ALMG vai homenagear o cantor Chico César
Reunião Especial para entrega do título de cidadão honorário de Minas Gerais será realizada nesta sexta-feira (21).
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) recebe o cantor, compositor e escritor paraibano Chico César nesta sexta-feira (21/8/26), para a entrega do título de cidadão honorário do Estado. A homenagem, solicitada pela deputada Andréia de Jesus (PT), será feita em uma Reunião Especial de Plenário, a partir das 10 horas.
A parlamentar argumenta que a homenagem se justifica pela importância de Chico César para a poesia e a para a música brasileira contemporânea. “Esse reconhecimento reafirma o compromisso de Minas Gerais com a diversidade cultural, a poesia engajada e a valorização de artistas que enriquecem o povo brasileiro e, de maneira especial, os mineiros”, afirma ela, no requerimento da Reunião Especial.
Francisco César Gonçalves nasceu em Catolé do Rocha (PB) em 1964. Ao longo de sua carreira, consolidou-se como um expoente da MPB, misturando ritmos nordestinos com reggae, rock, pop e referências da música africana, com letras com forte elaboração poética.
Por ter nascido no interior da Paraíba, desde cedo teve contato com a música popular, os cantadores nordestinos e a literatura de cordel. Ainda criança, trabalhou em uma loja de discos, experiência que lhe permitiu conhecer artistas e estilos musicais variados. Aos 16 anos, mudou-se para João Pessoa, onde estudou Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Durante a juventude, participou do Jaguaribe Carne, coletivo de vanguarda que reunia músicos e poetas paraibanos. A experiência contribuiu para desenvolver uma característica que se tornaria central em sua obra: a aproximação entre música, poesia e experimentação.
Aos 21 anos, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como jornalista e revisor de textos na Editora Abril. Paralelamente, aperfeiçoou-se no violão, passou a compor suas próprias músicas e começou a se apresentar em pequenos espaços da cena musical paulistana.
A carreira musical deu um passo decisivo em 1991, quando ele foi convidado a realizar uma turnê pela Alemanha. O sucesso das apresentações o levou a abandonar o jornalismo para dedicar-se integralmente à música. Novamente em São Paulo, formou a banda Cuscuz Clã e voltou a se apresentar no circuito alternativo da cidade.
Em 1995, lançou seu primeiro álbum, "Aos Vivos". Gravado ao vivo em formato acústico, o disco chamou atenção para seu trabalho autoral. No ano seguinte, o álbum de estúdio "Cuscuz Clã" consolidou sua projeção nacional: ele ganhou o Prêmio Sharp de revelação regional e o prêmio de melhor compositor da Associação Paulista dos Críticos de Arte.
Além do reconhecimento por parte da crítica, Chico César também se tornou um fenômeno popular. Em 1996, a música "À primeira vista", gravada ao vivo no primeiro disco e em estúdio no segundo, também entrou na trilha sonora da novela "O Rei do Gado" (Globo) na voz de Daniela Mercury. Em 1997, o videoclipe de "Mama África" foi premiado com o troféu VMB da MTV Brasil.
Após esse começo promissor, construiu uma sólida carreira como cantor e compositor. Ao todo, foram 11 discos de estúdio, que trazem parcerias com nomes como Lenine, Geraldo Azevedo, Zeca Baleiro e os músicos africanos Salif Keita e Ray Lema. Com o álbum "Estado de Poesia Ao Vivo", lançado em 2017, venceu o Prêmio da Música Brasileira na categoria pop/rock/reggae/hip-hop/funk.
Paralelamente à carreira musical, Chico César também se enveredou pela literatura. É autor de três livros de poesia: "Rio Sou Francisco", "Cantáteis – Cantos elegíacos de amozade" e "Versos Pornográficos". Este último foi indicado ao Prêmio Jabuti de melhor livro de poesia em 2016.
Chico César também foi presidente da Fundação Cultural de João Pessoa e secretário de Estado de Cultura da Paraíba.