CARLOS AUGUSTO DE AGUIAR SIVEIRA, Integrante do ESPASSO CONSEG.
Discurso
Comenta o tema: "Direitos Humanos".
Reunião
6ª reunião ESPECIAL
Legislatura 17ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 05/03/2011
Página 100, Coluna 2
Evento Fórum Democrático para o Desenvolvimento de Minas Gerais.
Assunto DIREITOS HUMANOS. DESENVOLVIMENTO SOCIAL.
Legislatura 17ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 05/03/2011
Página 100, Coluna 2
Evento Fórum Democrático para o Desenvolvimento de Minas Gerais.
Assunto DIREITOS HUMANOS. DESENVOLVIMENTO SOCIAL.
6ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 17ª
LEGISLATURA, EM 24/2/2011
Palavras do Sr. Carlos Augusto de Aguiar Silveira
O Sr. Carlos Augusto de Aguiar Silveira - Gostaria de
cumprimentar todos os presentes. Meu nome é Carlos Silveira, sou
Investigador de Polícia e formado em Direito; ajudei a fundar o
Sindpol e participei da primeira greve de polícia. Fui policial
militar, bombeiro e advogado. Não vou conseguir falar em 3 minutos
porque quero contribuir bastante.
Gostaria de lembrar aqui o sorriso de hiena do policial, de que o
senhor falou. Nós, policiais civis, vemos esse sorriso de hiena na
cara dos PMs quando usurpam as nossas funções, quando nos agridem,
quando nos ameaçam, quando vêm a esta Casa fazer “lobby” contra
melhoria da nossa categoria. Vejo esse sorriso de hiena há 23
anos, desde que participei do movimento de união dos policiais e
fundei o Sindpol, neste salão. Travei embates com PMs que queriam
encampar a Polícia Civil, dizendo que a PM era melhor que tudo e
que nós éramos um bando armado. Era assim que o Coronel falava
conosco. A culpa não é apenas dos Coronéis, mas de todos, de todos
nós que estamos aqui. Temos um pouquinho de culpa ou muita.
Lembro-me do caso no Mega Space envolvendo o Delegado Cristiano.
Ele e os policiais civis foram espancados quando lá entraram para
trabalhar. Como é jovem, saudável, de classe média, solteiro, sem
filhos, vai a boates. Quando estava numa casa de “shows”, houve
uma briga - parece que entre um Detetive e um segurança -, e ele
foi apartar. Sabem o que um repórter de uma rede de televisão fez?
“Outra vez, aquele Delegado. É aquele Delegado”. Condenou-o,
acabou com o Cristiano. Vocês devem se lembrar disso. Esse
repórter é culpado, alguns jornalistas são culpados. Querem acabar
com o diploma de jornalista justamente para prostituir o
jornalismo, como querem atrapalhar o desempenho das funções da
Polícia Civil.
Queria lembrar ainda aquele Prefeito de Rio Acima e a política do
capô. Hoje a Polícia Militar chega e apresenta os produtos em cima
do capô. Por exemplo, as fardas estavam sobre o capô, no meio da
rua, de qualquer maneira. Não passam pelo Delegado; azar, passam
por cima. Mas a culpa é nossa. Vocês, advogados, não fazem nada.
O Tribunal de Justiça deveria prestar atenção nessas usurpações
de função e não aceitar os processos e os mandados de busca e
apreensão feitos pela Polícia Militar. Geralmente, mais de 90%
desses mandados apresentam adulteração.
Deputado Durval, a Justiça Militar deve ser extinta. Em 1988
começou o ataque à Polícia Militar. Temos de ver a questão da Lili
Carabina. Se essas coisas não tivessem ocorrido no passado, hoje
essas mortes não teriam acontecido. A Lili Carabina foi morta
covardemente por um policial militar de 1,80m chamado Lauro. Ele
tinha à sua disposição viatura, rádio e dois policiais. Em 1993
ela foi morta, assassinada. Tenho o CD do seu enterro, que
passarei a vocês. Na época, eu era do Sindpol. Nós somos
responsáveis, bem como o poder público, alguns Deputados que
passam a mão nas coisas erradas que a Polícia Militar faz. Lembro-
me do sorriso de hiena de muitos policiais que fazem isso. A
Guarda Municipal, os Agentes Penitenciários, a sociedade, os
presos que são humilhados, tudo isso tem acontecido, mas ninguém
tem feito nada.
Para terminar, gostaria de lembrar o Chile. Desembargador, a
polícia chilena foi posta no devido lugar, na época do Pinochet.
“Vocês querem ser militares? Bem, mas não vão mexer com a
sociedade civil, não”. A polícia de investigação do Chile,
semelhante à Federal, foi posta no devido lugar. Hoje não há
arbitrariedade policial no Chile. Muito obrigado.
O Sr. Presidente - Corretíssimo, muito boa a sua contribuição.