DEPUTADA MARIA TEREZA LARA (PT), Presidente "ad hoc". Autora do requerimento que deu origem à homenagem.
Discurso
Legislatura 17ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/09/2012
Página 17, Coluna 1
Assunto HOMENAGEM.
Proposições citadas RQS 2054 de 2012
32ª REUNIÃO ESPECIAL DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 17ª LEGISLATURA, EM 17/9/2012
Palavras da Sra. Presidente (Deputada Maria Tereza Lara)
Palavras da Sra. Presidente
Boa noite, mais uma vez, a todos e a todas. Sou coautora do requerimento, junto com os Deputados Almir Paraca e João Leite, que também têm um apreço especial à Fucam e ao Cel. Almeida, mas não puderam estar presentes por terem compromissos anteriormente agendados em suas cidades. Os Deputados deixaram um abraço especial para todos e nos ajudaram na organização deste evento.
Cumprimento carinhosamente a D. Márcia de Sousa Almeida, a quem agradeço pelas palavras carinhosas a mim dirigidas. Lembro que só foi possível a realização deste ideal pelo Cel. Almeida porque essa mulher corajosa e investida do mesmo ideal esteve ao seu lado. Agora ela pode festejar o centenário do Cel. Almeida entre nós, de maneira muito firme. Isso é muito importante e cumprimento-a por isso.
É muito importante celebrarmos e cultivarmos a herança que temos dos nossos familiares. A família está de parabéns, porque estão unidos depois de tanto tempo, não se esquecendo desse pai que foi presença marcante não só para a família, mas para todo o Estado de Minas Gerais e para o Brasil. Mencionamos os filhos Rita Heloísa Almeida, Cláudio Antônio de Almeida, João Lincoln de Almeida, Maria Coeli de Almeida, Maria Ângela de Almeida e Fernando José de Almeida; os netos Giovanna Maria de Almeida, Guilherme de Almeida, Manoela Almeida e Sílvia de Almeida e a bisneta Maya.
Permito-me também lembrar da D. Marisa, de Boa Esperança, que conheço há muito tempo, pois é minha amiga, mas somente hoje soube que ela é sobrinha da D. Márcia. Estou muito feliz com a sua presença. D. Marisa veio lá do Sul de Minas para festejar o centenário do Cel. Manoel de Almeida.
Cumprimento todos os componentes da Mesa. O Dr. Cloves Benevides, Subsecretário de Políticas Antidrogas, foi Presidente da Fucam durante dois anos. Ele mesmo lembrou quantas vezes esteve na Assembleia reivindicando que a Fucam tivesse seus direitos e garantias, podendo somar forças com a Assembleia.
Dr. Genilson Ribeiro Zeferino, nosso Presidente da Fucam, nesta noite, quero parabenizá-lo e agradecer-lhe por presidir com tanto carinho a Fucam. D. Márcia e toda a família, ele trouxe este coral de jovens adolescentes de Januária, demonstrando carinho especial pelo Cel. Almeida e por sua obra. Aliás, alguns estão com um pouco de sono, pois fizeram uma longa viagem. Como é importante, Dr. Genilson, realmente valorizar os jovens. E valorizar é isto: trazer os jovens que estavam com desejo de conhecer a Assembleia de Minas, de vir cantar aqui. O senhor teve sensibilidade de trazê-los neste evento. Além disso, como militar, preocupa-se permanentemente com os direitos humanos e agora está tendo a oportunidade de continuar o ideal do Cel. Almeida.
Cumprimento o Pe. Mário, nosso amigo - conheço-o de longa data em Esmeraldas -, ex-aluno da Fucam, em cuja pessoa cumprimento todos os ex-alunos e ex-alunas. Estão aqui o Josué, que foi Diretor e é ex-aluno; o Cel. José Barroso; o Gildázio, nosso amigo, que tem a cara dos direitos humanos; a Rose, nossa grande amiga de Esmeraldas, que mora na minha terra em Betim. Cumprimento o Dr. Mauro Brito, Vice-Presidente da Cohab. Perguntei-me o porquê de a Cohab estar tão presente e descobri o motivo. Achei muito bonito. O filho do Cel. Almeida, o João Lincoln, é assessor direto do Presidente, Chefe de Gabinete. Isso nos mostra o quanto ele é querido. No centenário do seu pai, a Cohab está presente significativamente. Sentimo-nos honrados e alegres quando sabemos cultivar as relações humanas. Significa que, além de profissional, ele é uma pessoa que constrói a fraternidade. Isso é muito importante.
