DEPUTADO BRAULIO BRAZ (PTB)
Discurso
Apresenta sua biografia e comenta sua eleição para Deputado Estadual da
16ª Legislatura. Comenta a importância do investimento público na geração
de emprego, renda e desenvolvimento das regiões do Estado. Comenta os
problemas enfrentados pelos moradores do Município de Muriaé em
conseqüência das chuvas e do rompimento da barragem da mineradora Rio
Pomba - Cataguases.
Reunião
3ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 16ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/02/2007
Página 24, Coluna 4
Assunto (ALMG). ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. SEGURANÇA PÚBLICA.
Aparteante DALMO RIBEIRO SILVA.
Legislatura 16ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/02/2007
Página 24, Coluna 4
Assunto (ALMG). ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. SEGURANÇA PÚBLICA.
Aparteante DALMO RIBEIRO SILVA.
3ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª
LEGISLATURA, EM 8/2/2007
Palavras do Deputado Bráulio Braz
O Deputado Bráulio Braz - Sr. Presidente, Deputado José Henrique;
nobres Deputados, meus companheiros desta 16ª Legislatura;
servidores; imprensa; telespectadores da TV Assembléia; meus 19
milhões de conterrâneos do nosso grande Estado de Minas Gerais.
Esta é a primeira vez que ocupo esta tribuna, afinal é também a
primeira vez que exerço um cargo público. Fui eleito especialmente
na região da Zona da Mata mineira - não dispensando o apoio obtido
em todo o Estado de Minas Gerais.
Quero falar um pouco de mim para os meus nobres companheiros e
conterrâneos. Até aqui fui empresário. Durante 39 anos, trabalhei
para as empresas da nossa família, do nosso grupo empresarial.
Resolvi ingressar na vida pública, considerando que o momento era
propício e a nossa região da Zona da Mata mineira carecia de maior
expressividade. Lá há mais de 1.500.000 eleitores, mas pouca
expressividade. Os Poderes Executivos da região sentiam a
diferença de não terem um elo com o governo do Estado. A nossa
região está encostada na divisa com os Estados do Rio de Janeiro e
do Espírito Santo, e, até certo ponto, estava esquecida.
Aproveitando também o momento, no Estado de Minas Gerais, com um
governo sério e atuante, em que o nosso Governador, cada vez mais,
aprimora-se na gestão da coisa pública, levando para junto de si
excelentes colaboradores, e acompanhando de perto esse momento,
pensamos que também poderíamos dedicar o nosso tempo à vida
pública, fazendo o bem, cuidando mais dos interesses da sociedade
e deixando um pouco de lado os interesses dos nossos negócios e da
nossa família.
Quero agradecer a votação que obtive, afinal de contas foram mais
de 92 mil votos, e foi a primeira vez que me candidatei a um cargo
público. Consegui fazer uma proposta e conquistei excelentes
companheiros, que atuaram junto comigo, acreditaram em mim e
procuraram seus eleitores. Não trabalhei com muitos Prefeitos,
porque a maior parte deles já estava comprometida. Procurei
lideranças políticas, mostrei minha proposta - não fiz promessa,
apenas mostrei minha proposta - e consegui um apoio muito grande,
uma votação pulverizada, porém, mais concentrada nas cidades da
Zona da Mata, como disse anteriormente. Afinal, 142 cidades
compõem a Zona da Mata. Em Juiz de Fora, a nossa
representatividade era muito pequena, e precisava-se de mais
Deputados Estaduais na região. Estava fazendo falta para nós e
para nosso povo.
Procurei as lideranças políticas, que me emprestaram seu nome, o
seu trabalho e levaram até os eleitores a nossa proposta. Chegamos
a esta Casa, onde queremos honrar esses votos, levando benefícios.
A minha proposta foi tentar, com o governo do Estado,
investimentos para gerar emprego e renda para o nosso povo. Por
que um empresário, em determinado momento da sua vida, deixa de
dar mais valor a investimento privado e vem buscar investimento
público? É muito simples. Como disse antes, trabalhei 39 anos como
empresário.
