Pronunciamentos

DEPUTADO ALBERTO PINTO COELHO (PP), Autor do requerimento que deu origem à reunião especial.

Discurso

Discursa na reunião de entrega do Título de Cidadão Honorário do Estado de Minas Gerais ao Presidente da Companhia Vale do Rio Doce - CVRD, Roger Agnelli.
Reunião 46ª reunião ESPECIAL
Legislatura 15ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 24/09/2004
Página 26, Coluna 2
Assunto HOMENAGEM.
Normas citadas LEI nº 6262, de 1973

46ª REUNIÃO ESPECIAL DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª LEGISLATURA, EM 21/9/2004

Palavras do Deputado Alberto Pinto Coelho

Deputado Mauri Torres, Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais; Sr. Roger Agnelli, Presidente da Vale do Rio Doce; Deputado Federal Danilo de Castro, Secretário de Governo, representando o Sr. Aécio Neves, Governador do Estado; Deputado Federal Ibrahim Abi-Ackel; Revmo. D. Luciano, Arcebispo de Mariana; Sr. Robson Braga de Andrade, Presidente da FIEMG; Sr. Fernando Coura, Presidente do SINDIEXTRA, representante da mineração do Estado de Minas Gerais, em nome de todos os mineiros que têm nesta Casa sua representação institucional e seu coração político, evoco as palavras de um grande líder republicano do nosso Estado, um dos fundadores da República brasileira, para saudar, nesta hora, o novo concidadão honorário de Minas Gerais, Sr. Roger Agnelli, jovem e caro Presidente da Companhia Vale do Rio Doce.

No gabinete daquele mineiro notável, no Palácio da Liberdade, estavam presentes estas palavras que um dia pronunciou: "Amo a luta com vertigem. Gosto das dificuldades que desafiam a minha atividade. Sou fanático dos grandes obstáculos que exigem esforços supremos. O imprevisto me deslumbra e a necessidade das grandes ocasiões me fascina".

Para todos que lutam por grandes ideais e têm a coragem de criar o futuro do futuro, essas são as palavras de sempre. Caro Dr. Roger Agnelli, elas estão assinadas por ninguém menos que João Pinheiro da Silva, que, por duas vezes, foi Governador de Minas Gerais. O seu pai era um modesto imigrante italiano e se chamava Giuseppe Pignataro. Ele mesmo abrasileirou seu nome para José Pinheiro, acrescentando-lhe "da Silva".

Evoquei João Pinheiro, figura solar de nossa história, exatamente porque o seu filho, Eng. Israel Pinheiro da Silva, foi o primeiro Presidente da Companhia Vale do Rio Doce, na fundação da empresa, em 1942. Contava ele, então, 46 anos, apenas um pouquinho menos jovem que o caro Dr. Roger. O mesmo Israel Pinheiro, que depois se projetaria na história do Brasil como braço direito do Presidente Juscelino Kubitschek, no sonho futurista de Brasília, presidindo a Comissão Construtora da Nova Capital - NOVACAP -; depois, como Deputado Federal que se tornaria, no início do regime autoritário, Governador democraticamente eleito de Minas Gerais, lançando as bases para um novo ciclo da industrialização mineira. Mas ele confessou um dia ao seu filho dileto, o nosso estimado amigo e homem público Israel Pinheiro Filho, que a implantação da Companhia Vale do Rio Doce foi a mais emocionante batalha de sua vida. Fiz essa união de tempos, de Giuseppe Pignataro a João Pinheiro; de Israel Pinheiro a Roger Agnelli porque, além do sangue comum que lhes vem da bela Itália, trazem nas veias a vocação do pioneirismo e a coragem de inventar os territórios do futuro.

Aquelas palavras que pronunciei de início, da lavra de um estadista como João Pinheiro, bem se aplicam ao perfil executivo de raro quilate do Dr. Roger Agnelli. Vamos, pois, repeti-las para melhor fixá-las em nossa consciência: "Amo a luta com vertigem. Gosto das dificuldades que desafiam a minha atividade. Sou fanático dos grandes obstáculos que exigem esforços supremos. O imprevisto me deslumbra, e a necessidade das grandes ocasiões me fascina". Não poderia haver melhor e mais bela profissão de fé e de coragem.

