RICHARD MURAD MACEDO, delegado federal Classe Especial, superintendente regional da Polícia Federal em Minas Gerais
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 26/08/2026
Página 4, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 19435 de 2026
Normas citadas RAL nº 5658, de 2026
31ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 24/8/2026
Palavras do Sr. Richard Murad Macedo
Boa noite a todos. Boa noite, deputado presidente Tadeu Leite. É uma satisfação enorme estar aqui, na Casa do Povo de Minas Gerais, recebendo esta homenagem hoje. Sou muito agradecido a todos vocês, especialmente pela ocasião especial que proporcionam a mim e à Polícia Federal nesta data.
Desembargadora Mônica Sifuentes, minha amiga, obrigado pela presença. Dr. Paulo de Tarso Morais Filho... O Dr. Paulo de Tarso me constrange aqui hoje. A última solenidade em que eu estive com o Dr. Paulo de Tarso foi na posse do Dr. Carlos Henrique. Ele é sempre muito eloquente com as palavras. Meu amigo de Roraima, Gen. Fructuoso, é uma satisfação enorme tê-lo conosco. Dr. Carlos Henrique, nosso parceiro do Ministério Público Federal, muito obrigado pela presença, meu amigo. Dr. Tarcísio... De fato, o Dr. Tarcísio foi o orador na posse do Carlos Henrique. Realmente, a eloquência do Dr. Tarcísio ficou registrada ali – não é, Dr. Carlos Henrique? –, de uma forma que constrange os demais oradores quando estão perto dele. Nosso procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, Dr. Max, muito obrigado pela presença mais uma vez. Agradeço a todos os colegas policiais militares, ao Corpo de Bombeiros, à Polícia Civil, à nossa Secretaria de Justiça, a todos os representantes do nosso coral da Ansef. Mais uma vez: foi belíssima a apresentação. Sou extremamente agradecido a vocês pela forma como representam a Associação Nacional de Policiais Federais. Agradeço aos representantes das nossas associações de classe, Robini, Dr. Roger... Acho que o Flávio também está aqui conosco, o Miguel, enfim. Agradeço a todos que estão aqui representando as entidades de classe e os servidores da Polícia Federal, a todos os colegas policiais federais. Minha esposa, Sabrina, minhas filhas Alice e Helena, meus amores, muito obrigado pela presença de vocês.
Sr. Presidente, Sr. Deputado Estadual Gustavo Santana, autor desta generosa e comovente iniciativa. O senhor não imagina o quão relevante é para mim este momento, sim, deputado. Muito obrigado mais uma vez. Sras. e Srs. Deputados, autoridades civis, militares, eclesiásticas e do Poder Judiciário; irmãos e valorosos servidores da Polícia Federal e das forças integradas de segurança pública; minhas senhoras e meus senhores. Se o deputado Gustavo Santana afirmou há pouco que esta Casa hoje não cumpre uma formalidade regimental, mas salda uma dívida de justiça, cabe a mim iniciar esta fala com a humildade de quem reconhece o contrário. O verdadeiro devedor nesta data solene sou eu: a dívida de uma vida inteira com a terra que não apenas me acolheu, mas me forjou no caráter, na têmpera, no ideal republicano. O nobre deputado lembrou com maestria que a Bahia me deu o berço e a voz altiva de Rui Barbosa. É verdade, mas permitam-me completar essa simetria. Se de Salvador herdei a convicção de que a legalidade é a fiadora da liberdade, foi nas montanhas de Minas que esse sentimento ganhou alma e destino.
Não há como subir a esta tribuna sem evocar a Inconfidência Mineira. Foi aqui, nas ladeiras históricas, que os inconfidentes ensinaram ao Brasil que a liberdade, ainda que tardia, não é dádiva, mas conquista forjada na coragem de quem não se dobra ao arbítrio. Tiradentes e seus companheiros sonharam com uma terra soberana, justa e livre. É exatamente dessa matriz histórica que extraímos o compromisso inegociável de nossa instituição. A Polícia Federal é, por essência e vocação constitucional, uma instituição de Estado, estritamente republicana, desprovida de qualquer viés político ou ideológico e guardiã intransigente da ordem democrática e do Estado Democrático de Direito. Não servimos a governos, a partidos, a conveniências ou a conjunturas de ocasião. Servimos ao povo brasileiro, à Constituição e à estrita observância das leis.
Essa postura republicana e técnica não aprendi apenas nos meus compêndios jurídicos da Universidade Católica de Minas Gerais, mas na mesa simples de meu pai, quando menino, ao descer as serras rumo a Manhuaçu. Como o senhor disse, deputado, ali aprendi que a retidão deve ser a mesma no claro e no escuro e que a autoridade só se legitima quando exercida com impessoalidade, serenidade e espírito público. Ao longo de minha trajetória pelas fronteiras do Acre e do Amazonas e no comando em Roraima, a defesa da soberania e do patrimônio ambiental sempre esteve no centro do meu dever. Vimos de perto, na Operação Tori, que a cobiça predatória e clandestina sobre as terras yanomami protegidas destrói os ecossistemas e a ordem jurídica.
Hoje, à frente da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais, esse dever republicano ganha contornos de absoluta clareza técnica e responsabilidade socioeconômica. Minas Gerais traz a mineração em sua história, em seu DNA e no seu próprio nome. Precisamos afirmar, com franqueza e altivez, que a atividade de mineração lícita, técnica e sustentável é fundamental e indispensável para a geração de empregos, para a arrecadação pública e para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais e de todo o Brasil. O empreendedor que cumpre a lei, investe em segurança, respeita as comunidades e protege os recursos naturais é um parceiro vital ao progresso nacional. Em contrapartida, exatamente para proteger o setor sério, a economia legal e a sociedade, a mineração ilegal e predatória precisa ser combatida com o máximo rigor da lei. O nosso solo carrega as feridas indeléveis de Mariana e de Brumadinho. Aquelas perdas humanas irreparáveis impõem um mandamento ético. O combate à corrupção e à clandestinidade é a forma mais eficaz e urgente de prevenir novos desastres. Onde há fraude em laudos técnicos, usurpação de patrimônio da União, cooptação de agentes públicos e licenças obtidas à sombra da propina, o que está em risco não é apenas a rigidez administrativa: são vidas humanas e a segurança coletiva.
É sob essa premissa de rigor técnico e isenção que a Polícia Federal atua. A Operação Rejeito traduz com precisão essa postura. Ao asfixiar esquemas de fraudes em licenciamento e corrupção em áreas de preservação, a PF não atua contra o desenvolvimento, mas a favor da legalidade, separando de forma intransigente quem constrói a riqueza do País de quem pratica rapinagem contra o nosso patrimônio. Conduzimos esse trabalho alicerçados nos princípios constitucionais da legalidade e da confiança que a população deposita na Polícia Federal.
O deputado Gustavo Santana disse que esse título não é apenas uma honraria, mas uma certidão de pertencimento e parentesco. Recebo esse abraço com profunda reverência. Divido este momento com cada mulher e homem da Polícia Federal e das forças de segurança, com a minha família e com a memória e o exemplo de integridade dos meus pais. Muito obrigado a todos. Viva a democracia! Viva Minas Gerais! Muito obrigado.