Pronunciamentos

DEPUTADA ELAINE MATOZINHOS (PSB), Representante da Polícia Civil e da Associação dos Delegados de Carreira da Polícia Civil.

Discurso

Homenagem póstuma ao policial civil, Ronaldo Jaques Camargos Cunha.
Reunião 138ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 24/05/2000
Página 28, Coluna 2
Assunto HOMENAGEM.

138ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª LEGISLATURA, EM 16/5/2000 Palavras da Deputada Elaine Matozinhos A Deputada Elaine Matozinhos - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, assumo a tribuna hoje com a responsabilidade de, como Deputada, mais uma vez, em hora tão difícil, representar a minha querida Polícia Civil, a Associação dos Delegados de Carreira da Polícia Civil e meus colegas Delegados de Polícia. Nosso amigo e colega Dr. Ronaldo Jaques Camargos Cunha morreu em Belo Horizonte, no dia 12/4/2000. Não conheceu a decadência do espírito, que é mesquinha, nem a velhice do corpo, que, às vezes, nos assusta. Aos 51 anos de idade, aparentava ser bem mais jovem. Dr. Ronaldo teve um destino, um único e maravilhoso destino, o da Polícia Civil. Nunca foi outra coisa senão esta coisa simples, misteriosa e divina - um policial. Iniciou sua carreira na Polícia Civil como Delegado de Polícia I, em 10/12/80. Depois vieram suas promoções a Delegado de Polícia II, em 24/12/82; Delegado de Polícia III, em 10/7/84; Delegado de Polícia Classe Especial, em 30/6/90, chegando, finalmente, ao ápice da carreira, como Delegado Geral de Polícia, em 30/6/96. No percurso de sua carreira ocupou os cargos de Delegado Regional de Manhuaçu e Ponte Nova; Delegado Chefe da Seccional Oeste e de Contagem; Chefe das Divisões de Tóxicos e Entorpecentes e de Crimes Contra o Patrimônio; Diretor do Departamento de Criminalística e do Departamento Estadual de Trânsito, além de Professor da Academia de Polícia Civil. Nascido em Contagem, em 21/10/48, era casado com a Sra. Denise Machado Camargos Cunha, pai da menor Marcela Machado Melo Camargos Cunha, de apenas 11 anos de idade, e irmão do nosso querido amigo e companheiro Dr. João Rogério Camargos Cunha, Delegado-Geral de Polícia e Chefe do Instituto de Identificação da Secretaria da Segurança Pública. Dr. Ronaldo foi um grande Delegado Operacional: desbaratou quadrilhas de traficantes e de estelionatários e deixou marca indelével em nossa instituição. Na chefia da Divisão de Crimes contra o Patrimônio fez um trabalho digno de louvor, apurando milhares de furtos, roubos e receptação em nossa Capital. Como Chefe do Instituto de Identificação, aprimorou aquele órgão, lutou para obter recursos materiais e humanos para fazer chegar à luz da autoridade policial, o Presidente do Inquérito Policial, e à Justiça, por ocasião do processo criminal, laudos periciais inequívocos e de fundamental importância no momento dos julgamentos pelo Poder Judiciário. Nomeado Diretor-Geral do DETRAN, mais uma vez brilhou em sua carreira como Delegado de Polícia. Chefiou com amor, com dignidade, com honradez, com transparência e com competência. Quadrilhas de ladrões de veículos e de estelionatários também foram desfeitas. A parte administrativa do DETRAN foi chefiada com primor. Por sua maneira de ser, todos os funcionários do órgão sabiam que tinham, na figura do Diretor, um grande amigo. Enfrentou muitos desafios e venceu todos. Mostrou, para Minas Gerais e para o Brasil, a sua coragem, o seu destemor e a sua competência. Por onde passou, esteve sempre de cabeça erguida, como fazem os que nada têm a temer. Só não conseguiu vencer os desafios da doença e da morte. Esta foi implacável com nosso querido e ainda jovem amigo. Foi mais um policial que morreu prematuramente. Tantos outros já se foram, talvez mesmo pelo grande desgaste físico e mental de nossa função, na maioria das vezes desconhecido pela sociedade à qual servimos e à qual temos o dever de dar segurança. Dr. Ronaldo foi um amigo, irmão, filho, esposo, pai e profissional exemplar, fiel àqueles a quem se ligava até os extremos da abnegação. E para terminar essa singela homenagem, quero lembrar que a amizade de toda a Polícia Civil pelo Dr. Ronaldo perdurará com a mesma ternura, mesclada de deliciosa saudade, bastando que sussurremos: “Deus lhe pague, nosso querido amigo e colega”. E pelo milagre da gratidão quero reverenciá-lo, através da saudade, que é a memória do coração. Muito obrigada. A Polícia Civil está de luto.