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Comissão volta ao Cesec em Contagem para verificar ensino de jovens e adultos

Adoção da educação a distância e fim do ensino fundamental afligem comunidade, e comissão vai averiguar a situação.

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Nesta segunda-feira (2/3/26), a partir das 17h30, a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia volta a visitar o Centro Estadual de Educação Continuada (Cesec) Clemente de Faria, em Contagem (RMBH).

O objetivo é verificar o funcionamento da unidade e a metodologia de ensino, diante de críticas reiteradas da comunidade à adoção do ensino a distância (EAD) em 80% da carga horária da Educação de Jovens e Adultos (EJA) ofertada nos Cesecs, por resolução da Secretaria de Estado de Educação (SEE). O centro em Contagem está localizado na Avenida Tom Jobim, 2597 - Cidade Industrial.

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Desde 2024, o assunto é debatido na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), sempre a requerimento da deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidenta da comissão. Nas diversas audiências e visitas sobre o funcionamento dos centros, a comunidade escolar defendeu a manutenção do modelo presencial de educação.

Outra questão que preocupa a deputada e a comunidade escolar é a proposta do Governo do Estado que chegou ao conhecimento dos centros no final do ano passado de retirar o ensino fundamental da EJA ofertada nos Cesecs.

Na última quarta-feira (24/2), a revogação da resolução sobre a EAD foi, inclusive, uma das principais demandas apresentadas ao secretário de Estado de Educação, Rossiele Soares da Silva, durante sabatina na comissão

Questionado a respeito, o secretário, à frente da pasta desde agosto do ano passado, manifestou concordância com a modalidade presencial. Ele disse que sua equipe vai elaborar ainda em março proposta alternativa em diálogo com gestores dos Cesecs. “Acredito no modelo presencial e queremos nos afastar do EaD”, afirmou.

Estado será cobrado sobre valorização dos Cesecs

A presidenta da comissão frisou que em breve nova audiência pretende cobrar o retorno da SEE sobre o posicionamento do secretário e que órgãos como o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Tribunal de Contas do Estado (TEC) já foram acionados em defesa dos Cesecs.

O TCE, pontuou a deputada, é responsável pelo monitoramento do cumprimento das metas do Plano Estadual de Educação, segundo ela, inatingíveis sem a valorização dos Centros de Educação Continuada existentes no Estado.

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Precarização 

Conforme a Resolução SEE nº 4.955, de 5 de fevereiro de 2024, a partir de 2025 a EAD deveria passar a cobrir a maioria da carga horária nos Cesecs, o que para a presidenta da comissão e para alunos e educadores precariza a oferta da educação de jovens e adultos.

Segundo relatos nas audiências e visitas desde então, as aulas presenciais funcionam melhor para os jovens e adultos que frequentam os Cesecs pois não contam com ambiente adequado aos estudos em casa nem com equipamentos para assistir às aulas remotas.

Da mesma forma, a garantia do ensino fundamental nos centros é importante frente à realidade do aluno da EJA, apontada nas reuniões e nas visitas realizadas ao Cesec de Ibirité (RMBH) e de Contagem ainda em novembro de 2024. No ano passado, a comissão realizou mais quatro audiências que indicaram a precarização da EJA nos Cesecs EAD, com prejuízos ao ensino e à permanência do estudante no sistema.

Lista

 

Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia - visita ao Centro Estadual de Educação Continuada (Cesec) Clemente de Faria, em Contagem
“Os Cesecs atendem grupos específicos, pessoas que já foram excluídas na idade escolar, como idosos, pessoas com deficiência, mulheres em situação de violência, pessoas em ajustamento funcional, comunidades quilombolas. São várias as vulnerabilidades, e o formato do Cesec é que vai dar a essas pessoas condições para acessar o direito à educação.”
Beatriz Cerqueira
Dep. Beatriz Cerqueira

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