Comunidade escolar rejeita criação de unidade do Colégio Tiradentes
Com 59 anos de história, Escola Estadual Juca Pinto, em BH, terá atividades encerradas para dar lugar a instituição de ensino da PM.
A possibilidade de instalação de uma unidade do Colégio Tiradentes da Polícia Militar (PM) preocupa pais, alunos e professores da Escola Estadual Coronel Juca Pinto, em Belo Horizonte. Em visita realizada à instituição de ensino na segunda-feira (17/8/26), a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ouviu reclamações e dúvidas sobre o processo de transição para o sistema de ensino da PM.
Localizada no bairro Universitário, na região da Pampulha, a Escola Juca Pinto tem 269 alunos e cerca de 80 funcionários. Instituição com 59 anos de história, oferece atualmente ensino fundamental e ensino médio, com aulas no período noturno e em tempo integral. Também oferta ensino técnico e educação de jovens e adultos (EJA), modalidades fora do escopo de atuação do Colégio Tiradentes.
A escola está em obras que totalizam cerca de R$ 1,4 milhão. Serão reformados o pátio, as quadras de esporte, o piso das salas de aula e os vestiários. A Secretaria de Estado de Educação (SEE) já informou que as atividades da escola serão encerradas no dia 31 de dezembro e que em 2027 suas instalações passarão a abrigar mais uma unidade do Colégio Tiradentes. Os professores foram orientados a pedirem remoção para outras instituições da rede estadual de ensino.
A decisão pegou a comunidade escolar de surpresa. Os alunos estão preocupados com a continuidade dos seus estudos. Muitos pais alegam não ter condições de transferir seus filhos para outras escolas, distantes do bairro Universitário. Já os professores reclamam da falta de transparência nas decisões tomadas pela SEE.
Uma dessas mães é Ivanete Ribeiro da Silva. Ela manifestou receio quanto à continuidade do atendimento especializado oferecido à sua filha com deficiência. “Não é justo o que estão fazendo com a gente. Para qual escola minha filha vai ser encaminhada?”, disse, emocionada.
Ex-aluna da Escola Juca Pinto e moradora do bairro Universitário há 59 anos, Dayse Maria dos Santos considerou “absurda” a decisão da SEE. Ela destacou a qualidade do ensino oferecido pela instituição e contou não ter condições de arcar com os custos de transporte para os filhos estudarem em outras escolas. “Nós lutamos muito tempo para ter essa escola aqui”, afirmou.
A professora Elizabeth Magalhães Silva estudou na Escola Juca Pinto e trabalha na instituição desde 1979. Seu pai ajudou a construir a biblioteca da escola. Ela contou ter ficado muito triste com a notícia de encerramento das suas atividades. “Eu amo essa escola. Se ela acabar, vai acabar um pouquinho de mim também”, disse.
Entre os alunos, o clima também é de angústia e preocupação. Eles elogiaram a qualidade do ensino oferecido pela Escola Juca Pinto, destacaram a importância do acolhimento a estudantes atípicos e consideraram desnecessária a criação de mais uma unidade do Colégio Tiradentes. A situação mais preocupante é dos matriculados no curso técnico em automação industrial, que corre o risco de ser extinto no final do ano.
Segundo a presidenta da Comissão de Educação, deputada Beatriz Cerqueira (PT), o Colégio Tiradentes atende prioritariamente filhos e netos de bombeiros e policiais militares. Parte das vagas é direcionada ao público geral, mas, conforme lembrou a parlamentar, normalmente o critério de escolha é por sorteio.
A parlamentar criticou a decisão de encerrar as atividades da Escola Juca Pinto. “A comunidade está satisfeita. Por que mexer no que está dando certo?”, questionou. Ela disse que a discussão terá continuidade em uma audiência pública, a ser realizada na escola. E informou que o relatório da visita será encaminhado à PM, à SEE e ao Ministério Público.