DEPUTADO ANDRÉ QUINTÃO (PT), Presidente da Comissão de Participação Popular.
Discurso
Comenta a importância da instalação e atribuição da Comissão de
Participação Popular.
Reunião
46ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 17/06/2003
Página 32, Coluna 4
Assunto (ALMG).
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 17/06/2003
Página 32, Coluna 4
Assunto (ALMG).
46ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 11/6/2003
Palavras do Deputado André Quintão
O Deputado André Quintão* - Sr. Presidente, colegas Deputados e
Deputadas, inicialmente, como mineiros e brasileiros, gostaríamos
de cumprimentar a Srta. Gislaine, ex-estagiária desta Assembléia,
que tão bem representou nosso País, apresentando para todo o mundo
não só a beleza, mas principalmente a inteligência da mulher
brasileira. É uma honra tê-la conosco nesta Casa.
Queria registrar que hoje foi um dia muito importante para a
Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Em solenidade realizada
pela manhã, tivemos a instalação de três importantes espaços de
atuação legislativa e da sociedade civil no Legislativo mineiro.
Em primeiro lugar, a instalação da Comissão de Ética, presidida
pelo nobre Deputado Dalmo Ribeiro Silva; a Ouvidoria Parlamentar,
que terá como titular o Deputado Roberto Carvalho, e a Comissão de
Participação Popular, com a participação dos Deputados Mauro Lobo,
Leonardo Quintão, Gustavo Valadares, João Bittar e este Deputado,
que terá a honra de presidir tal Comissão. Na verdade, a Comissão
de Participação Popular se inspira em algumas experiências
internacionais e da Câmara de Deputados. Ao longo dos anos e com o
avanço democrático, principalmente na Europa, os parlamentos de
vários países como a Itália, a Suíça, Portugal, a Austrália e
alguns Estados dos Estados Unidos da América avançaram no sentido
de criar mecanismos de participação e integração direta da
sociedade nos trabalhos legislativos. Por meio do direito de
petição, a sociedade manifestava o desejo de ter acesso a uma
informação pública, apresentava propostas de referendo, plebiscito
ou mesmo de iniciativa de projetos de lei.
Em 2001, na Câmara dos Deputados, o então Presidente, Deputado
Aécio Neves, hoje Governador do Estado, tomou a iniciativa, junto
com as lideranças de todos os partidos, de instalar a chamada
Comissão de Legislação Participativa, que tem por missão e
atribuição recolher sugestões de projetos de lei, de emendas ao
orçamento, emendas ao PPAG e realização de debates públicos.
Essa Comissão foi instalada no Congresso, presidida pela Deputada
Luíza Erundina, que, já no início, obteve grande êxito.
Estive, no mês passado, em Brasília. Em contato com a Comissão,
observei que, em pouco tempo de funcionamento, mais de 40
iniciativas populares tramitam, muitas a ponto de serem votadas.
A Constituição Federal prevê a iniciativa popular de projeto de
lei, mas apresenta requisitos difíceis de ser atingidos. Exige-se
no mínimo 1% de assinaturas do eleitorado nacional; ou seja, no
plano federal, para se apresentar iniciativa popular de lei é
necessário, no mínimo, um milhão de assinaturas. Até hoje, desde a
promulgação da Constituição, apenas duas proposições foram
apresentadas: uma, na área de moradia popular; e outra, coordenada
pela CNBB, que se tornou a Lei Federal nº 9.840, de combate à
corrupção eleitoral. Portanto, apenas uma foi aprovada.
Nos municípios, a Constituição é mais austera. Prevê, no mínimo,
5% do eleitorado. A nossa Constituição Estadual prevê, para que
projeto de iniciativa popular tramite, a exigência de no mínimo 10
mil assinaturas de eleitores, sendo 7.500 no interior e 2.500 na
Capital.
Agora, com a criação e o efetivo funcionamento da Comissão de
Participação Popular, qualquer entidade organizada da sociedade
civil - sindicato, clube de serviço, associação comunitária,
creche, entidade ambientalista ou religiosa - poderá apresentar
sugestão de projeto de lei; emenda ao Orçamento, ao PPAG, à LDO e
ao PMDI; solicitação oficial de informações ao poder público de
realização de audiências públicas e consulta sobre assuntos
variados; convocação de Secretário para prestar esclarecimentos
nesta Casa; ou seja, as prerrogativas dos parlamentares são
compartilhadas também com essas entidades, de forma
institucionalizada. Dessa maneira, desburocratiza, simplifica e
integra mais o Poder Legislativo com a sociedade civil.
Parabenizo os integrantes da Mesa, que, desde o início desta
legislatura, se empenharam, juntamente com o corpo técnico desta
Casa, para que, hoje, esta Comissão estivesse em pleno
funcionamento. A Assembléia Legislativa possui tradição de
participação popular. Há 10, 12 anos, a Assembléia sofreu grande
processo de reformulação institucional. Os ciclos de debates,
seminários, fóruns técnicos são expressão dessa reformulação, além
do papel de comunicação democrática exercitada pela TV Assembléia.
