DEPUTADO ALMIR PARACA (PT)
Discurso
Comenta a visita do Papa Bento XVI, Cardeal Joseph Ratzinger, ao Brasil.
Transcurso do 15º aniversário da Fundação Ciência e Arte.
Reunião
41ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 16ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/05/2007
Página 40, Coluna 2
Assunto RELIGIÃO. CALENDÁRIO.
Legislatura 16ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/05/2007
Página 40, Coluna 2
Assunto RELIGIÃO. CALENDÁRIO.
41ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª
LEGISLATURA, EM 17/5/2007
Palavras do Deputado Almir Paraca
O Deputado Almir Paraca - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs.
Deputados, público das galerias e telespectadores da TV Assembléia
que nos assistem neste momento, estamos aqui hoje para abordar
alguns aspectos que consideramos relevantes.
Gostaria de fazer um breve comentário. Os nobres Deputados que me
precederam fizeram menção à visita do Papa no Brasil, à fé e às
obras. Minhas palavras têm que ver também com essa abordagem.
Em relação à visita do Papa, é bom constatar novamente o vigor e
a importância da fé do povo brasileiro, generoso, acolhedor,
pacífico e harmônico, que possui características que nos tornam
admirados pelo mundo afora, principalmente pela manifestação
sempre presente, apesar das diferenças e das desigualdades
sociais.
Há muitos anos, estamos trabalhando por isso. Esperamos que esse
sentimento esteja sempre presente nesta Casa e possamos colaborar
com todos os que se esforçam no Brasil. Além disso, que Minas
Gerais, que, ao longo da nossa história brasileira, teve papel
decisivo nisso, aprimore e melhore as condições de vida no País,
diminuindo esse abismo que, infelizmente, ainda existe e é grande
entre ricos e pobres.
A Igreja brasileira, apesar das mudanças recentes de orientação
do Vaticano nos últimos anos, continua, em sua grande maioria,
engajada e comprometida com a transformação social, com as
mudanças que efetivamente venham conferir dignidade aos seres
humanos e possam diminuir a desigualdade entre nós, brasileiros.
Quanto ao campo da espiritualidade, também concordo com os
Deputados que me precederam. A dimensão da espiritualidade é
importantíssima e precisa ser efetivamente considerada quando se
trata de transformações nas relações humanas e sociais e na
qualidade de vida das pessoas.
Neste momento em que a dimensão ambiental ganha relevo e enfoque,
não podemos deixar de nos irmanar com pessoas como Frei Leonardo
Boff, teólogo brasileiro reconhecido nacional e
internacionalmente, que, aliás, não se encontra mais nos quadros
da Igreja. Ele põe a espiritualidade que o mundo hoje reclama
intimamente associada com as questões ambientais, para que essa
dimensão da cidadania também ganhe a dimensão planetária. Além
disso, para que pensemos nas soluções e nas demandas do nosso povo
e do nosso continente, intimamente articulados com a dimensão
planetária.
O conceito de Gaia, que vem ganhando reconhecimento e valorização
nos últimos anos, trata dessa dimensão ambiental mais ampla, sem a
qual não conseguiremos fazer com que, de fato, a vida seja
defendida, mantida e preservada no nosso planeta.
Gostaria também de fazer menção aos 15 anos da Fundação
Consciência e Arte. Há alguns anos, na ofensiva neoliberal,
estamos assistindo à discussão e à defesa muitas vezes
intransigente do Estado mínimo, de um Estado que se afasta da sua
responsabilidade social de promotor da igualdade social e da
melhoria efetiva da qualidade de vida em todos os âmbitos
relativos às necessidades humanas nas sociedades atuais.
Precisamos reconhecer o papel do terceiro setor, essa imensidão de
entidades, associações, cooperativas e fundações que assumem para
si parcela das responsabilidades do Estado. Além disso, que atuam
principalmente no vácuo, na ausência, no vazio deixado por um
Estado que elege algumas prioridades e se abstrai e se ausenta de
muitas outras.
Desde quando iniciamos na vida pública, como Vereador, apesar de
estar no Legislativo, tínhamos o desejo de promover, de executar e
de fazer acontecer. Foi com esse objetivo que criamos a Fundação
Consciência e Arte.
Essa entidade nasce, a princípio, sustentada pela integralidade
do repasse do então Vereador Almir Paraca, no ano de 1993. Essa
doação continuou quando me elegi Deputado Estadual. Só foi
interrompida quando me elegi Prefeito. Essa decisão foi fruto da
determinação de trabalhar pela auto-sustentação da entidade, que,
ao longo desses anos, vem trabalhando e promovendo a vida de mais
de 150.000 pessoas que já passaram pelas diversas atividades ali
desenvolvidas. Desde o seu nascimento, essa entidade tem plena
autonomia e nunca ficou subordinada ou atrelada a interesses
políticos e eleitorais.
Desde o seu nascimento, foi um espaço de aplicação, de exercício
das minhas idéias na promoção humana e social. Criamos a Fundação
Consciência e Arte como se concebe um filho. Todo filho nasce de
sonhos, de desejos que nos esforçamos para transformar em
realidade, assim como recebe as nossas melhores energias de
atenção, de carinho, de dedicação e de proteção. É uma entidade
que cresceu, consolidou-se e ampliou as suas atuações, também como
se deve criar e se relacionar com o filho, garantindo-lhe
independência, autonomia, respeitando todas as relações que vão
sendo estabelecidas e criadas, a fim de assegurar-lhe vida
própria.
