DEPUTADO ANDERSON ADAUTO (PMDB), Presidente
Discurso
Discurso de encerramento do mandato como Presidente da Assembléia
Legislativa.
Reunião
127ª reunião ESPECIAL
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 17/02/2001
Página 29, Coluna 2
Assunto DEPUTADO ESTADUAL. (ALMG).
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 17/02/2001
Página 29, Coluna 2
Assunto DEPUTADO ESTADUAL. (ALMG).
127ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 15/2/2001
Palavras do Deputado Anderson Adauto
Membros da Mesa já nomeados, Deputados, familiares dos membros
da Mesa que hoje se empossa, senhoras, senhores, jornalistas, há
dois anos, ao assumir a Presidência da Assembléia Legislativa do
Estado de Minas Gerais, pude dizer ao povo mineiro que as pessoas
pedem de suas autoridades políticas aquilo a que têm direito. Elas
querem apenas que lhes sejam assegurados os direitos essenciais à
vida, como o de educar-se, conservar a saúde, trabalhar e
expressar os seus sentimentos de amor e de amizade.
Nestes dois anos, nos limites de nossas prerrogativas e de nossas
responsabilidades, meus companheiros de direção nesta Casa e eu
procuramos atender a essa postulação simples dos cidadãos de
Minas.
Quando, em nome do povo mineiro, apoiamos a atitude do Poder
Executivo, ao questionar os termos do acordo da dívida estadual
celebrado com a União pelo Governo anterior, estávamos buscando os
recursos necessários para a educação e a saúde de nossa gente.
Ao apoiarmos movimentos como aquele contra a privatização do
sistema energético e dos recursos hídricos, estávamos defendendo a
própria vida, uma vez que não há vida orgânica na Terra sem a
presença da água.
Entendemos, desde o primeiro momento em que chegamos a este
parlamento, que o Poder Legislativo deve estar sempre junto do
povo. Não basta que cada um dos Deputados visite as suas bases e
delas recolha reivindicações e esperanças. É necessário que as
instituições parlamentares, por intermédio de seus órgãos
interpartidários, convivam permanentemente com a cidadania e suas
associações. Por isso, na Presidência da Casa, dei todo o apoio
aos encontros regionais e ao diálogo com os setores organizados da
sociedade. Mais do que isso, por meio de agenda intensa e variada,
aqui estiveram praticamente todos os setores da sociedade para
conosco debaterem os assuntos de prioridade e de legítimo
interesse dos mineiros, dentro do respeito à liberdade e à
cidadania.
Mantivemos as relações corretas com os demais Poderes. Corretas,
no sentido de que respeitamos as prerrogativas constitucionais de
cada um deles sem desprezar as nossas próprias prerrogativas e
deveres. O Presidente da Assembléia de Minas, como, de resto, o
Presidente de qualquer Casa Legislativa, deve agir
institucionalmente. Nesse aspecto, temos consciência de que
assumimos e levamos à prática todas as prerrogativas inerentes ao
Poder Legislativo. Um exemplo claro disso foi o aprimoramento do
processo de fiscalização das políticas públicas. A Assembléia de
Minas avançou nesse aspecto. Essa conquista tende a uma
prerrogativa constitucional e é uma exigência da sociedade que
muitas vezes não é praticada pelos parlamentos brasileiros. Como
cidadão e representante de meus coestaduanos, procurei agir de
acordo com os meus compromissos e princípios. Também de acordo com
os meus compromissos, os partidos que me elegeram e os princípios
morais que me são próprios, agi sempre em busca de soluções que
representassem o consenso da maioria.
Entendi, também, que o diálogo interno, fora do formalismo do
Plenário, é inerente ao Poder Legislativo. Procurei valorizar o
poder de decisão do Colégio de Líderes, esta instância necessária
entre o Plenário e a Mesa. Com isso, foi-nos possível acompanhar
não só os movimentos da política administrativa e processual
interna, como também a ação do Poder Legislativo diante das
conjunturas nacional e estadual.