A instituição possui canais abertos com os municípios e as
entidades da sociedade. Portanto, a Comissão é mais um
instrumento, que no processo legislativo avança, porque permite a
apresentação de iniciativas de projeto de lei. Destaco para todos
os Deputados que presidem comissões permanentes que a Comissão de
Participação Popular surge para complementar, e não para
substituir ou sobrepor o importante trabalho realizado pelas
demais.
Na condição de Presidente da Comissão de Participação Popular,
teremos o cuidado de encaminhar os debates rigorosamente
sintonizados com as demais comissões permanentes da Casa. Queremos
somar a participação popular, e não superpor, substituir ou entrar
em conflito com os mecanismos já existentes na Assembléia
Legislativa. Sr. Presidente, Srs. Deputados, tenho esse
compromisso. A Comissão somente irá colher os frutos desejados e
necessários para o fortalecimento do Poder Legislativo se tiver o
amplo apoio de todos os Deputados e Deputadas.
Quero ir além dizendo que, já de ontem para hoje, da eleição à
instalação da Comissão de Participação Popular, várias entidades
já nos procuraram para discutir diversos assuntos. Na reunião de
amanhã, serão apresentados requerimentos para que possamos debater
as matérias afetas à nossa Comissão. Fomos procurados também por
instituições de ensino superior que querem integrar campos de
extensão de estagiários e de estudantes de Direito para estudos
sobre determinadas políticas públicas. Há associações que também
estão propondo audiências públicas com a finalidade de avaliar e
debater propostas para o PPAG.
Enfim, a Comissão de Participação Popular, com certeza, será mais
um espaço de fortalecimento e de valorização do Legislativo
mineiro, que são necessários, porque o parlamento é fundamental em
qualquer regime democrático. Não há democracia sem parlamento. O
parlamento exprime a pluralidade e a diversidade dos sentimentos e
das expressões políticas no conjunto de qualquer sociedade.
Não comungo com as críticas que vêm de setores que querem
desvalorizar o parlamento para fortalecer o sistema autoritário -
à esquerda ou à direita. Defendemos - e falo também em nome do PT
- um Poder Legislativo democratizado e transparente, mas
sintonizado e combinado com a participação direta da população.
Achamos fundamental a prevalência, a existência e o livre
exercício da atividade parlamentar. Nesse sentido, deve-se
fortalecer as ações de valorização do Legislativo, não aquelas
corporativas ou de autodefesa de privilégios, mas aquelas sinceras
de democratização e de aprofundamento do papel do Poder
Legislativo. Como bem retratam as atuais medidas tomadas pela
Mesa, que apontam, sim, para o caminho de um Legislativo mineiro
fortalecido e democratizado.
Tenho a certeza de que essas iniciativas terão repercussão, não
só no Estado de Minas Gerais, mas também em vários municípios do
País. Hoje mesmo fui procurado por Vereadores de alguns municípios
de Minas Gerais que querem instalar também, em suas Câmaras
Municipais, a Comissão de Participação Popular.
Faço também um apelo à Câmara Municipal de Belo Horizonte, que
também é tão sensível a esse assunto, para que coloque em prática
um projeto de resolução que aprovamos, no último dia da
legislatura passada, criando a Comissão de Legislação
Participativa também nessa Casa.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, junto a outros parlamentos
estaduais, junto à Deputada Luiza Erundina e à Comissão de
Legislação Participativa do Congresso Nacional, estamos
estabelecendo uma rede de parlamentos comprometidos com a
democratização interna e com a proliferação de mecanismos de
participação direta da sociedade.
Há a proposta de realizar no segundo semestre, talvez conduzido
pela nossa Assembléia, um encontro dos parlamentos que já têm
essas Comissões de Participação Popular e o Congresso Nacional,
para que se possa fazer uma avaliação do trabalho realizado até
aqui. Poderemos ainda avaliar e aperfeiçoar as sistemáticas
adotadas.
Com muita alegria vemos que a atual legislatura, a partir do
acúmulo de experiências de outras legislaturas, do corpo técnico e
da reformulação institucional, avança, como o País, com o Governo
Lula, que também faz o seu Plano Plurianual participativo.
Tenho a certeza absoluta de que essa Comissão, a Comissão de
Ética, a Ouvidoria e as comissões permanentes continuarão a
trilhar o caminho de um parlamento democratizado e sintonizado com
os anseios e as aspirações do povo mineiro.
Portanto, os desafios são muitos, mas as energias também são
muito positivas. Continuando com o apoio da Mesa, esta Assembléia
avançará muito mais. Obrigado.
* - Sem revisão de orador.