DEPUTADO BETÃO (PT)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/06/2019
Página 32, Coluna 1
Assunto ELEIÇÃO. JUDICIÁRIO. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
Aparteante BRUNO ENGLER, DOUTOR JEAN FREIRE
51ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 11/6/2019
Palavras do deputado Betão
O deputado Betão* – Boa tarde, Sr. Presidente, senhoras e senhores deputados e deputadas, público presente, telespectadores da TV Assembleia! Deputados e deputadas, fico estarrecido ao ver como aquelas pessoas que defendem intransigentemente o desgoverno Jair Bolsonaro aparecem agora nas tribunas da Câmara, das Assembleias Legislativas e começam a falar da facada que Bolsonaro tomou em Juiz de Fora, minha terra. Passo por aquela esquina sempre que estou lá, deputado. Isso não tem nada a ver com a discussão que está sendo feita aqui sobre os absurdos que foram revelados de domingo para cá. Adélio já está preso. Foi considerado doente mental. Não sei quem foi que pagou a ele. Essa parte está resolvida. A campanha acabou. Não fiquem apavorados. Não fiquem apavorados, deputados, porque até agora só foi revelado 1% dos arquivos de áudios e mensagens que estão pegando todo mundo. Sei que o senhor está tremendo. O senhor não precisa ficar assim. Fique calmo, fique calmo, porque ainda tem muita coisa. É uma estratégia importante que está sendo usada. As pessoas, uma parte da elite brasileira, dos políticos que ajudaram a dar o golpe neste país, em 2016, estão tremendo de medo porque eles podem aparecer nesses áudios.
Saber por que, deputados e deputadas? Porque a própria eleição de Bolsonaro está em questão aqui agora. A própria eleição de Bolsonaro está colocada em xeque. Podem ser chamadas inclusive novas eleições. Podem ser chamadas, mas não vou entrar ainda nessa discussão porque é muito cedo. Está sob suspeita. Vou repetir o que o Lula disse: Sérgio Moro é um mentiroso – e a casa dele está caindo. É um mentiroso, e a casa dele está caindo.
O Dallagnol também está sob suspeita, porque não é um diálogo qualquer. Como disse o Doutor Jean Freire, foi lido um trecho, mas também vou ler um. Dallagnol diz para o Moro: “Caro, foram pedidas oitivas na fase do 402, mas fica à vontade, desnecessário dizer para indeferir. De nossa parte, foi um pedido mais por estratégia”. Aí o Moro, o amiguinho dele, responde: “Beleza, tranquilo, ainda estou preparando a decisão, mas a tendência é indeferir mesmo”. Olhem a conversinha que eles estão tendo. Ou seja, o juiz que vai julgar o caso fica combinando com o promotor, que está acusando o presidente, que não tem provas, mas tem convicção – e depois vamos descobrir que nem convicção ele tinha –, vai lá e combina, deputado Cleitinho, o que ele tinha que fazer: “Muda a fase da operação, coloca a outra na frente”. “Ah, vamos fazer isso, sim, doutor.” Esse é o tipo de conversa, é 1% até agora do arquivo que está sendo revelado. Então, minha gente, muita calma nessa hora.
O Moro, dizíamos isso a toda hora, a todo momento, desde que chegamos aqui, no dia 1º de fevereiro – e eu falava como vereador em Juiz de Fora, ano passado –, colocou Lula ali para prendê-lo, para tirá-lo das eleições porque, mesmo preso, ganharia as eleições e teria direito a concorrer ao cargo. Mesmo assim, preso, sem poder disputar as eleições, indicou o candidato com o Partido dos Trabalhadores, que foi o Haddad, e o impediram de dar entrevista para os jornais brasileiros com medo de que Haddad pudesse ganhar – e Haddad teve quase 47% dos votos. Isso realmente é uma coisa impressionante. E tudo isso para quê? Para atender aos interesses do mercado financeiro, para aplicar ou tentar aplicar uma reforma previdenciária neste país que acaba com os direitos dos trabalhadores, que acaba com uma previdência pública, solidária, de repartição entre gerações, para tentar colocar no lugar uma capitalização individual, que está sendo orquestrada pelo ministro Paulo Guedes, o mesmo que aplicou essa política no Chile, na época da ditadura de Pinochet. É ele que está tentando fazer isso com o povo brasileiro.
Então, deputado, não se preocupe mesmo, porque, se Bolsonaro não conseguir aprovar essa reforma da Previdência nefasta aos trabalhadores, a própria elite vai tentar dar um jeito de tirá-lo, porque ele é descartável. Ele não governa. Esqueceram de avisá-lo que ele não governa. Até agora não aprovou nada, a não ser o fim do horário de verão – e, mesmo assim, há divergências entre a população; existe gente que gosta do horário de verão, eu particularmente, e existe gente que não gosta. Mas essa foi a única coisa que ele conseguiu aprovar; o resto é medida provisória. Um tosco!
Espero sinceramente que as palavras ditas pelo deputado não tenham nenhuma relação homofóbica pelo fato de o repórter do Intercept ser casado com um deputado federal. É um casal homossexual, assim como nós conhecemos aos montes, porque as pessoas têm o direito de amar como quiserem. Eu acredito que não foi essa a intenção do deputado.
Mas eu ainda diria que essa Operação Lava Jato, que causou um prejuízo de U$158.000.000.000,00 à Nação e que disse que vai repatriar 10 bilhões – e acabou com a indústria brasileira -, ainda nos permite dizer que Sérgio Moro é realmente uma pessoa que tem um coluio muito grande com a CIA e com o Departamento de Justiça americano. As coisas estão se revelando. Estamos falando isso hoje, Doutor Jean, em cima de 1% dos arquivos, então vamos ter coisas amanhã.
