Decreto nº 6.972, de 04/09/1925
Texto Original
Aprova o programa de educação nas escolas maternais.
O PRESIDENTE DO ESTADO DE MINAS GERAIS, usando da atribuição que lhe confere o art. 57 da Constituição Mineira e de conformidade com o § 2º do art. 67 do Decreto nº 6.655, de 19 de agosto de 1924, resolve aprovar, para vigorar de agora em diante, o programa de educação nas escolas maternais que com este baixa, assinado pelo Secretário do Estado dos Negócios do Interior que assim o tenham entendido e faça executar.
Palácio da Presidência do Estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte, 4 de setembro de 1925.
Fernando Mello Vianna.
Sandoval Soares Azevedo.
ESCOLA MATERNAL
A escola maternal não é uma escola no sentido ordinário da palavra: é um abrigo para crianças de três a seis anos, principalmente aquelas cujas mães trabalham de sol a sol. Tem por fim salvaguardar essas crianças dos perigos da rua e também da solidão em aposentos anti-higiênicos. Proporciona-lhes ambiente propício e condições favoráveis a seu desenvolvimento normal. Cuida da saúde das crianças, forma nelas hábitos de asseio, de escolha judiciosa da alimentação, de obediência inteligente, de trabalho, de recreação, e de repouso. Pelo exemplo e pela lei do exercício, incute no espírito da criança os princípios fundamentais para formação de seu caráter moral. Ensina a criança a amar a Deus, à verdade e ao próximo; a cumprir o dever, a praticar a justiça e a ser honesta em tudo que diz e faz.
Sob o ponto de vista social, a escola maternal presta à sociedade relevante serviço, além da educação da criança na primeira infância: é o centro de educação das mães, de governantes e de todas as pessoas que, tendo de ocupar-se do cuidado das crianças, desejam conhecer praticamente os melhores métodos e processos educativos para que com eficiência possam exercer melhor suas funções.
A escola maternal é um laboratório natural em que a criança pode ser estudada no seu desenvolvimento psico, moral e intelectual. Ali a criança não estuda propriamente: é estudada e orientada. Os artifícios e métodos escolares são usados para que a criança expresse suas tendências e disposições naturais, suas ideias, seus sentimentos, enfim, sua individualidade natural.
As educadoras observam cuidadosamente as crianças quanto a seu crescimento físico, atividades espontâneas, reações emotivas, desenvolvimento do poder de controle físico, atitude para com os colegas, organizando assim, a história da vida de cada criança, desde o dia de sua entrada na escola, base indispensável para os métodos e processos que se devem usar em sua educação.
Todo o trabalho da escola maternal é baseado no interesse e nas ocupações naturais da criança, respeitando-se, de acordo com a pedagogia moderna, as diferenças individuais. Para cultivar a alegria instintiva da infância, proporciona-lhe a escola ocupações manuais e jogos baseados nos instintos predominantes nesse período da vida.
O propósito da escola maternal é servir de abrigo às crianças, empenhando-se por fazê- las felizes: trata de melhorar-lhes as condições físicas por meio de cuidados quanto a sua alimentação, vestuário, asseio do corpo e higiene da alma; cuida de cultivar-lhe a inteligência, e ensina-lhes a servirem-se com o máximo proveito e o mínimo esforço, dos conhecimentos básicos da escola maternal é a auto-educação.
INSTRUÇÕES PRÉVIAS
DISCIPLINA
A disciplina na escola maternal tem como fundamento o respeito à espontaneidade natural da criança. Nenhuma obrigação, nem mesmo a de conservar-se no seu lugar, será imposta ao educando.
A atitude da professora será de muita discrição: – observará o discípulo, suas tendências, suas aptidões, de modo a poder bem orientar as que forem boas e corrigir as que não o forem. Procurará demonstrar praticamente as vantagens da ordem, do asseio, da disciplina, a utilidade de certos preceitos de civilidade, a necessidade de prestar atenção aos exercícios escolares; mas não estabelecerá regras inflexíveis, não cominará penas, não instituirá prêmios nem distinções.
A boa ordem necessária aos trabalhos escolares advirá do emprego conveniente da atividade infantil.
A atividade incoercível das crianças tem uma finalidade biológica que a observação psicológica interpretou e que a escola maternal tomou para o ponto de prática do seu sistema de auto-educação – a melhor conquista sem dúvida da pedagogia moderna.
