DEPUTADO ÁLVARO ANTÔNIO (PDT)
Discurso
Solicita continuidade das obras de implantação do metrô de superfície no
Município de Belo Horizonte.
Reunião
15ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 01/04/1999
Página 27, Coluna 4
Assunto TRANSPORTE.
Legislatura 14ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 01/04/1999
Página 27, Coluna 4
Assunto TRANSPORTE.
15ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 25/3/1999
Palavras do Deputado Álvaro Antônio
O Deputado Álvaro Antônio* - Sr. Presidente, Sra. Deputada, Srs.
Deputados, nesta semana a imprensa mineira fez algumas observações
relacionadas com o custo e o atraso da implantação do metrô de
superfície na Capital mineira. Nesse comentário, a imprensa
enumerou uma série de possíveis causas que estão atrasando o nosso
metrô de superfície por mais de 16 anos.
E a imprensa aponta a desarticulação política como a responsável
pela primeira paralisação das obras do metrô de superfície, os
desentendimentos havidos de 1986 a 1998. Citou também uma série de
cálculos, como, por exemplo, projetos elaborados em Brasília sem o
conhecimento ou sem os conhecimentos devidos da situação do
transporte da Capital mineira.
Dou um exemplo aos senhores: projetou-se um ramal do Bairro
Calafate ao Bairro Eldorado sem uma parada no já famoso Bairro
Cabana do Pai Tomás, local densamente povoado e que, sem dúvida
alguma, seria uma das fontes alimentadoras do metrô de superfície.
E, assim, há uma série de desajustes, de desacertos, como a
posição dos senhores empresários, que procuram quase que torpedear
a sua implantação, sem o mínimo interesse, como se o metrô de
superfície viesse trazer prejuízos ao transporte convencional,
feito por ônibus na nossa Capital.
E isso não é verdade, Srs. Deputados. Em todos os grandes centros
em que foram implantados metrôs de superfície, houve um aumento na
capacidade operacional do sistema convencional de transporte por
ônibus, nas fontes alimentadoras desses metrôs. Houve uma melhoria
no sistema de transporte, não só na sua arrecadação, como também
para a população.
Mas o que vai acontecer ou o que vem acontecendo com o nosso
metrô? Uma das razões principais da situação de penúria em que se
encontra essa obra é que Minas Gerais, por incrível que pareça,
não tem uma secretaria de transportes. Tem no papel: a Secretaria
de Transportes, Viação e Obras Públicas.
É altamente importante o transporte para qualquer comunidade. Não
podemos misturar o problema das obras de um Estado com os seus
problemas de transporte. Há uma urgente necessidade de
reconsideração do nosso atual Governador, porque a miopia de
Governadores passados acabou com a Secretaria dos Transportes, que
era o fórum de debates e das discussões sobre a necessidade de
transporte em nosso Estado. Esses Governadores, simplesmente,
erradicaram a Secretaria dos Transportes, trazendo altos prejuízos
para Minas Gerais.
Quando falamos em transporte, não nos referimos apenas ao
rodoviário. Sabemos da importância do transporte aeroviário, da
importância do transporte ferroviário e da importância,
logicamente, do nosso transporte rodoviário. Tudo isso somado é
que vem, realmente, ocupar os espaços e suprir as necessidades dos
transportes nas cidades do interior, em todo o Estado de Minas
Gerais e na região metropolitana.
Quando a imprensa faz a análise do custo de implantação do nosso
metrô por quilômetro, levanta o valor de US$34.000.000,00. Sabemos
que o custo médio para a implantação de um metrô de superfície é
mais ou menos em torno de US$15.000.000,00, sendo permissível até
US$30.000.000,00 por quilômetro. Assim, verificamos que o nosso
metrô de superfície, em seus 23,5km, é o mais caro do País. Se
continuarmos desse jeito, esses 60km que perfazem a sua rede total
em nossa Capital ficam, prática e economicamente, inviáveis.
Então, é para isso que chamamos a atenção dos nossos pares da
Assembléia Legislativa. Há a necessidade de uma retomada, para que
a obra do nosso metrô de superfície não seja novamente jogada a
terceiro ou quarto plano em nosso Estado.
Sabemos das dificuldades por que passa o nosso País e o nosso
Estado, dificuldades agravadas por essa situação política de
convívio entre Governos Federal e Estadual, mas não podemos nos
calar deixando que o nosso metrô de superfície continue arrastando-
se não sabemos até quando e nem se um dia poderemos contar com
esses 60km, que são o mínimo necessário para a Capital mineira.
Chamo a atenção dos Deputados para dizer-lhes que a Assembléia
Legislativa está cumprindo o seu dever porque tivemos a felicidade
de aqui verificar a criação de uma comissão permanente dos
transportes, que, por incrível que pareça, não existia nesta Casa,
para cuidar dos problemas de transporte no Estado de Minas Gerais.
Acreditamos que essa comissão, os nossos Deputados farão força
para que o Governador do Estado possa separar o transporte das
obras públicas, porque nosso Estado, de grande dimensão
territorial, tem que dar uma atenção maior ao transporte
aeroviário, sem falar do ferroviário. Digo aos senhores, um dos
grandes culpados por esse atraso de 17 anos é a falta de uma
secretaria de transportes no Estado de Minas Gerais, para se criar
um fórum de debates, buscar o apoio do Governo Federal, com
projetos, planos, idéias, enfim, com aquilo que podemos avaliar e
tirar do meio em que vivemos, com conhecimento de causa, dando
subsídios para que realmente projetos de alto gabarito possam ser
desenvolvidos para o transporte em nosso Estado.
À guisa de exemplificação para os Deputados, quero dizer que,
quando Minas Gerais iniciou os primeiros estudos hidroviários na
nossa bacia hidrográfica, que é a segunda do mundo, São Paulo,
naquela época, iniciava também estudos para a implantação das
hidrovias do rio Tietê. Com a paralisação do Estado de Minas no
setor de transportes, com essa ótica conturbada de nossos ex-
Governadores ao acabarem com essa secretaria, São Paulo avançou
mais de 1.400km de vias navegáveis, e Minas Gerais, por incrível
que pareça, ficou na estaca zero. Poderíamos ter aqui,
perfeitamente navegáveis, o rio das Velhas, partindo da cidade de
Santa Luzia até o lago de Três Marias, até Sobradinho, na Bahia.
Poderíamos ter chance de navegabilidade do rio Abaeté até a cidade
de Abaeté. Fica aqui o exemplo de como está sendo tratado o
transporte em nosso Estado de Minas Gerais.
Solicito aos Deputados que partam para uma ação mais objetiva
junto ao Sr. Governador do Estado, para que, apesar das
dificuldades por que atravessa na atualidade, atente para a
necessidade primordial do transporte, por ser o responsável pelo
ir-e-vir, pelos interesses de uma população e de uma comunidade.
Ficam aqui registradas, Sr. Presidente, Srs. Deputados, as minhas
preocupações para que os nossos dirigentes acordem para a
importância do transporte de pessoas e mercadorias. Muito
obrigado.
* - Sem revisão do orador.