Cumprimento o meu amigo Valter Teixeira. A esposa dele foi minha aluna e é Secretária de Planejamento da Prefeitura de Betim e, neste ato, representa a nossa Prefeita de Betim, minha irmã, Maria do Carmo Lara. Muito obrigada, Dr. Valter. Muito obrigada, Maria do Carmo. Cumprimento também o João Costa, jovem e dinâmico Presidente da Câmara de Esmeraldas, que é minha terra natal - D. Marta, ele deixou lá um momento tão importante e veio aqui por ter um carinho especial com a Caio Martins -; a Vereadora Ivana, digna representante da mulher esmeraldense na Câmara, o que é muito importante; e os escoteiros. Todas as vezes que vejo um escoteiro, lembro-me do José Alencar. Em uma de suas entrevistas, depois de uma cirurgia, com um sofrimento muito grande, ele disse que estava feliz e sorrindo, porque escoteiro aprende a ser alegre. A alegria é a força da nossa caminhada. Parabéns! O escotismo é o ideal do Cel. Almeida. Mais uma vez, agradeço o coral da Fundação Caio Martins de Januária. Sejam muito bem-vindos à Assembleia. Parabéns por gostarem da arte e da música.
Por fim, cumprimento a cada um de vocês - amigos e familiares. O poeta Fernando Pessoa dizia que "somos do tamanho dos nossos sonhos" e a comprovação disso são as histórias que ao longo da vida temos a honra de conhecer. Muitos têm o dom de deixar suas atitudes marcadas no tempo, plantam amor. E amor é semente que nasce, cresce, sobrevive às intempéries das estações e na época certa, dá bons frutos. Assim descrevo o Cel. Manoel José de Almeida: um homem que era do tamanho do seus sonhos e que teve a sabedoria de semear o bem por onde caminhou, ao lado de D. Márcia.
A vontade de transformar a realidade das pessoas, de educá-las para a vida, acolher adolescentes e jovens de famílias carentes ou em situação de vulnerabilidade social foi o que moveu o coração do Cel. Almeida, do qual celebramos com muita alegria o centenário. Lendo sobre sua história, conversando com pessoas ligadas a ele, soube que ainda muito jovem, recém-chegado a Belo Horizonte, alistou-se na Polícia Militar e lá procurou inovações para a área da educação.
Enfrentando os desafios de seu tempo, ele já estava atento às necessidades do menor abandonado, daqueles que chegavam à Capital e poderiam perder-se nas drogas ou na criminalidade. Naquela época, não tínhamos drogas como hoje, Dr. Cloves, mas ele já se preocupava com o assunto, antevendo o futuro. Hoje a situação é tão mais grave! Ele, naqueles anos, já compreendia que o jovem, para se transformar em um cidadão de bem, necessitava, primeiramente, de um lar, de amor e trabalho digno.
Chamado de Coronel Almeida, juntamente com sua esposa e eterna companheira, a Sra. Márcia de Sousa Almeida, que recebe a homenagem desta noite, idealizou um sistema educacional que viesse acolher os adolescentes e jovens utilizando-se da matriz básica da família, valorização da família, fator indispensável à formação humana. Com certeza, se o mundo cultivasse os pensamentos do Coronel, que acreditava no valor da família, berço no qual, segundo ele, somos forjados e moldados, teríamos mais conquistas a celebrar diariamente. Não teríamos um mundo tão violento e tantas drogas hoje.
Em 1947, em Esmeraldas, terra em que me orgulho de ter nascido, ele implantou então esse plano de ensino, que foi idealizado para o amparo da criança abandonada e do menor carente. Em uma época onde não existia, no interior do Estado, escolas públicas para jovens mais pobres, ele criou a Fucam. Não tínhamos escolas públicas. Os filhos dos ricos estudavam normalmente em escolas religiosas de irmãs de caridade. Os pobres ficam sem estudar. Então, ele criou a Fucam e ofereceu essa oportunidade aos que não tinham condições de pagar por um ensino particular. Recordo-me que tive a oportunidade de lecionar, por dois anos, na escola estadual. Fico feliz ao saber que participei desse projeto. É uma alegria muito grande ter participado, como professora, há alguns anos, desse projeto.
