. Temos de
continuar pensando que será pelo processo político que vamos mudar
alguma coisa.
Sr. Presidente, até o momento, não chegaram as emendas, e os
Deputados estão se preparando para votá-las. Repito: Sr.
Presidente, podemos transferir a sessão da Assembléia para a
gráfica e votar lá, perante as máquinas onde estão rodando as
emendas.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, obrigado pela paciência de terem
me ouvido. Aproveito os últimos segundos do meu pronunciamento
para desejar a todos os senhores um feliz Natal e um ano novo de
paz e saúde. Perdoem o Deputado Chico Rafael pelos excessos que
cometeu; se o fiz, foi involuntariamente. Mesmo assim, em nome de
uma causa maior, de um bem maior, que é o bem-estar do nosso povo.
Um ano novo de paz e saúde para todos os colegas Deputados; um
feliz Natal a todos os colegas, a todos que nos ouvem, aos
assessores da Casa, à imprensa e, principalmente, ao povo querido
de Pouso Alegre e de todo o Sul de Minas. Muito obrigado.