Sr. Presidente, nobres colegas Deputados, senhoras, senhores, sei que uma das virtudes do Dr. Roger Agnelli é a de não gostar de falar de si mesmo. Mas nós podemos revelar alguns de seus segredos, que o tornaram, aos 38 anos, o mais jovem Diretor em toda a história do BRADESCO, assim como é o mais jovem Presidente da história da Vale do Rio Doce.

Sabemos, por exemplo, que ganhou de amigos do BRADESCO o codinome de "Ideiafix", exatamente pela sua perseverança, pelo seu dinamismo e pela sua determinação de alcançar os objetivos a que se propõe. Sabemos também que trabalha em média 14 horas por dia, que recebe mais de 300 "e-mails" diários, marca almoços de negócios para domingo e visita empresas em outros países durante as férias. Como costuma realizar oito viagens por mês, teve que reprogramar sua agenda para estar conosco no dia de hoje. Porque, além de Presidente da Vale do Rio Doce, seu trabalho se estende à Presidência do Conselho Empresarial Brasil-China e do Comitê Empresarial do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas; e é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, órgão de assessoramento da Presidência da República.

Como integra diferentes conselhos de administração, do da Asea Brown Boveri - ABB - ao da gigantesca corporação de energia norte-americana Duke Energy, para o qual foi recentemente eleito, ainda encontra tempo para participar do Conselho Internacional de Investimentos e de assessoramento ao Presidente da África do Sul e produz outro tempo, cultural, para as reuniões do Conselho Curador da Orquestra Sinfônica Brasileira, às quais comparece com ânimo especial.

Reconhecemos, Dr. Roger, que apenas a juventude não lhe bastaria para responder a esse mundo de tão grandes responsabilidades. É preciso ter, em dose inesgotável, um valor que é o traço mais marcante de sua personalidade: a paixão por tudo o que faz. Um valor que lhe veio do exemplo de seu pai, Sr. Sebastião Agnelli, seu modelo de vida e de trabalho. À sua memória, elevamos a nossa recordação e a nossa sentida homenagem.

Sr. Presidente, nobres colegas Deputados, senhoras e senhores, caros convidados, por si só a trajetória vitoriosa do Dr. Roger Agnelli poderia lhe valer, por admiração e respeito, o título de cidadania honorária de Minas Gerais, como reconhecimento a um brasileiro notável.

Na verdade, as razões da concessão desse título, outorgado pelo Exmo. Sr. Governador Aécio Neves, o qual tive a honra e a iniciativa de propor, com pleno apoio parlamentar, são concretas e fundadas em relevantes serviços prestados a Minas Gerais pelo nosso homenageado.

A identidade entre a Companhia Vale do Rio Doce e o nosso Estado pertence à própria história que chamou nosso território exatamente de Minas Gerais.

Do ouro ao diamante, às pedras preciosas, às riquezas minerais do manganês, da hematita, do itabirito, das minas de ferro, que fizeram fremir a lira poética de Carlos Drummond de Andrade. É preciso lembrar que a criação da Companhia Vale do Rio Doce fez parte, nos anos 40, de um projeto de desenvolvimento econômico mais amplo, que visava à industrialização do País. Hoje essa vocação e, mais ainda, esse compromisso permanecem, com a decisão da Companhia Vale do Rio Doce de fortalecer a indústria siderúrgica nacional e abrir novas frentes de apoio à industrialização brasileira.

Queremos, agora, caro Dr. Roger Agnelli, lançar um olhar para dentro, para nossa pátria mineira, tão brasileira. Olhando para dentro, esse título que Minas lhe confere tem, em sua pessoa, uma história que começa em Mariana e segue em Ouro Preto. Essas duas cidades históricas, berços da mineiridade, tiveram antes a iniciativa de outorgar-lhe a cidadania honorária em seus respectivos municípios.

Essa é uma credencial de primeira grandeza, para que hoje façamos com que a sua cidadania se estenda a toda a Minas Gerais. A cidadania de Minas Gerais é, antes de tudo, um diploma patriótico e cívico, que vem do herói Tiradentes; alcança um Teófilo Ottoni; um Afonso Penna; lembra, como aqui lembramos, um João Pinheiro; recorda Israel Pinheiro; consagra a memória de um Milton Campos; dignifica o gênio criador do estadista Juscelino Kubitschek; pereniza a conciliação com a grandeza de Tancredo de Almeida Neves. São nomes que, sendo síntese, traduzem o sentimento de amor ao Brasil, sem regionalismos nem fronteiras ideológicas ou partidárias.