Se a criança é inquieta, travessa, desordenada em seus movimentos, é que precisa de exercitar seus músculos, coordenar seus movimentos. A isso incita a natureza – sua grande mestra a fim de que ela ganha a experiência de que carece. A escola maternal, colocando a criança em ambiente propício, pondo ao alcance dela brinquedos que engenhosamente a convidam para a ação e que servem também para apurar-lhe os sentidos, coordenar-lhe os movimentos, disciplinar-lhe os músculos, leva-a, insensivelmente, suavemente, ao domínio de si mesma, ao governo de seus membros e destarte estabelece à necessária disciplina.
MÉTODOS
É a escola um meio artificial destinado a abreviar a evolução natural da criança por meio de experiências e de exercícios úteis ao seu crescimento físico, intelectual e moral. Deve adotar para essa fim, tanto quanto for possível, os processos naturais de aprendizagem, dispondo as coisas segundo uma gradação fácil e lógica.
O método indutivo pelo emprego de meios intuitivos, é o mais apropriado à escola maternal.
Para servir de roteiro às escolas maternais, estabeleceu-se para elas um programa que compreende certo número de exercícios que a experiência verificou serem úteis ao fim colimado. Esse programa, porém, não passa de um guia norteador do trabalho dos educandos, mas terá forçosamente de sofrer na execução as modificações impostas pelo espírito de liberdade que é a nota dominante na escola maternal. A divisão em períodos é puramente artificial e foi imposta pela necessidade. É sabido que no desenvolvimento humano há diferenças individuais que destroem as fracas barreiras levantadas pela idade; – há crianças precoces e retardadas. Entretanto o critério das educadoras saberá aplanar quaisquer dificuldades provenientes da divisão estabelecida.
Igualmente arbitrárias foram as designações escolhidas para os grupos de exercícios; qualquer delas poderia cobrir todo o programa; mas não são inúteis e nem prejudiciais, ao contrário servem para estabelecer o objetivo principal de cada um dos ditos grupos.
EXERCÍCIOS DE VIDA PRÁTICA
Visita de asseio – Consiste na inspeção das crianças à medida que, diariamente, forem entrando para os trabalhos escolares. A mestra fará um exame rápido da cabeça, do rosto, das orelhas, do pescoço, das mãos, das unhas e finalmente as vestes e do calçado. Em seguida conduzirá para o junto dos lavabos as crianças em desalinho e lhes dará uma lição prática do modo como se procede à limpeza das partes descobertas do corpo, chamando a atenção delas para a conformação especial de algumas delas e para o cuidado especial que merecem.
Nestes exercícios as crianças mais adiantadas auxiliarão as professoras.
Visita do ambiente – Em hora designada para esse fim as crianças serão levadas a visitar e inspecionar as salas e os móveis. A medida que se fizer a inspeção a professora irá chamando a atenção das crianças para cada coisa e especialmente para os pontos da sala e dos móveis em que o pó mais facilmente se acumula e ao mesmo tempo lhes ensinará praticamente o modo de usar os utensílios destinados à limpeza dos locais e dos móveis.
Outros exercícios poderão ser compreendidos nesta epígrafe e são todos quantos visem o preparo das crianças para a vida prática. Tenham as professoras bem presentes ao espírito os objetos principais destes exercícios e poderão variar-los. São:
a) Conservar e melhorar a saúde das crianças, promover o bem estar delas pelos hábitos de higiene individual.
b) Desenvolver o espírito de sociabilidade e de assistência mútua.
c) Guiar a criança na formação do hábito de obedecer inteligentemente e de agir contando mais com a iniciativa própria do que com a de outrem.
d) Dar às crianças noções concretas de números e de valores.
e) Despertar nas crianças e cultivar o sentimento estético.
f) Estimular o espírito de originalidade e de criação.
LINGUAGEM
A mestra deverá aproveitar-se de todas as ocorrências escolares para efetuar com as crianças exercícios de linguagem. O horário, porém, reserva-lhe alguns minutos cada dia para exercícios sistematizados de nomenclatura e de boa dicção. As lições deverão ser ilustradas com apresentação das coisas naturais e na falta destas com gravuras ou desenhos, a fim de aumentar o interesse e fixar a atenção das crianças.
