Comissão de Direitos Humanos comemora os 25 anos do Cellos-MG
Entidade desenvolve projetos de promoção da cidadania e organiza a Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Belo Horizonte.
Os 25 anos do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero (Cellos-MG) foram celebrados nesta quinta-feira (12/3/26) pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Representantes do movimento LGBTQIA+ lembraram a história de luta pela conquista de direitos desse segmento da população.
O Cellos-MG é uma organização da sociedade civil que desenvolve diversos projetos voltados para a promoção da cidadania, com iniciativas de educação para não-violência, de capacitação profissional e de formação em direitos humanos. Também é responsável pela organização da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Belo Horizonte, que reuniu 360 mil pessoas em 2025.
O presidente do Cellos-MG, Maicon Chaves, disse que a história da entidade remete a anos de coragem e de luta pela dignidade. “É o resultado de corpos que resistiram quando tudo convidava a desistir. É a obra coletiva de pessoas que recusaram o destino e escolheram organizar a luta, produzir comunidade, transformar sofrimento em consciência política, indignação em caminho”, afirmou.
Ele ainda lembrou a importância da Parada do Orgulho LGBTQIA+. Na sua avaliação, o evento demonstra a importância da organização política em defesa da liberdade desse segmento da população, que historicamente sempre foi reprimido.
O trabalho do Cellos-MG foi destacado pela presidenta da Comissão de Direitos Humanos, deputada Bella Gonçalves (Psol), que solicitou a realização da homenagem. “O Cellos-MG é o maior movimento LGBT do Estado. Formou lideranças de outros movimentos, que compõem uma rede fundamental de luta por acesso a direitos, a partir das suas oficinas de advocacy, da organização das paradas, hoje com um importante enraizamento nas periferias e no interior do Estado”, afirmou.
A parlamentar contou sua história pessoal, de “menina bem sapatão, apaixonada pela professora, que adorava jogar futebol”, para ilustrar a importância do movimento social para o empoderamento de gays, lésbicas, transexuais, travestis e bissexuais.
Ela disse que recebeu apoio ao ser eleita a primeira vereadora lésbica de Belo Horizonte e a primeira deputada estadual assumidamente LGBT em Minas Gerais. “Agradeço ao Cellos-MG por me acolher, mesmo sem saber que eu estava sendo acolhida”, afirmou.
A vereadora Juhlia Santos, de Belo Horizonte, também reconheceu que a atuação do Cellos-MG abriu portas para que pessoas da comunidade LGBTQIA+ pudessem ocupar espaços de poder, apesar da resistência de movimentos conservadores. “Não vamos voltar para as margens, para o anonimato, para a penumbra. Vão ter que se acostumar com a nossa presença em todos os lugares”, afirmou.
A secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, lembrou as dificuldades dos primeiros movimentos sociais de defesa desse segmento da população e vislumbrou um futuro de pluralidade de ideias. “Não é para disputar; é para estar todo mundo junto. Falam com ódio sobre nós e nós devolvemos esse trabalho do Cellos-MG, que abre espaço para todos”, elogiou.
Comentário de Ratinho é considerado transfóbico
A fala do apresentador Ratinho em seu programa no SBT ironizando a eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados foi criticada pelos participantes da audiência pública.
A deputada Andréia de Jesus (PT) repudiou o comentário do apresentador, considerado transfóbico, e defendeu que ele seja responsabilizado criminalmente. “A Câmara dos Deputados reconhece Erika Hilton como mulher e lhe garantiu o direito de ocupar a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher”, argumentou.
A diretora estadual de Políticas de Diversidade, Walkiria La Roche, também destacou que Erika Hilton é reconhecida como mulher pelo Estado. “Ela é uma mulher. Não há essa discussão”, comentou.
A vereadora Juhlia Santos acrescentou que ela tem um mandato legítimo, uma vez que foi eleita democraticamente. Ela ainda destacou a importância de se ter uma mulher trans na presidência da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. “Entramos para a história, desta vez pela porta da frente, com tapete vermelho e com a chave da porta”, afirmou.