Lei nº 15.697, de 25/07/2005
Texto Original
Dispõe sobre a defesa sanitária vegetal no Estado.
O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS
O Povo do Estado de Minas Gerais, por seus representantes, decretou, e eu, em seu nome, promulgo a seguinte Lei:
Art. 1º – Esta Lei estabelece normas para a defesa sanitária vegetal no Estado, que compreende as ações e atividades necessárias para prevenir e evitar a introdução e a disseminação de pragas de vegetais, com o objetivo de assegurar e preservar a qualidade e sanidade das populações vegetais.
Art. 2º – A defesa sanitária vegetal será realizada com base em estudos, pesquisas e experimentos realizados pelos órgãos oficiais e entidades de pesquisa ou por eles referendados, e será efetuada por meio de:
I – programas, projetos e campanhas educativas de prevenção, controle, combate e erradicação de pragas de vegetais;
II – edição de normas que estabeleçam procedimentos sanitários de defesa e segurança do meio ambiente, bem como práticas culturais e de manejo que preservem a saúde humana e o meio ambiente.
Art. 3º – O Instituto Mineiro de Agropecuária - IMA - é o órgão responsável pela fiscalização, inspeção e execução das atividades necessárias à defesa sanitária vegetal no Estado.
§ 1º – Sujeita-se às ações a que se refere o caput deste artigo a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, que produza, acondicione, beneficie, classifique, armazene, distribua, industrialize, transporte e comercialize vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos.
§ 2º – A inspeção e a fiscalização sanitárias serão exercidas nos locais de produção, beneficiamento, armazenamento, industrialização e comercialização e no trânsito de vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos.
Art. 4º – Para o atendimento dos objetivos desta Lei, compete ao IMA:
I – promover ações integradas com órgãos e entidades federais, estaduais e municipais de defesa sanitária vegetal;
II – estabelecer padrões de tolerância quanto à presença de pragas nas fases de produção, comercialização e industrialização de vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos;
III – formular diretrizes técnico-normativas, de maneira a uniformizar os procedimentos de inspeção e fiscalização sanitárias no cumprimento das regras de defesa sanitária vegetal;
IV – estimular a participação da comunidade no exercício da defesa sanitária vegetal.
Parágrafo único – (Vetado).
Art. 5º – Na implementação das ações previstas nesta Lei, o IMA:
I – determinará medidas para detectar fontes de contaminação;
II – fixará níveis de danos para controle, combate e erradicação de pragas;
III – notificará a ocorrência de pragas;
IV – promoverá a capacitação de recursos humanos;
V – divulgará informações de interesse da vigilância sanitária;
VI – estabelecerá medidas para prevenção, controle e erradicação de pragas;
VII – incentivará a educação sanitária;
VIII – efetuará a vigilância epidemiológica;
IX – identificará áreas livres e de baixa incidência de pragas;
X – controlará o trânsito de vegetais no Estado.
Parágrafo único – As atividades arroladas no caput deste artigo serão organizadas de forma a garantir o cumprimento da legislação relativa à defesa sanitária vegetal e executadas, no que couber, em conjunto com a União e os Municípios.
Art. 6º – As amostras para análise laboratorial, estudo patológico ou identificação de pragas serão coletadas a qualquer tempo nos locais submetidos ao regime desta Lei e analisadas em laboratório oficial.
Art. 7º – O IMA executará as seguintes medidas para efetivar a política pública de defesa sanitária vegetal:
I – cadastramento de propriedades e empresas que produzam, manipulem, armazenem, industrializem, beneficiem, embalem, distribuam, transportem e comercializem vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos;
II – inventário das populações vegetais de peculiar interesse do Estado;
III – credenciamento de profissionais da área de defesa sanitária vegetal;
IV – cadastramento de laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para fins de identificação e diagnóstico de pragas;
V – inventário das pragas diagnosticadas no âmbito do Estado;
VI – treinamento do pessoal envolvido na fiscalização e na inspeção;
VII – elaboração de normas técnicas para defesa sanitária vegetal;
VIII – realização de campanhas de prevenção, controle, combate e erradicação de pragas.
