Notícias

Kits de conectividade podem aumentar cobertura de telefonia e internet rural no Triângulo

Programa da Emater pretende instalar sistemas com antenas conectadas a satélite para reduzir deficit na região.

Imagem

Uma das soluções para reduzir o deficit na conectividade rural no Triângulo Mineiro foi apresentada na reunião que a Comissão de Agropecuária e Agroindústria realizou nesta quinta-feira (13), em Prata, município dessa região do Estado. Realizada no auditório do Parque do Jatobá, a audiência pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) reuniu mais de cem pessoas, em sua maioria, produtores e extensionistas rurais, prefeitos e servidores municipais da região.

Botão

O gerente de Consultoria e Projetos da Emater-MG, Vitório Alves Freitas, falou do Programa de Conectividade Rural, para instalação de kits de conectividade para regiões isoladas. Autossustentável, o sistema inclui antenas pequenas conectadas via satélite, alimentadas por placas fotovoltaicas e bateria. Cada módulo é voltado para atender entre cinco e dez residências rurais, as quais dividirão o valor da conta mensal da internet via satélite.

Fruto de parceria entre o poder público e a iniciativa privada, o projeto busca reduzir gargalos da infraestrutura de telecomunicações para o meio rural. No caso do Pontal do Triângulo, o setor sucroenergético e os produtores rurais como um todo são os que mais sofrem com essa deficiência tecnológica.

Vitório Alves Freitas explicou que já foi realizada licitação em que o Governo de Minas entrou com o recurso para instalação dos kits e as empresas interessadas em instalá-los se apresentaram. Vencida essa fase, passou-se à etapa de contratação da empresa vencedora, que se responsabilizará pela realização do serviço. Ele explicou que os recursos para esse projeto também podem vir de emendas parlamentares, como foi o caso do deputado Raul Belém, que destinou verba com essa finalidade.

O gerente da Emater-MG detalhou ainda que, para unidades que atendam mais que dez famílias no campo, o governo tem o programa Alô Minas, o qual prevê a instalação de torres de telefonia em 77 localidades do Triângulo e do Alto Paranaíba.

Expansão das telecomunicações é estratégica

Agradecendo à Emater-MG pela parceria, o deputado Raul Belém afirmou que o tema da conectividade no campo não pode mais ser visto como secundário. “É um desafio que precisamos enfrentar em Minas Gerais, onde muitas comunidades e propriedades rurais continuam sem internet adequada e, em alguns casos, até sem telefonia celular”, disse.

Estudo da Emater-MG citado pelo parlamentar mostra que, apesar de todos os 853 municípios mineiros terem serviços de internet, no meio rural, apenas 65% das cidades contam com essa cobertura. No campo, a área coberta é de 39% e os domicílios cobertos ficam em 59%. Em Prata, 60% da área rural não tem cobertura. E o Pontal do Triângulo está entre as regiões com menor conectividade no Estado.

Dessa forma, continuou Raul Belém, “a expansão da infraestrutura de telecomunicações no Triângulo é estratégica para fortalecer a produção agropecuária, promover inclusão digital e garantir condições de permanência das famílias no meio rural”. Nesse sentido, ele comunicou em primeira mão que Prata será o primeiro município a receber o projeto de conectividade rural da Emater.

O deputado lembrou que o campo está cada vez mais digital: “Máquinas conectadas, sensores, monitoramento climático, agricultura de precisão e inteligência artificial já são realidade de muitos produtores”. Sem uma conexão confiável, avaliou, o produtor não consegue acompanhar o que ocorre em sua propriedade, ficando impedido de tomar decisões mais acertadas.

Nesse sentido, Raul Belém lembrou que em 2025 foi sancionada a Lei 25.525, que instituiu a Política de Fomento à Conectividade e à Telefonia Celular no Estado. A norma criou mecanismos para estimular investimentos na expansão da infraestrutura de telecomunicações. Em 2026, a lei foi regulamentada e permitiu o uso de até R$ 100 milhões em créditos de ICMS, vinculados à implantação de telefonia celular, priorizando áreas rurais e de menor densidade demográfica.

