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Memória e Poder

Política: Tilden Santiago

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De sacerdote consagrado a companheiro de Carlos Marighella na luta armada contra a ditadura militar. De padre operário a embaixador do Brasil no regime comunista de Fidel Castro em Cuba. Em sua trajetória, o ex-deputado federal Tilden Santiago se equilibrou entre a religiosidade e a política. Nascido em Nova Era, na região central do Estado, Tilden herdou a religiosidade da mãe e a política do avô Major Santiago, ex-prefeito de Pirapora. Com 9 anos, teve vontade de ser padre. A partir daí, passou pelo tradicional seminário de Mariana, estudou em Roma e presenciou o segundo Concílio do Vaticano. "Vi nascer um movimento na igreja mais voltado para os pobres e troquei Roma - o centro religioso do mundo há mais de 2 mil anos -, por Nazaré, em Israel", conta Tilden, que chegou a viver em um kibutz na Galiléia. "Lá conheci o verdadeiro socialismo. O sujeito dá conforme a sua capacidade e recebe conforme a sua necessidade. Ser socialista da boca pra fora, no boteco, é muito fácil. Quero ver lá, na produção", desafia. Ao voltar para o Brasil, já no período militar, em 1966, foi consagrado padre operário. Na favela de Gurugica, em Vitória (ES), e no trabalho nas fábricas "derretendo eletrodo", enveredou na política clandestina. Primeiro na Ação Popular (AP), depois na Aliança Libertadora Nacional, de Carlos Marighella. Chegou a ser preso em São Paulo e levado para o DOI/CODI. "Uma coisa é ser cristão no seminário, na igreja; outra, é na fábrica, no sindicato, no partido de esquerda", lembra. Cansado do dia a dia das fábricas, começou a trabalhar como jornalista. Foi um dos fundadores do saudoso Jornal dos Bairros, em Contagem. Com o sucesso, chegou à presidência do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais. Mas a veia política voltou a se manifestar, desta vez sob o nome de Partido dos Trabalhadores, legenda que ajuda a fundar no Estado. "Fiz parte das três vertentes que fundaram o PT: o movimento sindical, os religiosos com engajamento social e os intelectuais de esquerda", enumera o também ex-professor da UFMG e da PUC Minas. Com três mandatos de deputado federal, a partir de 1990, recebeu uma votação histórica para o Senado na campanha de 2002 pelo PT. O desempenho levou ao convite de Lula, então presidente eleito, para que assumisse a embaixada do Brasil em Cuba. "Foi ótimo ter perdido o Senado. A diplomacia e o exercício de tudo que defendi como político, dialogo, convivência entre os povos, união entre as nações". Depois de aceitar o convite para ser assessor da Cemig durante o governo do tucano Aécio Neves, Tilden foi expulso do PT no fim dos anos 2000. Sem concorrer nas últimas eleições, diz que hoje atua de uma outra forma, sem mandato. "A política não se faz só no parlamento, no governo. A política se faz na vida", afirma.