Para citar um exemplo, em 1980 a carga tributária constituía 20%
do PIB; hoje já passa de 42%. Os senhores hão de convir que grande
parte do dinheiro está nas mãos dos governantes. Em um Estado do
tamanho de Minas Gerais, com 853 Municípios, é quase impraticável
o Executivo olhar em todas as direções e enxergar todas as
dificuldades e necessidades do seu povo. Para isso, nós, os 77
Deputados Estaduais, representamos aqui os mais de 19 milhões de
habitantes de Minas Gerais.
Ontem, um companheiro Deputado, ocupando a tribuna, citou que
temos milhares de conterrâneos em nosso Estado. Nosso Estado tem
mais habitantes que muitos países. Existem países com 5 milhões de
habitantes, como a Noruega; países superdesenvolvidos, como a
Suécia, que possui 6,7 milhões de habitantes. Então, é muito
difícil governar o nosso Estado.
Não pretendemos ficar aqui apenas quatro anos. Tenho certeza de
que nenhum de vocês se elegeu Deputado Estadual por apenas quatro
anos. Tenho visto vários repetirem o seu mandato ou, às vezes,
galgarem posições que alguns mal-informados julgam mais
importantes, como, por exemplo, Deputado Federal. O importante,
neste momento, é sermos batalhadores pelo nosso povo na Assembléia
Legislativa de Minas Gerais e deixar de lado a importância do
valor público e político.
Não pretendo apresentar propostas e projetos de imediato,
entulhando a pauta desta Casa. Pretendo entender melhor quais são
os projetos que poderei trabalhar junto com meus colegas e
companheiros, para apoiá-los, levando esses projetos a uma solução
que traga realmente benefício para o nosso povo.
Legislar e fiscalizar o Executivo. Sem pressão, precisamos
fiscalizar o Executivo. Precisamos de recursos para o nosso povo,
precisamos saber se a arrecadação do Estado está sendo empregada
com critérios que realmente gerem benefícios para o nosso povo.
Quando disse que investimento público pode gerar emprego e renda,
queria deixar bem claro que esse investimento gera emprego e
renda, de imediato, quando o recurso é aplicado nas comunidades.
Em seguida, são criadas condições para que haja progresso nas
diversas regiões de Minas Gerais.
Estou aqui hoje pensando no desenvolvimento, na melhora de nosso
Estado. Não podemos continuar acompanhando o ritmo de nosso país.
Nos últimos 20 anos, o Brasil não cresceu, e Minas Gerais está
inserida nesse contexto. Nosso Estado está sofrendo, em virtude da
falta de crescimento econômico.
Todos tomaram conhecimento das notícias que nos chegaram ontem
quanto ao aumento do desemprego em 2% de 2005 para 2006. O IBGE
veio, agora no início de fevereiro, apresentar-nos esse índice,
essa queda, quando esperávamos aumento no nível do emprego em
nosso país, um sonho de todos nós.
Meus senhores, Sras. Deputadas presentes, a representatividade
feminina deve aumentar a cada dia mais. Nesta Casa, as mulheres
estão muito bem-representadas. Precisa haver incentivo às
mulheres, como eu, empresário, fui incentivado a tornar-me
Deputado. Minhas nobres colegas Deputadas precisam incentivar as
mulheres a participar mais. Se elas hoje ocupam papel tão
importante na vida social, por que não fazê-lo também na vida
pública?
O Deputado Dalmo Ribeiro Silva (em aparte) - Muito obrigado.
Saúdo o ilustre Deputado Bráulio Braz e o parabenizo pelo seu
primeiro brilhante discurso da tribuna desta Casa.
Ouvi atentamente o pronunciamento de V. Exa., que, como
empresário bem-sucedido e respeitado não somente em Minas Gerais,
mas também em todo o Brasil, traz a esta Casa profunda reflexão:
geração de empregos. Temos de discutir profundamente esse tema,
mas, para isso, precisamos refletir sobre a carga tributária que
assola os empresários de Minas e do Brasil. Sabemos que, para
resolver essa questão, só uma providência é possível, qual seja a
reforma tributária há tempos proposta pelo governo federal e tão
longamente debatida por esta Assembléia e por outros Parlamentos.
Tenho a certeza de que, pela experiência de V. Exa., como também
pela de outros Deputados que para esta Casa estão trazendo sua
inteligência e seu conhecimento, adquirido na vida cotidiana,
poderemos fazer uma reflexão e, conseqüentemente, buscar a geração
de empregos, conforme manifestado por V. Exa.