A Intercept está prometendo, melhor dizendo, que vai soltar aos poucos, porque ainda estão averiguando, mas parece que realmente a República vai ficar abalada e muita gente vai ser pega de surpresa.
O deputado Bruno Engler (em aparte) – Deputado Betão, primeiro gostaria de esclarecer que trouxe o assunto da facada não para mudar de assunto, até porque, quanto mais falamos das conversas melhor, pois mais o povo percebe que ali não tem nada de errado. A própria conversa que V. Exa. trouxe é uma conversa protocolar, processual, que ocorre em todos os tribunais de justiça deste país: procuradoria conversando com juiz.
Trouxe esse assunto porque ontem, segunda-feira, – aconteceu ontem e estou trazendo hoje –, o advogado do Adélio disse que interessa a quem o paga esconder quem mandou matar Bolsonaro. Isso precisa ser dito. Isso é um fato novo. Não é um fato das eleições, não é voltando à facada. Isso foi uma declaração dada pelo advogado do assassino que quem paga pela sua atuação jurídica não quer que seja revelado quem mandou matar Bolsonaro. Ele simplesmente entregou que o assassinato tem um mandante. Essa historinha de que é um desequilibrado, que agiu sozinho, um lobo solitário, é uma grande mentira. Por isso trouxe esse assunto aqui.
Em relação à ponderação que V. Exa. fez sobre homofobia, de maneira nenhuma. O dono do jornal é casado com um deputado do Psol. Poderia ser casado com uma deputada do Psol. Poderia ser uma mulher casada com um deputado do Psol, mas, por acaso, é um homem casado com um deputado do Psol. O problema não é o casamento dos dois. Isso só escancara o viés político de uma matéria conseguida por hackers que invadiram ilegalmente o celular de autoridades brasileiras e um estrangeiro, esse, sim, americano... Essa história de CIA não tem fundamento nenhum, mas temos, sim, um americano querendo abalar a República. O nome dele é Glenn Greenwald e é dono do Intercept.
O deputado Betão* – Obrigado, deputado. Realmente existem americanos capitalistas e socialistas. Então, o fato de ele ser americano – existem aqueles que defendem os trabalhadores e aqueles que defendem o empresariado – não tem nenhum problema com relação ao caso. O que temos aqui é um jornalismo independente, que está conseguindo, através de uma fonte, desvendar uma situação que está ocorrendo aqui no Brasil.
Acredito que o senhor não esteja fazendo aqui uma discussão de viés homofóbico. Prefiro acreditar nisso.
Esqueci-me de falar uma coisa. Acho engraçado que o desgoverno do Jair Bolsonaro é orientado por uma espécie de Rasputin do século XXI, que mora lá nos Estados Unidos. É como o governo do czar, na época da pré-Revolução Russa. O czar, deputado, era, na Rússia, comandado por um curandeiro, por uma pessoa que se autoproclamava curandeiro como esse que se autoproclama filósofo e desce o pau na filosofia. É um cara que acredita que Terra é plana. Ele acredita que a Terra é plana! E orienta o governo brasileiro! Esse, sim, interfere na população brasileira. O que podemos fazer com um governo desse?
Não estou querendo dizer aqui que o senhor está querendo mudar de assunto por ter falado sobre a questão da facada. Também concordo com o senhor. Acho que tem de ser colocado a panos limpos, mesmo porque o próprio advogado que o senhor trouxe aqui, através do áudio, disse que tem redes de televisão por trás dessa discussão. É importante mesmo esclarecer que redes de televisão são essas. Acho que seria realmente muito bom, deputado Doutor Jean, já vou lhe dar um aparte, se pudéssemos saber sobre a acusação desse advogado que disse que uma rede de televisão está por trás facada em Bolsonaro.
O deputado Doutor Jean Freire (em aparte) – É engraçado, deputado Betão, quando um presidente da República faz continência à bandeira americana, aí ninguém chega aqui e pega o microfone para falar de americano. Aí são os bonzinhos, são ótimos, maravilhosos.
Acho que o senhor sintetizou muito bem, deputado, quando diz que não estamos aqui falando do povo americano. Existe parte boa e ruim em qualquer parte do mundo. Quando o deputado lê aí a fala da promotoria sobre o Haddad, do medo de ser o Haddad, aí não tem viés político, aí não vale. Agora, o fato de o deputado ser casado, do jornalista ser casado, aí tem. Olha, gente, não vamos tentar confundir o povo. Chega! Basta disso! Quem quer que seja que descobriu o fato isso não importa. O que importa é o fato, é isso o que importa. E é isso que a população brasileira, que o povo tem de enxergar, tem de ver. E não adianta trazer outras situações agora. Não importa se é casado com o Psol. Que bom! É como o senhor disse, há formas de amar, e não estamos aqui para discriminar. Existe a tentativa de desviar o real fato.
O deputado Betão* – Obrigado, deputado. Eu vou tentar encerrar, Sr. Presidente, e agradeço a oportunidade. Acho que todos e todas, de todos os espectros políticos, precisam abrir um pouco a cabeça e o coração para as coisas que estão acontecendo e, ao que tudo leva a crer, acontecerão na próxima semana, que ainda será muito quente, mesmo porque a classe operária brasileira está se preparando para uma grande greve geral, no dia 14 de junho agora, na próxima sexta-feira, contra a reforma da Previdência, proposta por esse governo que, como o senhor disse, bate continência para a bandeira americana e quando vai aos Estados Unidos conversar com o Trump, a única coisa que tem a responder é: “Sim, senhor; sim, senhor; sim senhor!”. Obrigado, Sr. Presidente.
* – Sem revisão do orador.