Art. 8º – No desempenho de suas atribuições, o IMA contará com a colaboração das Secretarias de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, de Saúde, de Defesa Social, de Transportes e Obras Públicas e de Fazenda e do Ministério Público do Estado de Minas Gerais.
Art. 9º – Na hipótese de não execução, por pessoa física ou jurídica a que se refere o § 1º do art. 3º, de medida determinada pelo IMA, este poderá realizar a ação de defesa sanitária cabível.
Parágrafo único – As despesas decorrentes da atuação do IMA nos termos deste artigo deverão ser comprovadas por meio de documento fiscal e serão ressarcidas ao IMA pelo infrator.
Art. 10 – É livre o trânsito de vegetais no território do Estado.
§ 1º – Os vegetais sujeitos a restrições sanitárias deverão estar acompanhados de documentos sanitários que os identifiquem.
§ 2º – O IMA poderá proibir, restringir ou estabelecer condições especiais para o trânsito de vegetais no Estado.
Art. 11 – Ao infrator das disposições desta Lei, serão aplicadas, isolada ou cumulativamente, sem prejuízo das sanções de natureza civil e penal cabíveis, as seguintes penalidades:
I – advertência;
II – multa de até 5.000 Ufemgs (cinco mil Unidades Fiscais do Estado de Minas Gerais);
III – interdição total ou parcial de estabelecimentos comerciais, industriais ou de transformação, de viveiros de produção de mudas, entrepostos e propriedades rurais e urbanas, para impedir a saída de vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos, quando houver risco à população vegetal ou não forem cumpridos os padrões sanitários e as normas em vigor;
IV – apreensão e destruição dos vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos que não atendam aos padrões e às normas em vigor ou apresentem risco à população vegetal.
§ 1º – A pena prevista no inciso III do caput deste artigo cessará quando sanado o risco.
§ 2º – A advertência será aplicada na ocorrência de infração leve, no caso de infrator primário, quando o dano puder ser reparado.
Art. 12 – Na ocorrência de infração definida nas alíneas deste artigo, a multa será aplicada e cobrada pelo IMA, observada a seguinte gradação:
I – infrações leves:
a) não possuir o livro de anotação para emissão de Certificado Fitossanitário de Origem ou Certificado Fitossanitário de Origem Consolidado: 200 (duzentas) Ufemgs;
b) deixar de anotar os dados referentes a Certificado Fitossanitário de Origem no livro próprio: 250 (duzentas e cinqüenta) Ufemgs;
c) deixar de realizar a desinfestação de veículos, equipamentos, maquinários e implementos de acordo com o estabelecido nas normas sanitárias: 300 (trezentas) Ufemgs;
d) conduzir veículo com vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos sem documento sanitário ou com documentação incompleta ou adulterada: 200 (duzentas) Ufemgs;
II – infrações graves:
a) acondicionar, armazenar, comercializar ou transportar vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos em desacordo com as normas técnicas de sanidade vegetal: 600 (seiscentas) Ufemgs;
b) fraudar, falsificar e adulterar documento sanitário: 3.000 (três mil) Ufemgs;
c) comercializar material propagativo sem etiqueta de identificação ou fora dos padrões estabelecidos: 400 (quatrocentas) Ufemgs;
d) omitir informação ou prestá-la incorretamente, quando da fiscalização ou da inspeção de vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos: 2.000 (duas mil) Ufemgs;
e) produzir material propagativo em desacordo com as normas e os padrões estabelecidos: 1.000 (mil) Ufemgs;
f) dificultar a fiscalização e a inspeção ou não atender às intimações em tempo hábil: 1.500 (mil e quinhentas) Ufemgs;
g) comercializar, utilizar ou retirar vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos, oriundos de locais interditados: 5.000 (cinco mil) Ufemgs;
h) retornar à origem com material utilizado na proteção ou no acondicionamento de vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos em desacordo com as normas sanitárias: 1.000 (mil) Ufemgs.
