Pronunciamentos

DEPUTADA LOHANNA (PV)

Declaração de Voto

Critica declarações de Paulo Figueiredo, pensador do movimento bolsonarista, sobre o voto feminino. Comenta o cenário eleitoral para a Presidência da República. Destaca que Michelle Bolsonaro teria sido usada para amenizar discurso conservador contrário às mulheres e que passou a ser atacada ao buscar maior protagonismo político.
Reunião 28ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 02/07/2026
Página 123, Coluna 1
Indexação

28ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 30/6/2026

Palavras da deputada Lohanna

A deputada Lohanna – Boa tarde, presidente. Bem-vindo de volta à Assembleia. Boa tarde a todos que nos acompanham e aos servidores da Casa. Quero falar muito rapidamente sobre os acontecimentos dos últimos dias. Acho que este é um momento de muita análise sobre aonde a gente quer chegar enquanto sociedade, quando um grupo tão relevante, tão importante e tão numeroso da sociedade, como o das mulheres, é reiteradamente desrespeitado. Acho importante que todas as mulheres saibam direitinho o que o guru, o grande pensador do movimento bolsonarista do Brasil, Paulo Figueiredo, pensa das mulheres. Você, que não sabe do que estou falando, sinta-se lisonjeado, porque é sinal de que a sua saúde mental está protegida, que você não está tendo acesso a esses absurdos na internet. Eu, infelizmente, recebo esse tipo de coisa a todo momento. O Paulo Figueiredo fez uma live de mais de uma hora e meia, na qual falou absurdos sobre as mulheres. Ele destilou o ódio e o preconceito dele. E cabe lembrar: Paulo Figueiredo é neto do Gen. Figueiredo, um dos últimos ditadores da ditadura no Brasil. Sabe o que ele é também, presidente? Chaveirinho do Eduardo Bolsonaro, do Flávio Bolsonaro; é articulador das agendas deles na Casa Branca. Esse cidadão teve a coragem de falar que as mulheres votam muito mal. Ele disse que as mulheres casadas votam um pouquinho melhor, porque os maridos influenciam o voto, e os votos ficam mais aceitáveis, mas as mulheres solteiras… “Hum, aí o voto é lamentável.” Tenho dito, presidente, que a disputa pela camisa 10 do presidente Lula está muito acirrada. Em alguns momentos vemos o Eduardo Bolsonaro querendo vestir essa camisa; em outros momentos, vemos o Paulo Figueiredo; em outros momentos, o próprio Flávio Bolsonaro, com o escândalo do Dark Horse. Todo mundo está querendo ajudar o presidente Lula a vencer no primeiro turno. Acho que vale a gente prestar atenção porque o voto feminino foi fundamental para eleger o presidente Lula e derrotar o hoje presidiário Bolsonaro, em 2022. E parece que vai ser assim de novo, porque, na última pesquisa da Quaest, duas semanas atrás, presidente, as mulheres preferiam – foram 17 pontos a mais – o presidente Lula a Flávio Bolsonaro. É muito óbvio o motivo pelo qual a gente o prefere. Enquanto há um grupo político que diz que os nossos votos são ruins, que os nossos votos são burros, que quer usar as mulheres, como agora a Michelle Bolsonaro percebeu que está sendo usada, enquanto outros são alçados à posição de poder mesmo sem conseguirem juntar lé com cré, mesmo sem o mínimo de capacidade intelectual, há um outro campo político lutando para que a gente avance. O machismo, presidente, é suprapartidário. A gente percebe que isso infelizmente é um fato. Mas, definitivamente, no bolsonarismo, o machismo é hegemônico. É lá que ele tem mais força. É lá que ele ecoa mais. É lá que ele ressoa mais e é lá que há as maiores lideranças defendendo esse tipo de ideologia. Acho importante a gente lembrar que hoje está sendo votado, no Congresso Nacional – há a perspectiva de ser votado –, o projeto que criminaliza a misoginia. Esse tipo de fala do Paulo Figueiredo é uma fala misógina que deve ser responsabilizada, porque dizer que os votos das mulheres são ruins… O que é ruim? O que ele chama de ruim? Ele chama de ruim uma mulher não votar contra aqueles que defendem o fim dos seus interesses, uma mulher defender os próprios interesses, os seus direitos, os direitos de suas amigas, das mulheres de sua família? É muito importante a gente acompanhar de perto essa votação e ver como os deputados federais de Minas Gerais vão participar. Há uma coisa para a gente refletir sobre tudo isso. Presidente, há uma série baseada num livro que se chama O Conto da Aia. Todo o mundo que já abriu a tela da Netflix já viu lá a propaganda: O Conto da Aia. É uma distopia que conta como seria o mundo num golpe da extrema-direita conservadora, em que uma das primeiras coisas a ser atacada é a liberdade reprodutiva das mulheres. Para a mulher comprar contraceptivo, ela começa a precisar da autorização do marido. Depois, mais nenhuma mulher é autorizada. A distopia vai escalando até chegar ao momento em que as mulheres são classificadas como boas ou más, úteis ou inúteis, escravas sexuais ou serviçais do lar. Chega a esse ponto. Há uma mulher muito importante nessa série que se chama Serena Joy. Na minha opinião, ela é o símbolo do que a Michelle Bolsonaro representa hoje, porque não dá para você vender um discurso totalmente contra as mulheres sem que uma mulher sirva de garota propaganda, fazendo com que esse discurso pareça mais ameno. Presidente, só peço mais uns segundinhos para eu terminar. A Michelle Bolsonaro serviu para isso. Ela serviu para propagar um ideário conservador, para dizer que aquilo não era tão ruim, para dizer que ali as mulheres teriam espaço, para dizer que ali as mulheres seriam respeitadas. Na série, presidente, quando a Serena Joy tenta colocar as suas asinhas para fora, quando ela começa a querer um pouco de poder, quando ela começa a querer ser reconhecida, sabe o que acontece com ela, deputado Cristiano? Eles cortam o dedo dela. Agora, o que eu senti é que a Michelle Bolsonaro tentou colocar as asinhas para fora. Tentou ter um pouquinho mais de poder, tentou ser reconhecida por todo o trabalho que ela faz pela direita. Eles estão tentando cortar o dedo dela. E ela está dizendo: “Aqui não, gavião”. Vamos observar como vai ficar essa história, como o campo político do bolsonarismo vai ficar, mas, enquanto eles brigam entre si e atacam as mulheres, a principal fatia do eleitorado importante para o presidente Lula ganhar, a gente segue defendendo o Brasil dos nossos sonhos e construindo um futuro de esperança para todo o povo brasileiro. Tomara que, do lado de lá, ainda haja muita briga e confusão. Obrigada, presidente.