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Pesquisas evidenciam diversidade das línguas africanas e indígenas

Audiência pública na Assembleia destacou reflexões do Novembro Negro.

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Participantes da audiência pública realizada pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) celebraram a diversidade das línguas africanas e indígenas no País. Durante encontro realizado na terça-feira (18/11/25), ativistas e pesquisadores discutiram formas de combater o racismo linguístico.

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De acordo com a responsável por solicitar a reunião, deputada Andréia de Jesus (PT), o debate marca as reflexões alusivas ao Dia da Consciência Negra, comemorado no próximo dia 20, feriado. “O racismo tem várias facetas e a gente percebe que também expressões arraigadas precisam ser revistas”, afirmou.

Ela lembrou o caso recente da emenda apresentada ao Projeto de Lei 3.465/25, que reconhece a relevância cultural do bloco Afro Angola Janga. No texto, constou a ressalva de que o grupo não poderia “denegrir” imagens de crianças e mulheres.

A deputada reforçou que, por sua conotação pejorativa, como se se tornar negro significasse algo negativo, o termo não deveria mais ser utilizado. A situação acabou motivando a audiência pública.

Conforme a pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Thainá Rocha da Silva, as discussões sobre racismo linguístico precisam ser ampliadas. “Essa é a forma como a linguagem é usada para promover a opressão, a marginalização, a animalização de determinada parcela da população”, criticou.

Thainá Rocha recordou que privar as pessoas negras de falarem a própria língua foi uma estratégia colonial para evitar rebeliões contra o sistema escravocrata. “Pessoas negras de diferentes lugares de África eram colocadas no mesmo lugar para que elas não conseguissem se comunicar”, descreveu.

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A professora Vanessa Sena Tomaz denunciou tipos de violência sofridos pelo povo maxakali. Listou a falta de mediação em consultas médicas e a dificuldade de estabelecer um diagnóstico, além da exploração econômica nas negociações comerciais. “São muitos episódios de racismo. É um absurdo, mas é a realidade”, apontou.

A gestora jurídica da Associação Sociocultural do Movimento Negro de São Gonçalo Tamiris de Souza e a professora da UFMG Nathália Gomes Benfica relataram projetos de conscientização realizados com estudantes. Durante os encontros ocorridos em escolas e organizações não-governamentais, participantes aprendem sobre expressões racistas e contribuições linguísticas africanas.

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Diversidade linguística deve ser celebrada

Segundo Andréia de Jesus, além de combater o racismo no vocabulário, é necessário celebrar a riqueza das culturas negra e indígena. Ela descreveu que expressões em iorubá e bantu, por exemplo, estão presentes em conversas e cantos. “Mesmo assim, persiste o preconceito contra sotaques, construções rítmicas e vocabulários que expressam essa diversidade”, lamentou.

O professor da Universidade de São Paulo (USP) Niyi Tokunbo Mon'A-Nzambi explicou que, por exemplo, a expressão "ques casa linda" é oriunda da matriz filosófica kimbundu. Nessa perspectiva, não está errado marcar o plural no elemento anterior ao substantivo. “É lindíssimo como nós hoje, em 2025, temos uma continuidade do nosso pensar que não é de matriz europeia”, celebrou.

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No fim da audiência, a deputada Andréia de Jesus propôs entrega de votos de congratulações aos pesquisadores Thainá Rocha da Silva, Nathália Gomes Benfica e Lúcio Flávio Maxakali. Também anunciou o encaminhamento de pedidos de providências aos Institutos do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais e Nacional para mapeamento e preservação da diversidade linguística do Estado.

Comissão de Cultura - debate sobre o racismo linguístico

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Especialistas discutem combate ao chamado racismo linguístico TV Assembleia

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