Os exercícios de linguagem têm enorme utilidade: – Enriquecem o vocabulário das crianças; fixam no espírito delas a exata significado das palavras; corrigem os vícios de pronúncia; estabelecem o hábito da boa dicção, do falar sem timidez, exprimindo com facilidade e com propriedade as ideias e sugerem ideias novas, alargando os conhecimentos e fortalecendo a inteligência.
A professora deverá falar pouco e incitar as crianças que o façam sem timidez. As conversações devem ser mais prolongadas nos dias subsequentes aos feriados.
EDUCAÇÃO FÍSICA
A escola maternal realiza a educação física pelos exercícios musculares, pelos exercícios sensoriais e pelos meios indiretos: boa alimentação, ar puro, banhos, assistência médica e dentária.
EXERCÍCIOS MUSCULARES
Estes exercícios, muito simples, devem ser executados sem violência. Visam o desenvolvimento normal dos movimentos psicológicos e a correção dos mesmos quando se apresentarem retardados ou anormalizados. Contribuem, além disso, para a boa saúde geral pelos seus conhecidos efeitos sobre todas as grandes funções orgânicas. Dão coordenação aos movimentos que se tornam mais seguros e mais graciosos; ordenam a atividade própria dos primeiros anos de vida e são o principal agente da organização da personalidade psico-motora do infante.
Para organização psico-sensorial dispõe a escola maternal dos exercícios sensoriais – feliz complemento dos anteriores na organização da personalidade psico-física do educando. Estes exercícios auxiliam o desenvolvimento normal dos órgãos dos sentidos, apuram as faculdades de observação e contribuem para o crescimento da inteligência de que os orgãos dos sentidos são instrumentos.
É de boa prática, nos exercícios sensoriais, isolar-se tanto quanto possível o sentido que vai ser posto em ação, pelo afastamento das outras sensações. Exemplo: – Vendar os olhos por ocasião dos exercícios de tato ou de ouvido.
BANHOS
Além dos cuidados de asseio diário as crianças receberão semanalmente dois banhos, para o que serão distribuídos em turnos diários. A professora assistirá aos banhos, instruindo praticamente as crianças sobre o modo de se avirem. Os banhos serão tépidos, precedidos e seguidos de exercícios físicos.
ASSISTÊNCIA SANITÁRIA
Trimestralmente as crianças serão medidas e pesadas, para avaliar-se da normalidade de crescimento delas e as medidas na respectiva ficha. As crianças, que estiverem sob a vigilância sanitária, serão medidas e pesadas mensalmente. Além desses cuidados, a educadora deverá estar sempre atenta na observação da saúde dos educandos e desde que deles manifeste qualquer indício de doença, ela o separará dos companheiros, providenciando para que lhe não falte assistência.
As crianças doentes, depois de examinadas pelo inspetor médico, serão entregues aos pais para que recebam o tratamento conveniente e se os pais não dispuserem de recursos, serão socorridas pelo modo que ficar estabelecido em instruções oportunamente expedidas pela Diretoria da Instrução.
Organizar-se-á também um serviço de assistência dentária, de modo que as crianças da escola maternal possam ser submetidas semestralmente a exame da boca e receber o tratamento dentário de que precisarem.
ALIMENTAÇÃO
A escola maternal fornecerá às crianças sob sua guarda, uma refeição e duas colações, diárias, organizadas de modo que os escolares recebam alimentação sadia e variada. A Diretoria da Instrução organizará anualmente as tabelas das rações, tendo em vista as refeições simples, mas suficientes, em cuja composição entrem principalmente hidratos de carbono e gorduras.
As crianças deverão ser habituadas a terem limpas as mãos ao irem para as mesas das refeições; a mastigarem lentamente e bem; a aceitarem a comida que se lhes der, sem reclamações sobre a qualidade ou a quantidade; a fazerem o asseio da boca após as refeições.
Cada criança terá o seu copo e só beberá por ele.
EDUCAÇÃO MORAL E RELIGIOSA
A educação moral e a religiosa não podem ficar esquecidas num programa de educação para a escola maternal; mas não será por meio de palavras e de preceitos mais ou menos abstratos que os princípios morais serão incutidos e os sentimentos religiosos desenvolvidos, senão pelo exemplo e pela prática.