Quando a Companhia Vale do Rio Doce, sob sua Presidência, desenvolve em Minas Gerais projetos sociais com a qualidade do Escola que Vale, Vale Alfabetizar, Educação para a Saúde, Vale Informática, além de outros projetos, como o Vale Ambiente, cabe-nos o dever do reconhecimento.

Quero aqui citar, como modelo das atividades da Vale em projetos sociais em nosso Estado, os excelentes resultados que podem ser observados, apenas como um exemplo, na histórica Catas Altas, município vizinho de Ouro Preto, que tem suas origens no início do século XVIII, no ano de 1702, e que vem se revitalizando com a forte presença da Fundação Vale do Rio Doce, agindo em parceria com a Prefeitura local, uma experiência de crescimento social que se estende a todas as comunidades de atuação da Vale.

Quando a Companhia Vale do Rio Doce se engaja em programas de grande envergadura social, econômica e turística, como o estratégico projeto Estrada Real, é nosso dever reconhecer o mérito da empresa. Quando a Companhia Vale do Rio Doce realiza novos investimentos em suas unidades industriais em nosso Estado, também é nosso dever valorizar iniciativas que geram renda, trabalho e emprego.

A Vale nasceu mineira, tornou-se brasileira e é hoje uma empresa global. Devemos nos orgulhar dessa conquista, que é fruto do trabalho da nossa gente e da competência do povo brasileiro, da competência e do trabalho de 50 mil empregados que fazem da companhia a maior empresa privada nas bolsas da América Latina.

Peço licença para incluir em minha fala as suas próprias palavras, caro Dr. Roger Agnelli, ao referir-se aos resultados alcançados pela companhia, como ocorreu no último trimestre, - o melhor de toda a história da Vale: ‘Este resultado — afirmou o senhor — não pode ser explicado apenas pela qualidade de nossas reservas minerais — as melhores do mundo -, pelo uso de tecnologia cada vez mais avançada ou pelo mais arrojado plano de investimentos de uma empresa privada no Brasil - US$7.500.000.000,00 para o período de 2004 a 2010. Eu não tenho dúvidas em afirmar que conseguimos esses números por conta da qualidade de nossos empregados, que, com certeza, estão entre os melhores do mundo, pela sua competência e diferencial técnico. O ano de 2004 está dedicado ao tripé segurança, saúde e meio ambiente.’

São palavras, caro Dr. Roger, que traduzem toda uma filosofia de responsabilidade social, combinada com ação empresarial.

Mais que palavras, são os gestos que valem. E esses gestos de consciência cidadã o senhor tem assumido e praticado na sua condição de executivo ímpar e, mais ainda, de notável líder empresarial em que se transformou dentro do Brasil e no cenário internacional.

A sua extraordinária capacidade de negociador viabilizou, ainda na semana passada, a assinatura de dois novos megacontratos de exportação no estratégico mercado asiático, firmados com a China e com o Japão.

São iniciativas assim, a exemplo do resultado de US$3.400.000.000,00 que a companhia alcançou no saldo da balança comercial em 2003, que fazem da Vale a empresa que mais vem contribuindo para a redução das necessidades de financiamento externo do Brasil, fato publicamente reconhecido e proclamado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Senhoras e senhores, o menino prodígio da Cidade de Deus, sede do Bradesco, que o Dr. Lázaro de Mello Brandão chamava carinhosamente de Menino do Café, é hoje o cidadão do mundo Roger Agnelli. Estamos, pois, felizes de que este cidadão do mundo seja também, a partir de agora, cidadão de Minas Gerais, porque, como ensinava um ilustre mineiro de adoção, o pensador Alceu de Amoroso Lima, mestre Tristão de Ataíde, ‘nada é mais universal do que o regional.’. E o regional que existe em Minas, multidiverso nessa patriazinha de Guimarães Rosa, assim quer ser: aberto ao mundo, para a construção de uma humanidade mais solidária e mais justa, menos guerreira, e irmã verdadeira. É o mandato que também outorgamos ao nosso novo concidadão, Dr. Roger Agnelli: continuar trabalhando em novas fronteiras por um mundo melhor! Muito obrigado.