Ele defendeu ainda a conectividade das rodovias que atendem a região, para garantir melhor logística e segurança aos usuários. “Uma região que produz precisa estar conectada para transportar melhor, acompanhar sua frota, reduzir custos e tomar decisões em tempo real”, justificou.

Empresas de telefonia são convidadas, mas apenas uma comparece

Imagem

Apesar de todas as empresas de telefonia que operam no Triângulo terem sido convidadas, apenas a Algar enviou representante à reunião. Fernanda Spadaccia Ferrarese, diretora de Negócios da Algar na Região Brasil Central anunciou que, por meio de convênio com a Agência Nacional de Telecomunicações, a empresa destinará R$ 240 milhões para a região. Apenas para o Município de Prata, serão destinados mais de R$ 1,5 milhão, para atender a escolas da cidade e distritos.

Ela detalhou projeto de parceria entre a Algar e a Usina de Álcool Cururipe, no valor de R$ 4 milhões. “O produtor vai poder usar crédito tributário para a construção de 13 torres, sendo que duas serão instaladas em comunidades rurais, aumentando a cobertura de 4G”, valorizou.

5G

O deputado federal Zé Silva (Solidariedade-MG) destacou que relatou na Câmara dos Deputados o projeto que deu origem à Lei 14.109, de 2020, que garantiu a chegada do 5G no Brasil. Explicou que, somente com a sanção da lei, foi possível utilizar recursos do Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust). Criado em 2002, o Fust conta, segundo o parlamentar, com cerca de R$ 30 bilhões para serem destinados a essa área, “e estava parado, fazendo caixa para o governo”.

Ainda conforme Zé Silva, a Lei 14.109 prevê que os recursos desse fundo serão utilizados para, até 2030, prover banda larga a todas as escolas do Brasil. Além disso, um dos artigos estabelece que a Emater pode ser protagonista para levar o 5G a qualquer comunidade rural. Para esse deputado, o avanço da conectividade no campo vai permitir que o produtor rural resolva seu problema de mão de obra e conte com poucos trabalhadores para controlar as máquinas na propriedade.

Conetividade poderá resolver problema com mão de obra

Em concordância com Zé Silva, o prefeito de Prata, Marcel Vieira Rodrigues, afirmou que a tecnologia não vai acabar com a mão de obra: “É o contrário: hoje o produtor tem dificuldade para conseguir trabalhadores e a tecnologia vai resolver a questão”. Com esse mesmo pensamento, Thiago Rocha Xavier, da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), observou que a tecnologia não tira pessoas do campo, mas as qualifica, mantendo-as ali.

O prefeito Marcel Rodrigues informou que Prata é o sétimo maior município em extensão territorial do Estado e que tem 7 mil km de estradas que precisam de manutenção constante. Por isso, ele reivindicou programas de financiamento para manutenção das estradas rurais. Reclamou que o Triângulo, mesmo sendo uma das principais regiões contribuintes do PIB mineiro, não recebe os recursos do Estado na proporção que deveria.

Prefeito de Limeira do Oeste (Triângulo), cidade que tem duas usinas de álcool e açúcar, Leandro de Souza Carvalho, opinou que a conectividade precisa chegar ao produtor rural. “É uma necessidade desse setor que é o grande movimentador da economia local e regional”.

Já o prefeito de Campo Florido (Triângulo), Álysson da Saúde, disse que o município conta com um setor agropecuário sustentável e efetivo, com a maior produtividade da cana de açúcar por hectare, mas ponderou que a tecnologia precisa chegar ao pequeno produtor.

Receba as notícias da ALMG

Cadastre-se no Boletim de Notícias para receber, por e-mail, as informações sobre os temas de seu interesse.

Assine