Pronunciamentos sobre feminicídio e misoginia motivam desavenças no Plenário
Parlamentares também prestaram homenagem a jornalistas e cobraram o desenvolvimento da região do alto e médio Rio São Francisco.
A mobilização contra o feminicídio e a misoginia foi motivo de troca de críticas entre parlamentares durante a Reunião Ordinária desta terça-feira (7/4/26), no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Também foram abordados, durante a reunião, temas como homenagem aos jornalistas e o desenvolvimento do médio e alto Rio São Francisco.
O pronunciamento inicial sobre violência contra a mulher veio da deputada Bella Gonçalves (Psol). Ela lembrou que Minas Gerais é o segundo estado com maior número de casos de feminicídio. A deputada definiu a misoginia como o discurso deliberado de ódio contra as mulheres e de que mulheres são inferiores a homens. “A misoginia hoje é organizada e programada nas redes sociais. Esses grupos estão formando jovens cada vez mais propensos à violência”, advertiu a deputada.
Ela criticou políticos que usam esses grupos misóginos como palanque e cabos eleitorais e pediu apoio dos colegas para algumas de suas propostas sobre o assunto. Uma delas é a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre o feminicídio.
Bella Gonçalves também defendeu a aprovação de um projeto de lei de sua autoria que cria uma política estadual de enfrentamento à misoginia. Outro projeto de sua autoria determina que, enquanto um homem for réu por violência contra mulher ou feminicídio, e sendo ele agente de segurança pública, fica impossibilitado de ser transferido para a reserva. Se for condenado, será desligado da corporação sem qualquer direito à aposentadoria.
O deputado Caporezzo (PL), afirmou que o número de feminicídios cresceu durante o atual governo do presidente Lula. Ele também criticou o desempenho do governo federal na economia, que teria elevado o déficit das estatais a um nível recorde, assim como o endividamento público.
Em contraponto, o deputado Doutor Jean Freire (PT) afirmou que o presidente Lula viu a violência contra a mulher de perto, em sua família, quando ainda era criança. Ele ressaltou que o atual presidente já se pronunciou diversas vezes, criticando e condenando o feminicídio e a opressão à mulher. Ele comparou esse comportamento com as falas do ex-presidente Jair Bolsonaro que, em sua avaliação, contribuíram para ampliar o número de casos de violência contra a mulher.
Dia do Jornalista é lembrado
O deputado Carlos Pimenta (PDT), inicialmente, lembrou que 7 de abril é o Dia do Jornalista e prestou uma homenagem à categoria. “Em tempos de excesso de informação, é o jornalismo sério que ilumina o caminho e combate a desinformação”, afirmou.
Ele também cobrou, em seu pronunciamento, a valorização da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), um órgão federal. “Ela não tem recursos próprios no orçamento federal e sobrevive das emendas parlamentares”, lamentou.
Ele defendeu a aprovação de um projeto de lei de sua autoria que cria o Programa Mineiro de Desenvolvimento do Velho Chico. De acordo com o parlamentar, o programa teria como pilares a água, a produção e a dignidade, e foi elaborado a partir de conversas com a população da região. “A nascente (do Rio São Francisco) é mineira e a responsabilidade também tem que ser mineira”, cobrou Carlos Pimenta.
O deputado Leleco Pimentel (PT) criticou um movimento cultural e religioso que ele definiu como “sionismo cristão”. Para o parlamentar, esse movimento vem colocando comunidades cristãs brasileiras a serviço de interesses e ações ilegítimas e até criminosas do Estado de Israel, no Oriente Médio.
Leleco Pimentel também elogiou projetos de lei em tramitação na Assembleia. Um deles devolve imóveis da antiga Febem de Ouro Preto (Central) ao município; outro obriga as repartições públicas estaduais a separar materiais recicláveis; e um terceiro reconhece direitos previdenciários de catadoras e catadores de materiais recicláveis.
Ainda na mesma reunião, a Mesa da Assembleia comunicou a decisão de realizar consultas públicas sobre quatro temas: a criação do Parque Estadual da Pedra do Cálice, na região Centro-Oeste; e a instituição da Semana do Empreendedorismo Feminino, do Dia da Cultura Gospel e do Dia Estadual da Juventude Rural.