Diariamente, antes do início e no encerramento dos trabalhos escolares, as crianças, reunidas, elevarão uma prece a Deus ou entoarão um hino de ação de graças pelas bênçãos recebidas.
Além desta prática salutar, as educadoras deverão empregar outros meio indiretos: – aproveitar-se, por exemplo de todos os ensejos que se lhes deparam, para com ensinamentos deduzidos de atos e ocorrências diárias, conduzirem a bom termo tão importante empresa.
NOTA FINAL
Nas escolas maternais não haverá exames nem exposições. – O encerramento dos períodos escolares será celebrado com festas infantis.
Programas de educação nas escolas maternais
PRIMEIRO PERÍODO
(CRIANÇAS DE 3 E 4 ANOS )
I) – EXERCÍCIOS DE VIDA PRÁTICA
Visita de asseio. – Visita ao ambiente.
Trabalhos de jardinagem e de trato dos animais domésticos.
Exercícios de contagem. – Conhecimento de moedas divisionárias nacionais. – Jogos infantis próprios da idade.
II) – LINGUAGEM
Exercícios sistematizados: –apresentação de objetos seguida da respectiva nomenclatura. – Repetição das palavras por toda a classe, em voz alta, escandindo os vocábulos. – Repetição dos mesmos exercícios individualmente. – Exercícios com palavras conhecidas das crianças, mas de pronunciação difícil para elas, a fim de se corrigirem os defeitos comuns de articulação. – Exercícios coletivos a princípio e depois individuais: separação das crianças que apresentarem defeitos de consonâncias, para ulterior determinação dos motivos determinantes dos mesmos e a sua correção pelos processos ortopédicos aconselhados em tais casos. – Exercícios de verificação: apresentação, pelos alunos dos objetos nomeados pela mestra. – Narração de ocorrências diversas do dia anterior: incidentes caseiros, visitas, passeios, cerimônias, tais como batizados, casamentos, etc., a que as crianças tenham assistido.
– Conversas acerca de coisas domésticas (jardim, horta, animais) e dos incidentes escolares.
– Histórias curtas que encerram um conceito útil ou moral.
III) – EDUCAÇÃO FÍSICA
Exercícios musculares: – levantar-se, sentar-se; abotoar, desabotoar; enfiar atacadores; fazer e desfazer nós em cordéis grossos – Mover-se entre as mesas e cadeiras sem esbarrar,
– exercícios imitativos diversos: – dobrar papel, recortar desenhos, cobrir desenhos com fio umedecido, enfiar contas grossas, etc.
– Marchas simples e ritmadas, ao som do piano, acompanhadas ou não de cantos, ou de palmas. – Marcha na ponta dos pés. – Marcha em barras paralelas.
– Exercícios de equilíbrio. – Jogo do pêndulo, do fio, da escada de corda, da escada em curva, etc.
– Movimentos graciosos, tais como os imitativos de quem ceifa, de quem rema e outros da mesma natureza, aconselhados por Froebel e que serão acompanhados de canções apropriadas.
– Jogos livres diversos, apropriados à idade.
Ginástica respiratória. – Exercícios de inspiração e de expiração acompanhados de movimentos musculares associados. Exemplo:
– Posição ereta do corpo…….. Mãos no quadril.
– Boca largamente aberta……. Língua achatada e imovel.
– Inspiração profunda………… Elevação rápida das espáduas, dilatação do
tórax, Abaixamento do diafragma.
– Expiração lenta……………… Abaixamento das espáduas; volta à posição
anterior
– Pausa. Repetição
EXERCÍCIOS SENSORIAIS
Cultura do senso térmico pelas experiências feitas com corpos, de temperatura diferente: – água fria e quente, gelo, mármore, ferro, vidro, lã, algodão, etc. – Diferenciação grosseira.
– Senso bárico: – Comparação do peso de objetos de volume igual e de aspecto idêntico, mas com pesos desiguais. – Diferenciação grosseira.
– Tato: diferenciar corpos ásperos, lisos, macios, rijos, brandos, maleáveis, grandes, pequenos, etc.
– Vista: distinção das cores principais; sua nomenclatura. – Exercícios com prismas de cristal. – Colorir desenhos. – Percepção e distinção visual das formas pela vista, nomenclatura respectiva. – Separação de objetos (contas por exemplo) misturados em grupos de diversas cores. – Exercícios com lãs, estofos, etc., coloridos diferentemente.
