Presidente da Assembleia recebe o Grande Colar da Medalha Santos Dumont
Outros cinco deputados foram indicados para receber a comenda; cerimônia também homenageou os três militares falecidos em acidente de avião no dia 9/10.
A cidade de Santos Dumont, na Zona da Mata mineira, sediou mais uma celebração que destaca o legado do pai da aviação e patrono da Aeronáutica brasileira por meio da entrega da Medalha Santos Dumont. A solenidade, realizada nesta terça-feira (27/10/26), teve como orador principal o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Tadeu Leite (MDB), que preside o Conselho da Medalha. O parlamentar foi o principal agraciado, por receber a medalha no grau Grande Colar.
Além do presidente da Assembleia, cinco parlamentares foram indicados para receber a honraria, mas dois não puderam comparecer à cerimônia. O presidente Tadeu Leite condecorou com o grau Prata as deputadas Maria Clara Marra (PSDB) e Nayara Rocha (PP) e o deputado Zé Laviola (Novo). Carol Caram (Avante) e Eduardo Azevedo (PL) receberão a comenda em outro momento.
Reconhecimento e memória
O governador do Estado de Minas Gerais, Mateus Simões, destacou que os momentos mais difíceis de seu mandato envolveram a perda de agentes das forças de segurança. “Nós, servidores públicos, dedicamos a nossa vida aos outros, mas somente os agentes de segurança dão a vida por nós. É preciso que nos importemos com essas vidas perdidas. Lamento muito não poder dar mais conforto às famílias desses militares nesse momento”, destacou o governador, emocionado, fazendo referência ao três militares falecidos que receberam a homenagem póstuma no grau Ouro.
O chefe do Executivo fez um breve panorama de seu governo e também agradeceu todo o apoio de sua equipe ao longo do mandato, que se encerra em menos de 70 dias.
As homenagens destacaram a importância dos policiais militares e também pilotos de avião tenente-coronel Luís Fernando Silvestre e às tenentes Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e Alice dos Santos Oliveira Almeida, que morreram trabalhando no dia 9 de outubro. O desastre foi causado pela queda de um avião da corporação nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso (Região Metropolitana do Vale do Aço).
A primeira mulher a ocupar o cargo de comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, Coronel Cleide Barcelos, manifestou gratidão e reconhecimento às famílias dos três militares. “Hoje, essa terra, que carrega o nome ao pai da aviação, também lembra a memória daqueles que escolheram o vôo para proteger a nação. Para eles, voar significava mais que comandar uma aeronave, era colocar o conhecimento a serviço de outras pessoas. Hoje meu pensamento se volta aos familiares desses militares com carinho e gratidão, para que eles sigam sendo lembrados com reverência e honra”, afirmou a comandante-geral.
A medalha
A Medalha Santos Dumont é destinada a aviadores civis e militares, além de pessoas e instituições que contribuem para a aviação e para o desenvolvimento do Estado e do País. A honraria é concedida nos graus Ouro, Prata e Bronze e Grande Colar. Esse último é destinado apenas a Chefes de Estado, de Governo, de Poderes e Ministros de Estado.
No total, foram indicadas para receber a homenagem uma entidade e 131 personalidades. Também receberam a homenagem no grau Ouro o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, desembargador Vicente de Oliveira Silva; o presidente do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, desembargador Ricardo Machado Rabelo; além da defensora Público-Geral do Estado de Minas Gerais, Caroline Loureiro Goulart Teixeira.
Para o prefeito de Santos Dumont, Pacífico Estites Rodrigues Júnior, é uma honra ser o anfitrião da entrega da medalha Santos Dumont. “A medalha é uma consideração pelas pessoas que fizeram ou fazem muito pelo nosso país, em busca de um futuro melhor para a cidade de Santos Dumont, para Minas Gerais e para o Brasil”, disse.
Símbolo de coragem e inventividade
A Medalha Santos Dumont foi criada em 1956, para comemorar o cinquentenário do primeiro voo do 14-Bis, invenção do mineiro Alberto Santos Dumont, nascido na cidade que recebe o seu nome, e onde é feita a entrega da honraria anualmente.
O voo do 14-Bis entrou para a história por ser o primeiro voo público homologado de um aparelho mais pesado do que o ar, impulsionado por motor próprio. O feito demonstrou a viabilidade da invenção e lançou as bases para o desenvolvimento da aviação.
A Medalha Santos Dumont é regida por um Conselho Permanente, composto por 22 membros e presidido pelo chefe do Legislativo estadual. Cada membro pode propor até quatro indicações.
Filho ilustre
Alberto Santos Dumont nasceu em 20/7/1873 na cidade que hoje leva seu nome. Era o sexto filho de Francisca Santos e do engenheiro Henrique Dumont. Estudou na França a partir de 1892. Em 1906, realizou o voo histórico do 14-Bis, construído com alumínio, bambu e seda japonesa.
Além do 14-Bis, criou outras 20 máquinas voadoras e recebeu vários prêmios, como o do Aeroclube da França.
Debilitado, Santos Dumont passou os últimos dias em uma estação de repouso no Guarujá (SP), onde morreu em 23/7/1932, com apenas 59 anos, completados três dias antes do falecimento.
A antiga residência do inventor, a Fazenda Cabangu, no mesmo município da Zona da Mata mineira, abriga hoje um museu com peças históricas, réplicas de aeronaves, fotos, cartas, objetos pessoais e obras ligadas à trajetória do aviador.
