Os militares nos ataques à democracia
Há duas semanas, a Polícia Federal indiciou no relatório final do inquérito do golpe 37 pessoas, entre elas 24 militares e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde então renova-se o debate sobre a participação de generais e outros de alta patente. Em entrevista a Marco Antonio Soalheiro, no Mundo Político, o professor e historiador da UFRJ, especialista no tema, Francisco Carlos Teixeira, diz que esse não é um panorama inédito no país, mas é a primeira vez que os golpistas são identificados e estão submetidos à justiça. Ele vê conexão entre 2022 com o passado do general Augusto Heleno que tramou, um golpe dentro do golpe com o general Sílvio Frota, no início dos anos 1980. O professor não considera correto dizer que toda corporação é golpista. E explica que ela é formada por Organizações Militares, como os Kids Pretos, que de forma autônoma atuaram para garantir o movimento em frente aos quartéis e articularam o golpe. Francisco Carlos defende uma reforma no ensino dos militares. E que é preciso que os militares aprendam que não existe no Brasil poder moderador, nem nenhum poder militar e que eles são só servidores públicos. O professor afirma se os militares forem condenados nesse inquérito, terão punições duríssimas, mas se houver anistia será um incentivo ao sentimento de impunidade e ao golpismo.