Parágrafo único – A multa será aplicada em dobro no caso de reincidência.
Art. 13 – A infração da legislação de defesa sanitária vegetal será apurada em procedimento administrativo próprio, iniciado com a lavratura do auto de infração, observado o rito e os prazos estabelecidos nesta Lei e em outras normas legais e regulamentares aplicáveis à espécie.
Art. 14 – Após a lavratura do auto de infração, o infrator terá o prazo de trinta dias contados da data da citação para apresentar defesa ao Diretor-Geral do IMA.
Art. 15 – Recebida a defesa ou decorrido o prazo para a sua apresentação, o Diretor-Geral do IMA procederá ao julgamento e, se procedente o auto de infração, expedirá, de ofício, notificação ao autuado.
Art. 16 – No julgamento do procedimento administrativo, o Diretor-Geral do IMA, considerando as circunstâncias atenuantes, poderá reduzir, em até 50% (cinqüenta por cento) do seu valor, a multa estabelecida para a infração.
Parágrafo único – São circunstâncias atenuantes para os efeitos deste artigo:
I – o baixo grau de instrução ou escolaridade do infrator;
II – a colaboração com o IMA durante os procedimentos de fiscalização;
III – o fato de o infrator ser réu primário.
Art. 17 – Das decisões condenatórias poderá o infrator, no prazo de trinta dias contados da notificação a que se refere o art. 15, recorrer à Câmara de Recursos do IMA, desde que comprovada a realização do depósito correspondente ao valor da multa fixada, quando couber.
Art. 18 – As defesas e os recursos, previstos, respectivamente, nos arts. 14 e 15, poderão ser apresentados em qualquer escritório do IMA.
Art. 19 – Será dada ciência ao autuado das decisões proferidas pelo Diretor-Geral do IMA, em primeira instância, e pelo Presidente da Câmara de Recursos do IMA, em segunda instância.
Parágrafo único – Se ficar comprovado que o autuado se encontra em local incerto e não sabido, a comunicação das decisões será feita por edital publicado no órgão oficial de imprensa do Estado e em jornal que circule no Município onde o recurso foi protocolizado.
Art. 20 – As decisões definitivas do processo administrativo serão executadas por via administrativa ou judicial.
Art. 21 – Será executada por via administrativa a pena:
I – de advertência, mediante notificação à parte infratora, fazendo-se sua inscrição no registro cadastral;
II – de multa, enquanto não inscrita em dívida ativa, mediante notificação para pagamento;
III – de apreensão e destruição de vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos, com lavratura do auto de apreensão e destruição;
IV – de interdição de estabelecimentos comerciais, industriais e de transformação, de viveiros de produção de mudas, entrepostos e propriedades rurais e urbanas, com a lavratura de auto de interdição no local.
Parágrafo único – Não sendo atendidas as notificações a que se referem os incisos I e II do caput deste artigo, o IMA poderá requisitar força policial para que a penalidade seja cumprida.
Art. 22 – Será executada por via judicial a pena de multa, após sua inscrição em dívida ativa.
Art. 23 – O proprietário ou o responsável legal por estabelecimentos comerciais, industriais e de transformação, por viveiros de produção de mudas, entrepostos e propriedades rurais e urbanas interditados será nomeado fiel depositário dos vegetais, suas partes, produtos, subprodutos e resíduos que motivaram a interdição, cabendo-lhe a obrigação de zelar por sua conservação e integridade, bem como arcar com as despesas decorrentes da interdição.
Art. 24 – O Poder Executivo regulamentará esta Lei.
Art. 25 – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, aos 25 de julho de 2005; 217º da Inconfidência Mineira e 184º da Independência do Brasil.
AÉCIO NEVES
Danilo de Castro
Antonio Augusto Junho Anastasia
Silas Brasileiro