Sede própria pode resolver problemas estruturais da Uemg em Ubá
Instituição sofreu prejuízo calculado de aproximadamente R$ 10 milhões com as chuvas de fevereiro.
A construção de um novo campus para a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) em Ubá (Zona da Mata) pode ser a solução definitiva para os problemas enfrentados pela instituição depois dos prejuízos com as chuvas neste ano. A ideia foi defendida por professores e estudantes, durante visita da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ao prédio da universidade, na sexta-feira (13/3/26).
Instalada na cidade há 20 anos, a Uemg de Ubá funciona de forma improvisada em um prédio cedido pela prefeitura, onde antes havia uma fábrica de móveis. Três cursos são oferecidos em salas de aula de uma escola estadual.
No período, a instituição sofreu seis enchentes, contabilizando muitas perdas de patrimônio. A última inundação, no final de fevereiro, danificou quatro laboratórios, destruiu equipamentos e o acervo da biblioteca. O prejuízo, segundo a diretora da unidade, Kelly da Silva, é da ordem de 8 a 10 milhões de reais.
A presidenta da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT), e a deputada Lohanna (PV) percorreram o subsolo onde ficam os cômodos atingidos e também os fundos do prédio, às margens do Ribeirão Ubá, para verificar outros estragos trazidos pela enchente.
Para as deputadas, professores e alunos ouvidos, a solução de fato seria a instalação definitiva da universidade num terreno cedido pela prefeitura, em local sem risco de novos alagamentos, à margem da rodovia. A previsão é que a obra custe R$ 20 milhões. “Outro dia, o secretário de Educação fez um evento de três dias, ao custo de R$ 23 milhões. Então, o governo tem plenas condições de ter uma solução definitiva”, considerou Beatriz Cerqueira.
Além da proteção contra enchentes, a mudança de endereço traria outros benefícios para a Uemg de Ubá, de acordo com a diretora. A sede conseguiriria reunir todos os cursos num só lugar e melhoraria o transporte e deslocamento de professores e demais profissionais, que precisam se mover entre três locais diferentes.
Segundo Kelly da Silva, a Uemg de Ubá recebe alunos de cerca de 20 municípios da Zona da Mata. São 400 alunos matriculados em quatro cursos. A sede própria pode ampliar a oferta por parte da universidade. Ela afirma que a unidade já formou mais de 600 profissionais, que hoje atuam em diferentes estados do Brasil e até no exterior.
“Todo esse trabalho já desenvolvido necessita reverberar em uma estrutura física adequada para que os profissionais de excelência que a instituição possui, mais de 90% dos professores doutores, possam desenvolver realmente não só o ensino, mas pesquisa e extensão de qualidade”, argumenta a diretora.
Descaso desastroso
A deputada Lohanna lamentou a demora em resolver os problemas enfrentados pela Uemg ao longo dos 20 anos. “São seis enchentes, sem decisão do governo de fazer a construção da sede própria da universidade. Isso é uma decisão política”, criticou.
Ela lembrou que o mundo vive um período de emergência climática que traz fortes impactos. A deputada lamentou a perda de equipamentos caros, captados por meio de agências de fomento e de incentivo. “Quem vai ser responsabilizado por essa perda?”, questionou.
Beatriz Cerqueira ressaltou que a Uemg de Ubá tem grande importância para o desenvolvimento da região e reclamou que a universidade vem lutando há anos por demandas básicas. “O Estado precisa entender a importância da universidade e fazer investimentos estruturais”, afirmou.
A deputada lembrou que a unidade teve que enfrentar os danos da enchente sozinha, sem apoio do Executivo e contando apenas com a comunidade. Ao entrar na biblioteca, lamentou todo o trabalho perdido para a lama. “Muito chocante, dói o coração”, emocionou-se.