Debate: semipresidencialismo x presidencialismo
Foi protocolada recentemente na Câmara dos Deputados uma PEC que prevê a mudança do sistema de governo no Brasil de presidencialismo para semipresidencialismo. Em entrevista a Marco Antonio Soalheiro, no Mundo Político, o cientista político e professor da UFMG, Danilo Medeiros lembra que o funcionamento do presidencialismo no país, baseado em coalizão partidária, foi operado efetivamente entre 1994 até o impeachment de Dilma Rousseff. E Jair Bolsonaro decidiu não fazer a coalizão, o que propiciou o empoderamento do Legislativo, turbinado pelas emendas impositivas. Em consequência, diz o professor, o Executivo está hoje parcialmente fragilizado e tem uma mesa de negociações com o Legislativo bem mais complexa. Ele lembra que o debate sobre o semipresidencialismo não é uma novidade no Brasil. Diz que é difícil saber exatamente quais os termos da PEC, mas acredita que a defesa do semipresidencialismo pelo presidente da Câmara Hugo Motta, no discurso de posse, mais parece moeda de negociação. Danilo Medeiros explica o modelo e conta que, junto com ele, seria necessária a adoção do voto distrital para o Legislativo. Também que a proposta já falhou noutros momentos, porque os políticos são avessos às mudanças que podem trazer dificuldades às próprias eleições.