Pronunciamentos

DEPUTADO ANSELMO JOSÉ DOMINGOS (PTC), Presidente "ad hoc"

Discurso

Presta esclarecimentos sobre a realização dos debates. Transcurso do Ano Internacional das Cooperativas.
Reunião 39ª reunião ESPECIAL
Legislatura 17ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/11/2012
Página 25, Coluna 1
Evento Ciclo de debates: "Cooperar 2012 - Ano Internacional das Cooperativas."
Assunto INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS. CALENDÁRIO.
Observação Participantes dos debates: Ivan Lemos Brandão, José Ramos dos Santos, Teresa Raquel, Ronaldo Scucato, Ronaldo Tavares Gontijo, Inocêncio Magela de Oliveira, João Carlos Leite, Márcio Olívio Villefort Pereira, Arimar Gontijo, Ronaldo Horta.

39ª REUNIÃO ESPECIAL DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 17ª LEGISLATURA, EM 6/11/2012

Palavras do Sr. Presidente (Deputado Anselmo José Domingos)


O Sr. Presidente - Neste instante, daremos início aos debates. Solicitamos àqueles que fizerem uso do microfone que se identifiquem, sejam objetivos e sucintos, dispensada a formalidade das saudações pessoais. Pedimos também que entreguem antes sua contribuição por escrito à assessoria. Cada participante disporá de até 2 minutos para fazer a sua intervenção. Lembramos que a leitura e a apresentação oral de questionamentos aos expositores serão feitas de acordo com o volume de inscrições recebidas. Estamos recebendo as perguntas por escrito, as quais serão distribuídas aos expositores, que as responderão. Chamaremos um por um dos que desejam fazer a sua intervenção oralmente.

Debates

O Sr. Presidente - Com a palavra, o Sr. Ivan Lemos, da Sicoob Credivass, que dirigirá uma pergunta ao Dr. Ronaldo.

O Sr. Ivan Lemos Brandão - Meu nome é Ivan Lemos Brandão, sou Presidente da Sicoob Credivass, de São Gonçalo, no Sul de Minas, e Conselheiro da Crediminas. Dr. Ronaldo, gostaria de saber como o senhor enxerga o futuro das cooperativas de crédito no Brasil.

O Sr. Presidente - Muito obrigado, Ivan. Após todas as perguntas feitas, os expositores as responderão. Com a palavra, o Sr. José Ramos dos Santos, da Sicoob Cofal.

O Sr. José Ramos - Minha pergunta é dirigida ao representante de São Roque de Minas. Gostaria de nomear os ramos do cooperativismo: consumo, crédito educacional, especial, habitacional, infraestrutura, mineral, produção, saúde e trabalho, transporte, turismo e lazer. Isso é importante para fazer uma inter-relação com um dos princípios cooperativistas, a intercooperação. No que se refere ao princípio da intercooperação, que é a cooperação entre cooperativas, em relação aos 13 ramos do cooperativismo, o que é possível melhorar?

O Sr. Presidente - Obrigado, José Ramos. Agora chamaremos uma menina, a Teresa Raquel, da Coopen-BH, cuja pergunta será dirigida ao Sr. João Carlos Leite.

A Sra. Teresa Raquel - Boa tarde. Adorei o “menina”, obrigada. Meu nome é Teresa Raquel, sou do conselho fiscal da Cooperativa de Ensino de Belo Horizonte, e minha pergunta tem a ver com o que o José Ramos disse, pois vemos que São Roque é um exemplo da intercooperação. Queria ouvir sugestões do Carlos para sabermos como praticar melhor a intercooperação numa cidade como Belo Horizonte. Obrigada.

O Sr. Presidente - Passaremos a palavra aos expositores para que respondam as perguntas feitas oralmente e por escrito. Com a palavra, Ronaldo Scucato.

O Sr. Ronaldo Scucato - São três perguntas, uma do Ronaldo Tavares Gontijo: “Que conselho ou sugestão o senhor daria hoje ao dirigente de cooperativa de crédito?” Conselho, não dou nenhum; sugestão, talvez. Faço um alerta: é perigoso e proibido brincar com a boa-fé das pessoas. Dirigente de cooperativa de crédito tem de ter uma consciência muito forte para não prejudicar o futuro promissor do cooperativismo de crédito.

E já respondo ao Ivan, meu dileto amigo. O futuro do cooperativismo de crédito é promissor porque ele está inserido em todos os ramos do cooperativismo, e tem de passar dos seus 2%, digamos assim, de participação no mercado financeiro para uma participação maior, como o Credit Agricole, na França; o Dejardins, no Canadá; os bancos cooperativos da Holanda, da Bélgica e da Itália, que são os movimentos cooperativos financeiros que representam a segunda entidade financeira nos países onde se encontram. Esse é o futuro para o cooperativismo de crédito brasileiro.