A Fundação Consciência e Arte completa 15 anos. Essa data será
comemorada, por todo este ano, nas cidades em que a entidade tem
atuação e presença mais constantes, como Paracatu, Vazante, Unaí e
João Pinheiro.
Saudamos essa entidade. Cumprimentamos o Mauro Muniz, Presidente;
o Lucivaldo Paz de Lira, Superintendente Executivo; todo o corpo
de funcionários e toda a equipe dessa Fundação, que, ao longo de
todos esses anos, trabalharam para garantir um nível de excelência
nas suas atividades, na prestação dos serviços e no atendimento da
população.
Agradecemos a alguns parceiros da Fundação Consciência e Arte ao
longo desses anos, particularmente as Prefeituras Municipais de
Paracatu, João Pinheiro, Unaí, Vazante e Belo Horizonte.
Agradecemos, também, às empresas que se associaram nesse esforço
de promoção social, como a Rio Paracatu Mineração, a Mineração
Morro Agudo, do Grupo Votorantim, o Banco do Brasil, a Fundação
Banco do Brasil, a Petrobras, a Telemig Celular e um grande número
de pequenos empresários, profissionais liberais que,
financeiramente ou com a doação do seu tempo, por meio de ações
voluntárias, colaboraram para o desenvolvimento dessas atividades.
Agradecemos, ainda, às faculdades Atenas, Finon e Tecsoma, que
sempre foram parceiras nos trabalhos desenvolvidos pela Fundação.
Gostaria de agradecer ainda aos Ministérios do Trabalho, da
Cultura, da Educação, do Meio Ambiente e da Saúde; à Seprir, que
sempre foram parceiros em âmbito do governo federal; às
Secretarias de Estado de Esporte e Juventude, de Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior, Extraordinária para o
Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, do Mucuri e do Norte
de Minas e de Cultura; ao Idene, que também sempre foram parceiros
das atividades da Fundação Consciência e Arte.
Há um grande número de programas, de projetos e de ações que
foram desenvolvidos ao longo desses 15 anos, mas gostaria de fazer
menção a alguns que foram símbolo do esforço e do trabalho da
Fundação Consciência e Arte. O primeiro diz respeito ao Programa
Bolsa-Escola Cidadã. Quando estava à frente da Prefeitura de
Paracatu, fizemos uma aliança intersetorial articulando poder
público municipal, ONGs, como a Missão Criança, capitaneada por
Cristovam Buarque, ex-Governador de Brasília, várias pequenas
empresas se associaram, cidadãos comuns, que fizeram um fundo com
repasse mensal de contribuições, a fim de defender, aplicar e
preservar uma idéia implantada no governo de Brasília pelo hoje
Senador Cristovam Buarque, a Bolsa-Escola, implantando em
Paracatu, em parceria também com a Prefeitura, a Bolsa-Escola
Cidadã. Esse programa existe desde 1997 e teve papel decisivo
durante alguns anos. Foi o baluarte, um centro de referência na
defesa do que hoje se transformou numa política pública
reconhecida internacionalmente, um programa denominado Bolsa-
Família, do governo federal.
Colaborar, participar da construção dessa política pública foi
para todos nós, da Fundação Consciência e Arte, da Prefeitura e da
comunidade de Paracatu, um momento e um ato importantes. Isso nos
orgulha, principalmente por ter o componente de uma aliança
intersetorial, com a participação do poder público, da iniciativa
privada, do setor empresarial que trabalha com a responsabilidade
socioambiental e também de ONGs, que assumem para si a tarefa de
colaborar com a constitucionalidade, por meio da elaboração e do
aprimoramento de políticas públicas.
Desde 1997, 50 famílias do Projeto Bolsa-Escola Cidadã são
atendidas. As famílias atendidas pela Prefeitura Municipal e pelo
Programa Bolsa-Escola Cidadã chegam a 600, numa divisão paritária
de responsabilidade.
Um outro programa que teve importância na história da nossa
entidade é o AABB Comunidade, concebido no âmbito das Associações
Atléticas Banco do Brasil. Um programa engenhoso que buscava
aproveitar as instalações dos clubes das AABBs, durante a semana,
no momento em que estavam ociosos, para acolher crianças e
adolescentes de baixa renda, oferecendo oficinas
extracurriculares. Esse programa teve reconhecimento
internacional, na medida em que passava a atender desde então 700
crianças e adolescentes de baixa renda. Conseguimos, por meio
desse programa, numa parceria com o Programa dos Voluntários das
Nações Unidas, receber dois voluntários, um belga e um espanhol,
que por muitos anos prestaram assessoria e consultoria para a
Fundação Consciência e Arte, transferindo para essa instituição um
campo de relações conceituais, administrativas e de trabalho
voluntário que se incorporaram de forma definitiva ao trabalho da
Fundação.
Ao terminar meu pronunciamento, queria, mais uma vez,
cumprimentar e agradecer a colaboração de todos aqueles que, como
funcionários, como voluntários, como colaboradores ou parceiros,
ajudaram na construção dessa organização que recebeu muitos
prêmios e que vem prestando, ao longo destes 15 anos, um trabalho
de excelência no campo da promoção humana e da inclusão social e
produtiva. Muito obrigado.