Comunidades pedem ampliação e melhoria do fornecimento de energia
Demandas foram apresentadas na sexta-feira (27) à Comissão de Participação Popular da ALMG, em Grão Mogol.
Patrício corre com a neta de casa em casa para ligar o respirador sem o qual a adolescente de 15 anos morreria; Maria Aparecida lamenta a falta de água devido à queima rotineira do sistema de bombeamento do poço artesiano; Mônica já perdeu tudo o que estava na geladeira do pequeno comércio.
Eles e outros moradores das comunidades de Vista Alegre, São Miguel, Bamburral e Vale das Cancelas, localizadas no Município de Grão Mogol (Norte de Minas), apresentaram, nessa sexta-feira (27/2/26), diversas demandas relativas à prestação de serviços pela Cemig, ao deputado Ricardo Campos (PT), presidente da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. (ALMG).
O parlamentar ressaltou que essas comunidades, dentre outras do Estado, encontram-se em situação de pobreza energética. Ricardo Campos explicou que a expressão, forjada pelo Ministério de Minas e Energia, é usada para nomear o cenário em que cidadãos cotidianamente convivem com ruas sem iluminação pública, perda de alimentos e eletrodomésticos ou comprometimento do abastecimento de água por quedas de energia, justamente as ocorrências reportadas pela população local.
Representantes da Cemig, vereadores e gestores da Prefeitura de Grão Mogol acompanharam as visitas para levantamento das falhas e apontamento das possíveis providências. O deputado anunciou que os dados serão utilizados para compor relatório técnico, que deverá ser encaminhado ao Ministério Público, Ministério de Minas e Energia e à presidência da própria Cemig.
Ricardo Campos afirmou ainda que, no próximo dia 10 de março, a Comissão de Participação Popular receberá autoridades dos respectivos órgãos para audiência sobre o assunto, a ser realizada na sede da Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte.
De acordo com o deputado, na ocasião, além das demandas apontadas pelos moradores durante a visita dessa sexta, a empresa de energia deve dar retorno a respeito de aproximadamente 4 mil pedidos de ligação realizados há mais tempo, inclusive no âmbito do Programa Luz para Todos, do Governo Federal.
Ele informou que a Cemig já assinou contrato com a União para que mais famílias em território mineiro sejam atendidas, sem custo.
Falta de energia em Bamburral coloca vida em risco
“Já ficamos até dois dias sem energia”, conta Patrício José dos Santos, aposentado e morador da comunidade de Bamburral. Foram dois dias de desespero para a família. Isso porque a neta, uma adolescente de 15 anos, só consegue respirar com a ajuda do aparelho de oxigênio, que depende de energia elétrica para o funcionamento.
O supervisor da Área de Obras da Cemig, Jomar Cândido Dionísio, orientou imediatamente os familiares a entrar em contato com a empresa e solicitar o registro de “Suporte à vida”, com essa informação constante no sistema da companhia são impedidos desligamentos e providenciado gerador a fim de que a queda de energia não comprometa o uso do respirador.
Outro problema relatado com frequência foi o impacto da oscilação de energia no abastecimento de água. Maria Aparecida Silva Lopes, servente da escola municipal Domingos Alcântara III se queixou da constante falta de água devido à queima do sistema de bombeamento do poço artesiano em função da baixa potência de energia ou picos. “Queima a cada 15 dias, a prefeitura faz a troca, mas a solução é sempre provisória”, salienta a moradora.
Já Édson Santos explica que a baixa capacidade de energia danifica os eletrodomésticos e diminui a vida útil deles. Ele esclarece que a energia, em área rual, deveria chegar com 120 volts de capacidade, mas, na prática, essa voltagem não passa de 90 volts. “Uma geladeira que deveria durar 10 anos, só dura três”.
Conforme o morador, em áreas urbanas se paga por 127 volts e se recebe 127. “Aqui a gente paga por 120 volts e não recebe 100”, o que, para ele, demonstra a assimetria de tratamento da companhia.
Moradores de Vista Alegre acumulam prejuízos e desalento
Mônica Alves, comerciante e moradora da Comunidade de Vista Alegre, diz que as 76 famílias do local “estão no escuro”. Não só devido à falta de energia, mas pela ausência de medidas efetivas da Cemig ou da prefeitura.
Segunda ela, banho quente todo dia ainda é uma promessa distante. Em períodos de chuva a queda de energia se agrava. Nesta semana, por exemplo, “foram quatro dias com a geladeira desligada, o prejuízo é enorme, perdemos tudo”, lamenta Mônica.
A moradora disse que é obrigada a descartar alimentos como carnes e demais congelados, mas nunca é ressarcida. No entanto, Mônica enfatiza que, apesar do serviço irregular, “a conta chega e bem cara”, até R$ 600,00.
Otoniel Souza, também morador da comunidade de Vista Alegre, cobra a instalação de mais transformadores e postes com extensão de rede. De acordo com ele, os postes existentes foram colocados pelos próprios residentes: “Esses equipamentos não têm a mesma bitola dos da Cemig, por isso, não têm a mesma durabilidade. Em dois anos, envergam.”
Jomar Dionísio, da Cemig, informou que serão investidos na região Norte de Minas R$ 2,2 bilhões em obras de melhoria, até 2027. Ele reconhece que área a ser atendida é muito extensa, mas que os problemas levantados pelos cidadãos de Grão Mogol deverão ser mitigados até o fim deste ano.