E a pergunta: Quais são as principais ações para superar o desafio de transformar o cooperativismo de um bando em um time, agindo de forma integrada? Esse é um longo caminho. A primeira coisa a fazer é deixarmos de ser acanhados, modestos, sermos mais humildes, aplicarmos mais a educação. Precisamos formar lideranças autênticas de cooperativismo, respeitar as nossas origens. O mundo, como um todo, está sem bússola, sem norte, e o cooperativismo dá senso a essa desorientação. Precisamos ter lideranças autênticas que nos conduzam para um time de águias, a fim de deixarmos de ser um bando para ser um sistema. É essa a resposta.

O Sr. Presidente - Gostaria de passar a palavra ao Prof. Inocêncio e, se não houver mais nenhuma pergunta, solicito-lhe que faça também as suas considerações finais.

O Sr. Inocêncio Magela de Oliveira - Creio eu que o papel, a missão deste ciclo de debates é, a exemplo da proposta da ONU, criar uma caixa de ressonância, fazendo chegar às pessoas que não têm conhecimento ou consciência disso o que o cooperativismo pode fazer por elas. Esse é o nosso propósito em um evento como este e em outros tantos. Estamos diante de uma clara demonstração do potencial das cooperativas, que não se restringe a Minas Gerais ou ao Brasil. Algumas tantas cooperativas aqui representadas poderiam nos dar o seu testemunho, o relato de sua experiência, suas boas práticas, a fim de disseminar a ideia de que vale a pena contar com as cooperativas na produção de um mundo melhor.

Esses dias, eu falava na Crediminas que existem alguns sinais dos tempos. Por exemplo, o Occupy Wall Street é um movimento que reflete a exaustão em que as pessoas, o mundo, sobretudo o capitalista, encontra-se em relação à famigerada ambição dos capitais e dos bancos - estes, naturalmente, representados. Por isso ocorreu no centro financeiro de Wall Street. Isso gerou uma impressionante migração de contas dos bancos para o cooperativismo. Ocorreu também na Av. Paulista, contudo a imprensa não divulgou tanto, sabe-se lá por quê.

O Prêmio Nobel de Economia foi dado a uma mulher, que defende ser possível ter um bom desempenho por meio de uma administração coletiva - como nas cooperativas. E ela fez as suas experiências em cooperativas madeireiras e de pesca.

Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz, falava do microcrédito. Reparem: um Nobel da Paz falando de microcrédito. Isso porque se entende que, se socializarmos as soluções das pessoas, até mesmo financeiramente, produziremos a paz e evitaremos, assim, que casos que um dia ocorreram - como na Alemanha e, potencialmente, na Coreia do Norte e no Irã - voltem a ocorrer, ou que alguns indivíduos, a exemplo do que conhecemos no passado - Hitler -, possam emergir e organizar os desassistidos, que potencialmente seriam um grande exército. O cooperativismo trabalha pela prevenção da paz social. Temos que investir. E isso só se dará através da educação. Educação, educação e educação.

O Sr. Presidente - Com a palavra, o Sr. João Carlos Leite.

O Sr. João Carlos Leite - Vou tentar responder às duas perguntas que falam da intercooperação e da educação cooperativista, porque os dois temas se interligam. Sou a favor da prática. Pergunto aos senhores: quantas cooperativas educacionais existem em Minas Gerais? Não sei. Quem já foi a alguma cooperativa para perguntar se ela precisa de apoio? Cooperativa educacional para simplesmente reduzir custo para o aluno não deveria ser chamada de cooperativa educacional. Cooperativa educacional é aquela que alia, além da educação pedagógica básica, princípios do cooperativismo, ensinando às crianças valores e princípios da cooperação, a sua importância, a importância da educação empreendedora. O nosso mestre maior disse que o que falta é liderança. Eu aprendi com meu pai que cavalo velho trota, mas não marcha. Só marcha quem é novo. Então, se as grandes cooperativas agropecuárias não são capazes de unir uma cooperativa educacional para formar liderança, eu questiono esses treinamentos que são dados a cavalo velho.

Quem conhece a nossa cooperativa educacional tem o sonho de ver as lideranças que nascem nas salas de aula. Quando acontece um problema, a capacidade que os alunos têm de autoavaliar o problema e resolver, se eu fosse contar, não sairia daqui. Esse é o exemplo simples e básico. Todos falam em educação, mas enfiar a mão no bolso e botar dinheiro, como a Saromcredi faz, quero ver quem faz. Para custear 130 alunos, a Saromcredi vai investir, só na cooperativa educacional, R$450.000,00, este ano. E para os alunos de São Roque, se quiserem fazer graduação em Piumhi, Formiga ou Arcos, nós arcamos com R$4.000,00 por mês de contribuição de óleo diesel, para baratear. Isso é intercooperação. Eu viajo por aí e não vejo mudança. Em Belo Horizonte existe a Coopemg, mas não sei se ela tem ajuda de grandes cooperativas daqui. Mas acho que a comunidade de Belo Horizonte deveria pensar que a Coopemg poderia ser a gestora de grandes líderes do cooperativismo.