Sou profundamente grato à bancada do meu partido, o PMDB, e a
todos os Deputados, sem exceção, pela confiança e pelo apoio que
nos deram durante toda a nossa gestão e, sobretudo, em alguns
momentos difíceis. Agradecemos, de modo especial aos Líderes de
partido, que, compreendendo o papel do parlamento no contexto dos
demais Poderes, nos ajudaram a evitar que houvesse um vácuo
político que poderia ter sido prejudicial ao Estado. Esses mesmos
Líderes sempre souberam defender as suas posições dentro do clima
de cordialidade, de respeito, de fidelidade aos interesses
permanentes de nosso povo.
Senhoras e senhores, devo, ao final de meu discurso, uma palavra
sincera de agradecimento ao corpo técnico desta Casa e a todos os
seus servidores. Creio que as relações entre os parlamentares, que
ocupam estas salas e estes corredores, providos do poder
temporário que o povo lhes outorga, e seus funcionários
permanentes, devem ser de respeito, de obediência à hierarquia, de
cordialidade. Sendo assim, é melhor que não haja o paternalismo,
que corrompe, nem a bajulação, que avilta. Nós, parlamentares,
passamos por esta Casa seguindo o curso de uma vida pública.
Vivemos apenas uma parte da nossa vida no desempenho do mandato.
Quase sempre as lides de homem público nos chamam a outras
missões. Por isso mesmo, temos que levar em conta a natureza de
nosso mandato. Estamos aqui, e em outras Casas Legislativas, para
defender os interesses permanentes do Estado e da população que
nos elege. Em decorrência, a renovação da administração interna
dos parlamentos é tão necessária quanto o é a renovação de suas
Mesas. Essa renovação dá a oportunidade para que servidores fiéis
e competentes possam mostrar as suas credenciais e
profissionalismo.
No fim destes dois anos, posso dizer que descobri, no quadro de
servidores desta Casa, técnicos da maior competência e
confiabilidade. Pude comprovar que o quadro de pessoal da
Assembléia Legislativa de Minas é formado de pessoas dignas,
honradas, dedicadas, que procuram aprimorar os seus conhecimentos,
que têm a plena consciência de que servem a Minas, em sua
permanência e imanência, de que servem às razões e às esperanças
de nosso povo. Por meio da ampliação das atividades da Escola do
Legislativo, pudemos dar a nossa contribuição para esse
aprimoramento profissional dos nossos servidores, estendendo a
nossa prestação de serviços a outras áreas do Estado, com a
realização de cursos, palestras e seminários, que tiveram grande
repercussão em Minas. Quero dizer a todos que lhes sou
pessoalmente grato e que falo em nome da Mesa, ao reconhecer o seu
esforço singular nesta legislatura, tendo em vista a atuação densa
e intensa do parlamento nos dois últimos anos.
Sr. Presidente eleito, Antônio Júlio, ao entregar-lhe a direção
desta Casa, faço-o com a alegria de quem se vê substituído por um
homem honrado, firme em suas convicções, mas disposto a ouvir e a
conciliar, quando o interesse comum assim o exige.
Seus companheiros de Mesa, escolhidos pelos partidos e
referendados pelo Plenário, são homens experientes e lúcidos, que
terão total condição para fazer uma boa gestão junto com V. Exa.,
que, com a sua franqueza e cordialidade, é um líder natural entre
todos nós. Assim o vemos e assim o reconhecemos.
V. Exa. assume com a confiança plena desta Casa, e estou certo de
que, sob o seu comando, a Assembléia Legislativa, seguindo uma
tradição de 165 anos, iniciada com a criação dos parlamentos
provinciais, manterá sua independência e sua altivez, para servir
à altivez e à independência do povo de Minas Gerais.
Registro, ainda, um agradecimento aos funcionários que
trabalharam comigo no gabinete da Presidência, que sempre
demonstraram dedicação, garra e entusiasmo em cada tarefa
realizada.
Manifesto também profunda e afetuosa gratidão à minha família,
que me ajudou em todos os momentos e soube compreender a
importância e abrangência de nossa missão nesses dois anos,
aguardando com tranqüilidade e paciência, suportando os longos
períodos de ausência na nossa convivência. Muito obrigado a todos
os que nos ajudaram. Muito obrigado.