Política: Serafim Jardim
Antes de morrer em um acidente de carro na Via Dutra - a rodovia que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, o ex-presidente da República, Juscelino Kubitschek, vivia dias de angústia depois de cassado pelo Governo Militar e dos anos no exílio. No Memória & Poder, o amigo do político, Serafim Jardim, fala sobre as dificuldades vividas por JK naquele período e volta a denunciar as suspeitas em torno da morte do criador de Brasília. Serafim Jardim é de Diamantina, cidade natal do ex-presidente, e conheceu JK ainda criança. Juscelino era amigo de infância do pai dele, José Jardim, e também do tio, o ex-arcebispo de Diamantina, Dom Serafim Gomes Jardim. O ex-arcebispo ajudou JK quando Dom Cabral se colocou contra o político por causa da construção da Igrejinha da Pampulha. Ele também colaborou nas campanhas de Juscelino para deputado e presidente. Juscelino voltou ao Brasil do exílio em 1967 e se reaproximou da família Jardim. Nessa época, ele tinha 65 anos e Serafim tinha 32, e os dois se tornaram companheiros de viagens quando JK visitava Minas Gerais. A proximidade permitiu a Serafim conhecer histórias vivenciadas por Juscelino em outros períodos da vida e a tristeza dele em se ver isolado pelos militares. Depois da morte de JK, em 1976, Serafim Jardim comprou a residência onde viveu o ex-presidente em Diamantina e criou um museu em homenagem a ele, a Casa de Juscelino. Desde 1996, Serafim tenta reabrir as investigações sobre o acidente, por acreditar que o inquérito feito na época é na verdade uma farsa.