– Olfato: Experiências de reconhecimento de substâncias odoríferas, pelo cheiro. Empregar coisas com que as crianças já estejam familiarizadas, tais como flores do jardim, comestíveis, etc.
– Paladar. Exercícios semelhantes aos anteriores, mas que tenham por objeto a cultura do paladar.
– Desenho livre e espontâneo em ardósia a princípio e depois em papel. Estes a professora, depois de escrever neles o que a criança quis exprimir e a data em que o fez, guardará para verificação dos progressos efetuados.
– Trabalhos de tecelagem com tiras de papel de diversas cores.
– Ouvido – distinção de objetos sonoros pelo som; determinação por meio deste do lugar daquele.
Lição do silêncio. Valer-se desta para os diversos exercícios de audição aconselhados pelo sistema montessoriano.
– Audição de pequenos trechos fáceis de música executados ao piano ou na vitrola.
SEGUNDO PERÍODO
(CRIANÇAS DE 4 A 5 ANOS)
1.º) EXERCÍCIOS DE VIDA PRÁTICA
Visita de asseio – Visita do ambiente.
Arranjo doméstico: casa de boneca; preparo de pequenos embrulhos; limpeza da roupa e do calçado; arranjo da sala de refeição para a merenda. – Ornamentação da sala de aula. – Cuidados com os animais domésticos e com o jardim e a horta.
Exercícios de numeração concreta, ideia de número, de unidade mais comum.
Reconhecimento de moeda divisionária nacional. – Trocos.
II) LINGUAGEM
Repetição dos exercícios de nomenclatura e de boa dicção.
Palestras familiares sobre temas variados.
– Eventos escolares, passeios, visitas, festas, e em geral sobre tudo quanto às crianças, vêem, pensam, sentem.
– Animais domésticos: caracteres distintivos, hábitos, instintos, utilidades.
Plantas do jardim e da horta: – carácter distintivos, hábitos, instintos, utilidades.
– Corpo humano: partes de que se compõe e respectiva nomenclatura. Cuidados de asseio.
– Alimentos: – composição das refeições. – Moderação no comer e no beber. – Mastigação. – Regras de civilidade à mesa.
– Tempo: – distinção entre o dia e a noite, a manhã e à tarde. – Semana, meses, – Nomenclatura dos dias da semana e dos meses do ano.
– Vestidos: – sua variação com as estações frias e quentes. – Asseio dos vestidos, do calçado, dos chapéus.
– Propriedade: – distinção entre o meu e o teu; respeito às coisas alheias.
– Verdade e mentira: – vantagens daquela e inconvenientes desta.
– Histórias alegres. – Poesias curtas e fáceis. – Fábulas,
III) EDUCAÇÃO FÍSICA
Exercícios musculares. – Recapitulação e retificação dos anteriores.
– Danças ao som do piano. – Posições e atitudes graciosas. – Passos. – Cortesias. Danças aos pares, individuais, coletivas.
– Rodas com acompanhamento de cantos.
– Marchas diversas, marchas num pé só. – Saltos de pequena extensão. – Carreiras curtas. – Idem conduzindo nas mãos, em equilíbrio, algum objeto.
– Exercícios com as mãos com os dedos, abrindo separadamente alguns e conservando fechados outros.
– Jogos livres e com material didático.
– Ginástica respiratória, variando-se os movimentos associados.
Exercícios sensoriais. – Prosseguir nas experiências indicadas para o período anterior, exigindo-se maior apuro nas observações, pelo emprego de material que obrigue as crianças a exercícios de maior sensibilidade.
– Reconhecer pessoas pela voz. Distinguir o som do ruído o choque atrito.
– Audição de trechos musicais fáceis. – Fazer preceder os exercícios auditivos da lição do silêncio.
– Reconhecer pelo olfato as flores do jardim que tiverem perfume.
– Reconhecer pelo olfato e pelo paladar as substâncias alimentícias mais comuns. – Sabores principais. – Observação dos sabores e do cheiro de produtos alimentícios comuns alterados pelas fermentações – leite azedo, manteiga rançosa, etc.
– Reconhecimento das fórmulas pelo tato. – Exercícios variados com objetos diversamente coloridos. – Exercício de reconhecimento das diferentes tonalidades das cores (exercícios graduados).
