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Copasa admite rever perfurações de poços para o abastecimento em São Thomé das Letras

Entidades apontam influência da captação de água no Ribeirão Cantagalo na redução do volume de cachoeiras e nascentes.

- Atualizado em 05/03/2026 - 16:51
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A insegurança hídrica no Município de São Thomé das Letras (Sul de Minas), com interrupções no abastecimento de água e a redução do volume de cachoeiras e nascentes, foi tema de audiência pública, nesta quinta-feira (5/3/26), da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Moradores e ambientalistas apontaram a influência da mineração e da captação de água pela Copasa no Bairro Cantagalo como as principais causas do problema. Representantes da estatal negaram qualquer relação com o desabastecimento, mas se comprometeram a estudar alternativas para a extração hídrica em outras localidades.

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Segundo Rafael de Tomy, da Associação Socioambiental Água é Vida, o abastecimento vem falhando nos últimos anos, com o problema se agravando no último verão. A falta d’água chegou a durar cinco dias, afetando o turismo, a principal atividade econômica do município, e o dia a dia da população local.

Embora o sistema tenha sido projetado para atender cerca de 9 mil pessoas, a cidade chega a receber aproximadamente 30 mil visitantes em períodos de pico de consumo, como festas e feriados, o que intensifica ainda mais a sobrecarga.

Para contornar a situação e estabilizar o fornecimento durante todo o ano, a Copasa solicitou autorização para perfurar quatro poços na região do Cantagalo, para estudos. Um deles foi executado ao lado da captação superficial hoje responsável pelo abastecimento de São Thomé das Letras.

Após a perfuração do primeiro poço, moradores interromperam o avanço das obras, levando à paralisação temporária das atividades, de acordo com Rafael de Tomy. “Pararam ‘no grito’. A comunidade se juntou e disse que não queria poços lá, pelo rebaixamento do nível do Ribeirão Cantagalo e das cachoeiras na região”, afirmou.

O ambientalista também responsabilizou a mineração, em pedreiras, pela diminuição da área de mata e degradação de locais importantes para a recarga do lençol freático.

“O debate deve ser pela mudança da captação. A Copasa tem outorga pra uso público do Ribeirão Cantagalo, que mostrou sinais claros da sua limitação. É prudente aumentar a pressão na mesma fonte? O turismo depende das cachoeiras”, ponderou Andressa de Oliveira, moradora do Bairro Cantagalo.

Para Ana Maria Sigaud, presidente da Associação Água é Vida, o crescimento desenfreado do turismo está estrangulando as nascentes.

A vereadora Mel Alckmin (PT) salientou que a comunidade não é contra a Copasa, e sim contra o local onde está havendo a perfuração dos poços, a área de maior potencial turístico de São Thomé.

Copasa defende perfuração de poços artesianos

Nelson Guimarães, superintendente da Copasa, argumentou que poços subterrâneos são uma alternativa importante e muito utilizada pra garantir o abastecimento público. Conforme informou, há um aquífero mais superficial com interferência direta na vazão do Ribeirão Cantaglo, mas o estudo da Copasa é para captação mais profunda.

O primeiro poço perfurado apresentou uma vazão de cinco litros por segundo, frente à demanda suplementar de 11 litros por segundo nos períodos de consumo extraordinário. 

Marcelo Fonseca, diretor-geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), explicou que, uma vez concedida a outorga para exploração de um poço, a autarquia monitora continuamente seu uso, as condições de operação estabelecidas como a vazão que pode se captada e o tempo de captação.

Marco Aurélio Ribeiro, gerente regional da Copasa, apresentou intervenções já executadas no município. A principal delas foi a implantação de três reservatórios de água, cada um com capacidade de 100 m³, entregue em junho, em tempo recorde.

O Réveillon, quando foi registrado o desabastecimento mais crítico, foi um episódio de exceção, devido ao feriado prolongado, salientou o gestor.

Os representantes da Copasa concordaram, contudo, em atender a demanda da população de estudar a possibilidade de perfuração de poços fora da Bacia do Ribeirão Cantagalo. "Queremos preservar o Cantagalo e temos outros lugares que podem ser explorados", defendeu Nelson Guimarães.

Diante do questionamento da deputada Beatriz Cerqueira (PT), solicitante da audiência pública, sobre a mudança também no ponto de captação há décadas em funcionamento no Cantagalo, eles se comprometeram a levar a reivindicação às instâncias superiores da companhia. “Podemos verificar a viabilidade”, assegurou Nelson Guimarães.

Beatriz Cerqueira cobrou a resposta à solicitação na audiência pública prevista para o dia 17 de março, no município.

A deputada considerou também um avanço a decisão anunciada pela Copasa de que os outros três poços previstos para exploração no Cantagalo não serão mais perfurados, obedecendo orientação do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema).

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Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - debate sobre escassez hídrica em São Thomé das Letras

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Falta d'água em São Thomé das Letras ameaça turismo TV Assembleia

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