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Sem dinheiro e sem projeto, pavimentação da LMG-744 ainda é sonho distante

A conclusão é da audiência da Comissão de Assuntos Municipais na qual participantes cobraram pavimentação de trecho de 24 quilômetros no Vale do Rio Doce.

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Sem previsão orçamentária e, na melhor das hipóteses, com o projeto executivo a ser aprovado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER-MG) somente no final de agosto, o drama representado por 24 quilômetros sem pavimentação da rodovia LMG-744 promete continuar tirando o sono da população do Vale do Rio Doce.

Nessa perspectiva, as obras começariam somente em meados de 2027, ou seja, com uma nova administração estadual, que pode ter outras prioridades, apesar das promessas da atual gestão de resolver o problema.

Para os moradores da região, o saldo da audiência da Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada na tarde de quinta-feira (28/5), foi desanimador. 

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Leleco Pimentel (PT), que solicitou a reunião, traçou o panorama do problema, que atinge principalmente quatro municípios da região e uma população em torno de 18 mil habitantes: Virgolândia, Nacip Raydan, São José da Safira e Marilac.

São 47 quilômetros no trecho, 23 deles, de Virgolândia a Nacip Raydan, com o asfaltamento concluído pelo Programa Provias em 2023. Do trecho asfaltado, segundo relato feito na reunião, nove quilômetros já foram cenário de obras de recuperação, em abril de 2024. 

Mas de Nacip Raydan até Marilac, passando por São José da Safira, a estrada é de terra, com muitos buracos, trechos perigosos, alagamentos e interrupções frequentes, sobretudo no período chuvoso, como aconteceu em novembro de 2024.

Na avaliação do parlamentar, além da questão do direito básico à mobilidade, há prejuízos no escoamento da produção agrícola, acesso a produtos e serviços, evasão escolar e, o mais grave, dificuldades na assistência à saúde.

Apesar de ser uma via secundária regional, a LMG-744 dá acesso ao Sul da Bahia, Espírito Santo e Norte do Rio de Janeiro, além de outras regiões do Estado. O desvio mais próximo por estradas pavimentadas aumenta o trajeto em mais de 200 quilômetros.

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É preciso ter coragem para cobrar desse governo, porque tem muita coisa para melhorar. O governador vai nas redes sociais falar o que está fazendo, mas, na verdade, só libera dinheiro para resolver os problemas de quem bajula ele”, criticou o deputado Lucas Lasmar (Rede).

Na mesma linha, o deputado federal Padre João (PT-MG) lembrou que o direito de ir e vir é fundamental e inegociável. “Isso sem falar da importância da integração dos municípios para trazer desenvolvimento e mais qualidade de vida, sobretudo no acesso à educação e saúde. O governo tem orçamento e faz gastos todo dia, mas temos que pressioná-lo para priorizar essa região”, concluiu.

Para Júlio Alves Dias, membro do Comitê Intermunicipal dos Vereadores pela Pavimentação da LMG-744 (Cominter), a causa representa muito mais do que a recuperação de uma rodovia, mas a esperança de milhares de pessoas.

“Não estamos aqui para pedir privilégios, mas sim desenvolvimento e dignidade. Essa estrada é símbolo de esperança para uma comunidade inteira. Quando ela melhorar, a vida das pessoas vai melhorar junto”, resumiu.

“Não é luxo, nem mesmo favor, mas um direito do cidadão previsto na Constituição Federal. Que País é esse em que precisamos provar a todo momento que temos direitos?”, afirmou Maciely Fabrícia de Almeida Mariano, também membro do Cominter.

Custo da obra é estimado em R$ 70 milhões

Após ouvir as cobranças de dezenas de vereadores e lideranças dos quatro municípios atingidos, os esclarecimentos do gerente de Obras de Construção do DER-MG, Leandro Carvalho Guimarães, não foram animadores. A empresa contratada para produzir o projeto executivo da obra de asfaltamento promete concluir o documento somente no final de julho.

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Segundo o gestor, o DER-MG precisa de um mês para analisar e aprovar o projeto executivo. Depois, ele vai para o Instituto Estadual de Florestas (IEF), que leva em média seis meses para ratificá-lo, seguida da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), mais três meses para emissão da licença ambiental que libera o início da obra.

“Então seriam ao menos nove meses, contados a partir de agosto, para começar a obra, em maio ou junho, depois da temporada chuvosa, isso sem contar a insuficiência de recursos. Hoje ainda não há, temos que correr atrás”, admitiu Leandro Guimarães. O custo estimado, segundo ele, gira em torno de R$ 70 milhões.

Mas, segundo ele, o órgão está atento à precariedade da via e disponível para intervenções pontuais, como as realizadas em fevereiro último, ao custo de R$ 1,1 milhão. Na ocasião, foram feitas obras de melhoria na drenagem, cascalhamento e elevação em pontos críticos. “Entendemos que isso ainda é um paliativo e precisamos melhorar a qualidade da estrada”, emendou.

Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização - debate os prejuízos causados pelas más condições da rodovia LMG-744
“É um problema grave de ausência, descaso e abandono do poder público. Precisamos nos manter unidos para ter a força política que vai mudar isso. A situação precária da LMG-744 atinge tanto o cidadão comum como agricultores, empresários e lideranças políticas. É tudo tão grave que uma urgência médica nessa estrada pode virar tragédia. Lá, às vezes é mais perigoso procurar socorro”.
Leleco Pimentel
Dep. Leleco Pimentel

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A estrada de terra fica intransitável em períodos de chuva, afetando atendimentos de saúde, abastecimento e o transporte de mercadorias. TV Assembleia

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