Eu poderia citar outros exemplos de cooperação. Vejo cidades que têm cooperativas de crédito que não se comunicam com as cooperativas agropecuárias e os associados são os mesmos. E o problema é um só: a vaidade. O Prof. Inocêncio fala que sou humilde. Minha mãe me ensinou que a humildade é o caminho para o sucesso. Então, deve ser por isso que estou aqui. Se for um projeto pessoal meu, com a minha vaidade, ele não vai para frente. Se for para o bem da coletividade, eu tomo a frente, vou até o fim. O que vejo é a vaidade de dirigentes que querem aparecer e se esquecem da coisa maior, que é o cooperado. Para que existe cooperativa se não for em prol do cooperado? Se se tirarem todas as cooperativas, essa instituição de natureza jurídica morre. Isso é intercooperação, que começa para eliminar vaidades e orgulhos.

Não pensem que não temos problemas com as cooperativas agropecuárias. Temos, mas nós brigamos, discutimos e, no final, fazemos tudo em prol da comunidade.

Talvez seja esse, na minha opinião, o sucesso de São Roque: exemplo de intercooperação. Há cooperativas agropecuárias que não movimentam a cooperativa de crédito, porque o dirigente da cooperativa agropecuária não gosta do Presidente. E daí? É um problema pessoal dele, mas não da cooperativa, não da comunidade. Falta entendimento e compreensão.

Outra pergunta que está aqui é do meu companheiro Onésimo: “Qual é o resultado final por associado, no ano de 2011, da Saromcredi?” Não sei dizer qual é o resultado por associado. Sei dizer que, no ano passado, deu R$2.500.000,00 de sobras, valor já líquido, excetuando-se o Fates, que foi para os investimentos na educação em São Roque. Crescemos R$2.500.000,00. A Saromcredi, segundo seu estatuto, há vários anos destina 70% das sobras para o fundo de reserva. A assembleia aprovou esses 70%, apesar de a lei falar em, no mínimo, 10%. Temos um medo danado de perder a Saromcredi, como já perdemos outros bancos. O que vale não é a minha cota capital; o que vale é a minha instituição, a cooperativa que presta serviços. Por isso é que temos 70%. Quinze por cento vão para o Fates, conforme o Banco Central determina, e 15% sobraram para os cooperados, divididos, segundo aquele cálculo matemático, de acordo com a proporcionalidade dos movimentos de cada cooperado. Especificamente não sei responder a essa pergunta. Sei que, no ano passado, crescemos R$2.500.000,00 e, neste ano, vamos crescer mais de R$4.000.000,00, já tirando o Fates. E acho que está de bom tamanho para São Roque.

Posso dizer para os senhores que não sei há quantos anos não mexemos em taxas de juros. Os bancos estão dizendo que baixaram, mas já tínhamos baixado lá atrás, e fico brigando com os meus Diretores, dizendo que a taxa está grande. Digo para baixarmos a taxa porque, quanto mais baixa a taxa, mais movimentação vamos fazer, mais negócios vamos fazer, e estaremos ganhando na escala. É uma eterna briga entre o conselho, que é estratégico, e os Diretores, que são executivos e, claro, têm bonificação em cima dos resultados, e é assim que tem de ser. Mas estamos lá no conselho para ponderar essa bonificação e esses resultados.

Pergunta do meu companheiro Silas: “Na sua visão, qual é o maior desafio a ser superado para o avanço do cooperativismo?” Talvez seja este: mostrar o que somos para a sociedade. Não somos banco, não queremos ser banco. Em São Roque, todo mundo fala que a Saromcredi é o banco deles, mas eles estão querendo dizer que somos chiques, que superamos uma fase de miséria e de pobreza lá de trás. E banco é “status”, nada mais. Temos um banco, mas todo mundo sabe que a Saromcredi, na verdade, é uma cooperativa de crédito. E a gente afirma isso. Quando vejo um cooperado falar banco, também falo banco, mas sabendo que, para mim, banco é um Oscar que ganhamos: saímos da pobreza, da miséria para uma condição melhor. Mas jamais, com certeza, esqueceremos que somos filho da miséria.

