DEPUTADO RICARDO CAMPOS (PT)
Declaração de Voto
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 15/05/2026
Página 93, Coluna 1
Indexação
23ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 13/5/2026
Palavras do deputado Ricardo Campos
O deputado Ricardo Campos – Obrigado, nobre colega deputada Leninha. Caros colegas deputados e caras colegas deputadas, mais uma vez, venho a esta tribuna, primeiro, para saudar esta Casa. Quero cumprimentar o deputado Grego da Fundação e todos os colegas pela aprovação do Projeto de Lei nº 4.411/2025. Tudo que é bom para o Estado não tem que ter lado político nem bandeira partidária; tem que ter povo. Esse projeto vai ser muito importante, pois vai garantir a criação de um grupo que vai fazer a avaliação anual das condições de infraestrutura do nosso estado do ponto de vista da educação e das nossas escolas. Por que falo isso? Porque, pasmem, temos um governo que prioriza a politicagem de entregar veículos e equipamentos de educação e de saúde em detrimento meramente de ação eleitoreira. Caro amigo Sandro, caros amigos e amigas que nos acompanham pela TV Assembleia, como o vereador Alisson Picó, de São João das Missões, muitas vezes, o governo faz a politicagem, alia seus compromissos eleitorais, entregam veículos para municípios que não precisam renovar a frota, como aconteceu recentemente, em vez de fazer o mínimo para garantir condições de educação ao nosso estudante. Digo isso porque, na última sexta-feira, estive na querida cidade de São João das Missões, na Escola Indígena Kuhinan Xacribá, localizada na Aldeia Rancharia, e pude constatar um descaso, um absurdo por parte do governo do Estado. Trata-se de uma escola com mais de trezentos estudantes que não tinha sequer um pátio para brincar durante o recreio, no horário de lazer. Uma escola que não tem uma mesa e uma cadeira para o estudante indígena se sentar para merendar, comer o seu lanche, que talvez seja a única refeição do dia. Pude ver com esses olhos salas de aula, bibliotecas construídas com o suor dos professores e da população daquela comunidade. Vergonhosamente, há omissão do Estado para com uma população que tem que ser priorizada, que é a população indígena xacriabá, assim como outros povos indígenas do nosso estado, que são os nossos principais agentes atendidos. Deputada Leninha, deputado Doutor Jean Freire, não foi diferente na Escola Estadual de Grão Mogol, na Escola Estadual Josefino Barbosa, em Itacarambi. O Estado tem sido omisso, tem deixado de fazer, tem prevaricado em relação à coisa básica. Não tem dado condição mínima de higiene. Os banheiros dessas escolas estão destruídos. Os refeitórios e as cantinas estão em condição insalubre. As nossas digníssimas cantineiras, que preparam com amor a refeição dos alunos e dos professores, não têm condição nem de trabalhar. Vimos essa situação também na Escola Estadual, em Padre Carvalho. Esse projeto de lei que foi aprovado poderá ajudar para termos um critério. O Estado não pode fazer meramente ação eleitoreira doando veículos para renovar a frota da cidade onde o prefeito comprou veículo há menos de três anos e, com isso, deixar de fazer investimento próprio, que é a sua obrigação. Só para ter ideia, Leninha, presidenta do meu Partido dos Trabalhadores e que preside esta reunião, essa mesma demanda que trago da escola estadual de Rancharia, do povo xacriabá, tem uma planilha há mais de dois anos na Superintendência Regional de Educação de quase R$1.000.000,00. E o Estado, mais uma vez, tampa os olhos, e vê-se que a realidade não está sendo atendida. Então quero trazer a minha indignação e o meu repúdio a esses governos que não priorizam quem mais precisa, mas que favorecem seus amigos. E, é claro, também não poderia deixar de trazer mais um absurdo da política brasileira: o Flávio Rachadinha pedindo doação para os seus amigos do Banco Master. E a doação, gente, claro, é em forma de caixa dois, em forma de lavagem de dinheiro, porque, para aprovar projetos de lei de incentivo, para aprovar projetos de bibliografia do nosso cinema brasileiro, nós temos a Lei Rouanet, que poderia apoiar qualquer projeto, independentemente de filiação partidária. Então trago esse nosso repúdio a esse comportamento politiqueiro do Estado e a essa questão tão absurda do Flávio Rachadinha. Muito obrigado, presidenta.