Ontem tivemos o prazer de participar do lançamento do PMDI, o
novo plano de trabalho do Governador Aécio Neves, que dá
continuação ao choque de gestão. Deputado Bráulio Braz, o
Governador assinalou exatamente essa tônica que V. Exa. manifesta.
Devemos fazer de Minas o melhor Estado para se investir.
Com esse propósito e nessa esteira de pensamento é que V. Exa.
estréia brilhantemente na tribuna desta Casa. Coloco-me à
disposição de V. Exa. para contribuir para esse projeto que traz a
esta Casa. Vamos atrair novos investimentos e indústrias, que
gerarão emprego e mais qualidade de vida para os mineiros.
Peço a Deus que abençoe seu trabalho nesta Assembléia, da mesma
forma como V. Exa. e seus familiares, que, em Minas Gerais e em
outros Estados da Federação, têm sido bem-sucedidos e abençoados.
Parabéns.
O Deputado Bráulio Braz - Obrigado, nobre colega, pelo aparte.
Falei em geração de emprego e renda, tema também tratado por V.
Exa. Agora quero deixar aqui uma confissão. Sempre entendi que,
como empresário, eu estava cumprindo totalmente meu papel social,
ou seja, dar emprego às pessoas e pagar meus tributos; todavia,
chegou um momento em minha vida em que percebi que era necessário
passar para o outro lado para saber como era empregado o dinheiro,
porque a carga tributária vinha aumentando a cada dia.
Quanto ao que disse o nobre Deputado, que falou das reformas
tributária e política, que, aliás, precisam ser feitas, dependemos
dos nobres colegas do Congresso Nacional. Dependemos especialmente
do Executivo Federal, que deverá enviar a proposta para ser
avaliada, corrigida e emendada, a fim de que o País avance. Em
nosso país, apenas as microquestões são resolvidas. Quando se
trata de uma macroquestão, as coisas não andam. Desafio meus
colegas a citar algo “macro” decidido neste país, seja pelo
Executivo, seja pelo Legislativo, seja pelo Judiciário. Tudo são
emendas, remendos.
Não pretendemos mudar-nos daqui. Quero continuar em Minas Gerais.
Nasci em Muriaé, onde moro e pretendo continuar vivendo. Lutaremos
por dias melhores para o nosso povo.
Gostaria ainda de fazer um comentário. Conforme todos assistiram
pela televisão, no tocante à quantidade de chuva que assolou nossa
região, o momento é muito crítico. Em Muriaé houve três enchentes
em janeiro, das quais duas foram recordistas no que se refere ao
nível de água. A primeira delas foi ainda abastecida pela represa
da mineradora Rio Pomba-Cataguases que arrebentou. Muriaé sofreu
demais com isso.
Como Deputado Estadual, e não apenas como filho do Prefeito de
Muriaé, quero deixar isso patente nesta tribuna. Como disse
anteriormente, nasci e me criei em Muriaé. Quando era menino,
cansei de brincar nas enchentes, andando de bicicleta ou de pés
descalços. Na verdade, eu me divertia com as enchentes. Em Muriaé
nunca contamos com a atenção do governo do Estado, como ocorre
agora. Muriaé e todas as cidades vizinhas assoladas pelas
violentas enchentes receberam apoio inigualável do governo
estadual. Para nossa sorte, estamos recebendo também o apoio do
governo federal. O Presidente estipulou uma verba de
R$181.000.000,00, para ajudar a resolver os problemas relacionados
com as enchentes. Sabe-se que foram destinados R$2.700.000,00 para
Muriaé. Assim, na pessoa do Vice-Presidente José Alencar,
agradecemos ao governo federal.
Caros colegas, quero fazer-lhes um agradecimento especial, visto
que fui muito bem recebido nesta Casa. Sou um homem de hábitos e
atitudes simples, porém sou dedicado. Agradeço-lhes, então, a
maneira como me receberam aqui. Refiro-me a todos os Deputados,
especialmente os mais experientes, os servidores da Casa, enfim,
todos. Peço-lhes trabalharmos em parceria. Se precisarem de mim,
podem contar comigo. Tenho fé em Deus em que conseguirei realizar
um bom trabalho. Dedicarei um bom período da minha vida para
ajudar o Estado de Minas Gerais. Agradeço-lhes tudo que fizeram
por mim até agora. Vamos em frente.