– Modelagem livre com argila, cera, papel molhado.
– Dobramento – Tecelagem – Recortes – Colagem – Alinhavos em papel.
– Desenho livre, de imaginação e de memória.Conservação dos mesmos pela respectiva professora, para ulteriores comparações.
– Exercícios preparatórios de escrita.
TERCEIRO PERÍODO
(CRIANÇAS DE 5 A 6 ANOS)
I) EXERCÍCIOS DE VIDA PRÁTICA
Visita de asseio e do ambiente. – Os alunos deste período auxiliarão as professoras nos cuidados prestados aos menores.
– Repetição e ampliação dos exercícios já feitos nos períodos anteriores.
– Introdução de novos exercícios; – jogos sociais; – conhecimento de unidades novas: o metro sua divisão em decímetros; aplicação mediante exercícios de medição; – exercícios para compreensão de zero.
– Escrita no quadro negro dos algarismos arabicos, escritos por meio de pauzinhos dos algarismos romanos; os mesmos no quadro negro.
– Leitura das horas no relógio.
– Pequenos problemas de cálculo elementar.
– Reconhecimento da moeda divisionária nacional, de papel moeda até dez mil réis.
II) LINGUAGEM
Repetição e retificação dos exercícios do segundo período.
Palestras familiares sobre:
– Animais – auxílio de alguns ao homem na sua indústria e no seu trabalho; os pequenos animais auxiliares da agricultura; como devem ser tratados os animais úteis; produtos animais empregados na indústria e na alimentação; – animais daninhos, animais parasitários, animais ferozes. – Distinção entre os animais vertebrados e os invertebrados.
Plantas: – suas partes componentes; utilidade na indústria e na alimentação; – plantas de ornamentação, plantas medicinais e plantas venenosas. As árvores amigas do homem. Flores, frutos, raízes, bulbos e tubérculos.
Minerais: – Principais minerais empregados na indústria. Minerais que entram na alimentação. História anedótica do cobre e do ferro.
Tempo: – dia, semana, mês, ano, estações em nosso clima; variação das produções da terra com as estações. Idade, como se conta. – Crescimento das plantas, dos animais e do homem.
História resumida do nascimento de Jesus Cristo, ilustrada com o presépio.
Episódios capitais da história pátria, sob forma anedótica.
Historietas cômicas, poesias, fábulas, canções, cançonetas, diálogos, adivinhações, enigmas fáceis, charadas. anedotas.
Dramatização de histórias já contadas.
Amor e temor de Deus. Amor e respeito aos pais e aos mestres. Amor da pátria e respeito às leis.
III) EDUCAÇÃO FÍSICA
Exercícios musculares – Repetição e retificação dos anteriores.
Ginástica respiratória, variando-se os movimentos musculares associados.
Exercícios sensoriais: – Prosseguir nas experiências indicadas para os períodos anteriores, procurando-se obter maior delicadeza e finura de observação sensorial.
Instituir novas experiências para apurar os sentidos. Escala musical – reconhecimento das notas.
Exercício de velocidade de observação e de memória sensorial. Exemplo: expor às vistas das crianças, durante alguns segundos, um cartaz contendo desenhos de figuras geométricas iguais, mas coloridos diversamente. Retirar o cartaz e pedir que de memória digam as observações que fizeram: – número de figuras, cores reconhecidas, ordens destas, etc.
Experiências semelhantes para os outros sentidos, fazendo variar o tempo concedido para a observação, à medida que os observadores forem se tornando mais hábeis.
Exercício de estereognosia (reconhecimento das formas pelo tato).
Trabalhos manuais – Desenhos livres de imaginação e de memória.
Interpretação por meio de gestos e de atitudes, da emoção provocada pela música.
Exercícios de evoluções militares para os meninos. Jogos domésticos para as meninas.
IV) EXERCÍCIO DE LEITURA E DE ESCRITA
No segundo semestre deste período, poderão ser iniciadas na leitura e na escrita as crianças que antes tiverem manifestado o desejo dessa iniciação.
Os processos de ensino serão os mesmos empregados nas escolas primárias. Entretanto, a título de experiência, formar-se-à uma classe especial em que os processos serão os atualmente em voga nas escolas montessorianas.
Secretária do Interior, em Belo Horizonte, 4 de setembro de 1925. – Sandoval Soares Azevedo.