Como parlamentar estadual, Manoel José de Almeida também nos honrou nesta Casa, sendo parlamentar por quatro anos. Na Câmara Federal, foi fiel ao seu trabalho em prol da juventude. Cem anos depois, vê-se, no coração das pessoas aqui presentes, familiares, alunos, educadores e funcionários o seu sonho. Ele queria ali uma escola federal. O sonho de muitos de nós é que a escola possa ser federalizada verdadeiramente. O seu ideal era, naquele momento, internato, mas hoje isso precisa ser atualizado. O que significa essa escola hoje? Ela é fundamental, mas precisa ser eterna. É preciso que atualizemos o momento. Não se concebe internar jovens lá do Norte. Quantos vieram para cá! Hoje, felizmente, temos escolas públicas em todo o Estado de Minas Gerais, bem como escolas federais e municipais. Não se justifica o internato. Agora a escola é fundamental, mas qual é o seu objetivo de acordo com nossa realidade? Essa atualização só será possível com a participação efetiva de todos. Estão aqui a presidência da fundação, os ex-alunos, os diretores, o Dr. Genilson e o Dr. Cloves. Todas são sensíveis a essa realidade. Precisamos do Executivo Municipal de Esmeraldas, do Legislativo, que aqui também está presente. Todos estão nessa caminhada de lideranças, de associações de ex-alunos, mas precisamos do governo federal e do governo estadual. Só será possível aprofundar esse sonho e torná-lo, cada vez mais, atualizado, se tivermos unidas todas as forças. Não podemos excluir ninguém. Precisamos das bençãos de Deus. Que bom que o Padre Mário esteja aqui. Ao final, ele fará uma oração para nós. Precisamos de todos. Temos de ter unidade e o mesmo ideal do Cel. Almeida. Precisamos de toda a família da Caio Martins, aqui representada pela D. Márcia. Vamos conseguir atualizar esse objetivo. Ninguém pode ser excluído. Não estamos falando da disputa de um controle, mas de uma soma de esforços. São décadas de histórias. Vários jovens passaram pela Fundação Caio Martins. Homens e mulheres viram suas vidas transformadas pelo poder da educação. O Cel. Almeida merece nossa lembrança e gratidão. Aos seus familiares, deixo meu abraço carinhoso. Agradeço a oportunidade de celebrar esses 100 anos de grandes batalhas e conquistas. Muitas outras virão. Continuemos, a exemplo dele, acreditando que a educação é sempre o melhor caminho. Que o esforço diário seja recompensado. Que todos tenhamos força para continuar essa história tão bonita, que começou a ser escrita há 100 anos e que merece uma continuidade feliz.
Jesus disse que veio para que todos tenham vida, e vida em abundância. Esse foi o ideal do Cel. Almeida, não pensando só nele, mas em todos, e sobretudo nos mais excluídos, nos jovens e nas crianças. Portanto peço que Deus continue a abençoar a D. Márcia, toda a sua família e também a Fucam para que sejam eternamente o espaço de educação e continuem com a Fundação Caio Martins. Quero, mais uma vez, agradecer a Deus este momento e esta oportunidade, dizendo, Dr. Genilson Zeferino, que, de fato, é muito importante que tenhamos pessoas capazes de agregar forças e sonhar juntas. Todo sonho sozinho é um sonho, mas, quando unimos todos, o sonho torna-se uma realidade. Por isso estamos aqui hoje. Estamos alegres nesta Casa do povo, a qual tem realmente o papel de ouvir o anseio da população de Minas Gerais e contribuir com ele. Mais uma vez, deixo o nosso abraço. Muito obrigada a cada um que está presente, a cada um que veio, porque vale a pena celebrarmos a vida. Dessa maneira, conseguimos mais forças para continuar caminhando e celebrando a vida. Agradeço, desde agora, mais uma vez, a essa família maravilhosa que nos dá a oportunidade de celebrarmos juntos o centenário do Cel. Almeida. Muito obrigada.