Sobre oportunidade, uma pergunta: “Qual é a maior oportunidade a ser explorada?” Justamente esta: mostrar para os nossos cooperados e para a nossa comunidade que não somos banco. Não precisamos ter vergonha de dizer que somos cooperativistas, que somos dirigentes de uma instituição financeira não bancária. Temos de mostrar para a sociedade o que é um banco e o que é uma cooperativa. Banco investe na cidade? Apontem-me uma cidade em que o banco investe? Nenhuma. Certo, o Bradesco tem uma fundação. Tudo bem, mas ele deduziu aquilo do Imposto de Renda. No dia em que tirarem do Imposto de Renda essa dedução, ele não vai aplicar esse dinheiro lá.

Então, vamos mostrar quem somos e por que existimos. Esse é o nosso diferencial, pois a taxa de juros já está igualada, e os serviços vão ficar mais baratos também, igualar-se-ão. E a pergunta que fica no ar para o cidadão comum é a seguinte: vou para uma cooperativa ou para um banco? Qual é a vantagem de um e de outro? E, nessa hora, temos que estar prontos. Ao falar de nós, não me refiro apenas a nós, dirigentes, mas também aos funcionários, colaboradores e cooperados, pois custa muito barato reaplicar uma mensagem dessas. A Sarom Crédito tem um programa de capacitação interna, por meio do qual estou tentando transformar 77 funcionários em 77 Joõezinhos. Isso é muito mais barato que usar papel. Queremos o boca a boca, como os vendedores da Avon, da Natura. É importante disseminar, mostrar o que somos. Essa é a grande oportunidade que nós, cooperativas de crédito, temos.

Certamente temos desafios e precisamos eliminar coisas estranhas. Dá para entender a existência de duas centrais de crédito do Sicoob em Minas Gerais? Temos o Sicoob ligado à Cecremge e o ligado à Crediminas. Tudo isso graças à vaidade pessoal. Sei que já existe um movimento. Vocês devem juntar esses dois e posicionar essas duas centrais, com seus números financeiros dentro da economia do Estado, para ver o grande potencial que já temos em Minas Gerais. Façam esses cálculos.

Essas são nossas oportunidades, e temos de eliminar certas mazelas internas para poder avançar mais. Muito obrigado.

O Sr. Presidente - Muito obrigado, João Carlos. Com a palavra, o Márcio Villefort, para responder às perguntas.

O Sr. Márcio Olívio Villefort Pereira - Temos aqui a pergunta do Arimar Gontijo, da Faculdade Novos Horizontes: “Qual esforço coletivo as cooperativas têm feito para capacitar e preparar gestores de cooperativas em nível superior?” Esse é um trabalho de conscientização que a central tem feito e tentado repassar para as cooperativas, visando à conscientização dos dirigentes quanto à necessidade de capacitar sua equipe em todos os níveis. Um patrãozinho acabou de falar que sua cooperativa fornece uma bolsa de estudo de graduação para o seu pessoal. A maioria das cooperativas investe nesse sentido, dando bolsas de estudo a fim de capacitar sua equipe, pois, apenas por meio da educação, garantiremos o crescimento sustentável e a perenidade das cooperativas.

Já foi falado pelo Inocêncio e pelo Dr. Ronaldo que as cooperativas têm de ter resultados, e têm mesmo. Apenas dessa forma poderemos investir internamente em capacitação. Se elas não mostrarem resultado, como terão Fates? E, sem ele, como investirão? Então, temos feito esse trabalho, sendo que o maior é o de conscientização da necessidade de se captar, pois essa é uma questão de sobrevivência em um mercado agressivo como o de hoje, que estamos vivenciado.

O Ronaldo Horta, do Sicoob Creditábil, pergunta: “O sistema Sicoob tem algum projeto para transformar os Municípios mineiros em exemplo nacional, levando a experiência de São Roque para todos os Municípios em um futuro próximo?” Ronaldo, a Cecremge tem feito esse trabalho no programa Terceira Dimensão. Estarão lá oito cooperativas falando sobre casos de sucesso, ou seja, sobre suas ações que geram sucesso e podem ser levadas para as demais.

O Joãozinho tem dado muitas palestras sobre sua experiência. Sempre que é requisitado, não mede esforços para estar presente aos eventos.

O sistema Sicoob está desenvolvendo agora, em outubro, um novo planejamento que contempla muita coisa em termos de divulgação do cooperativismo em nível nacional.

O Sr. Presidente - Muito obrigado, Dr. Márcio. A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais manifesta seus agradecimentos aos expositores, às autoridades, aos demais participantes e ao público em geral, convidando todos a participar conosco, a partir das 14 horas, neste Plenário, da continuação do ciclo de debates. A partir das 17 horas, no Teatro da Assembleia, teremos a apresentação teatral “Capital X Trabalho: cooperativismo”, conforme programação definida. Muito obrigado e um bom almoço para todos.