Pronunciamentos

DEPUTADO CARLOS PIMENTA (PSB)

Discurso

Destaca a realização do lançamento da 52ª Exposição Agropecuária de Montes Claros – Expomontes. Comenta problemas enfrentados por produtores rurais do Norte de Minas e alerta que medidas ambientais cada vez mais rígidas estariam impondo dificuldades extremas aos agricultores da região. Ressalta a importância do agronegócio.
Reunião 22ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/05/2026
Página 74, Coluna 1
Indexação

22ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 12/5/2026

Palavras do deputado Carlos Pimenta

O deputado Carlos Pimenta – Excelentíssimo e caríssimo presidente, deputado Dalmo Ribeiro; Srs. Deputados e Sras. Deputadas; senhoras e senhores, ontem, no dia 11 de maio de 2026, tivemos a honra de participar do lançamento da 52ª Exposição Agropecuária de Montes Claros – Expomontes –, a maior exposição agropecuária de Montes Claros e do Norte de Minas e uma das maiores de todo o Estado de Minas Gerais. A Expomontes não é apenas uma festa. Ela representa a força do nosso povo, a tradição do campo, a pujança do agronegócio e a capacidade de trabalho de homens e mulheres que acordam cedo todos os dias para produzir riquezas, gerar empregos e colocar alimentos na mesa do povo brasileiro. É um evento que movimenta toda a economia regional: hotéis lotados, comércio aquecido, restaurantes cheios, com empregos temporários sendo criados, famílias participando e centenas de milhares de pessoas circulando em um ambiente de negócios, cultura, entretenimento e valorização da nossa identidade rural.

Também fiz questão de destacar a grandiosidade da programação artística, os grandes shows preparados por essa edição e a beleza de um evento que já se tornou patrimônio cultural e econômico do Norte de Minas. Mas não poderia deixar de externar a minha profunda preocupação com um momento difícil vivido pelos trabalhadores e produtores rurais brasileiros. Enquanto o homem do campo trabalha, produz e sustenta a economia nacional, vemos crescer a insegurança jurídica no País. Infelizmente, decisões recentes do STF têm provocado enorme instabilidade institucional, inclusive com atropelos e interferências nas competências do Congresso Nacional, gerando incertezas para quem produz, investe e gera empregos. Além disso, propostas legislativas e medidas ambientais cada vez mais rígidas vêm impondo dificuldades extremas aos produtores do Norte de Minas.

Aqui faço questão de lembrar uma realidade que muitos em Brasília desconhecem. O proprietário rural do Norte de Minas já sofre todos os anos com as secas prolongadas, com a escassez hídrica e com as dificuldades impostas pelo clima severo de toda a nossa região. Sai ano, entra ano, e a única certeza que temos é a de que teremos mais uma seca, que vai assolar a nossa região e impactar muito a produção agrícola. Ele também sofre com a falta de segurança no campo e assiste muitas vezes, impotente, à escalada da violência dentro de suas próprias propriedades. Muitos produtores nem sequer possuem o título definitivo das suas terras. Vivem há décadas aguardando a regularização fundiária e, por isso, não conseguem acessar crédito rural, financiamentos e empréstimos bancários para investir e produzir. E agora, além de todas essas dificuldades históricas, veem-se diante da ameaça de não poderem mais trabalhar em suas próprias terras por conta da imposição absurda e de mudanças radicais que querem implantar na legislação ambiental. Isso é inaceitável.

Muitos produtores rurais preservam muito além do que a legislação exige – cuidam das nascentes, da vegetação nativa, do solo e do meio ambiente –, mas, ainda assim, são tratados como criminosos. O produtor rural não pode ser visto como inimigo da natureza. Pelo contrário, é ele quem mantém grande parte das suas áreas preservadas em todas as florestas, em todos os estados e, de maneira muito especial, aqui, no Estado de Minas Gerais. Defender o agro, defender a produção agrícola não significa ser contra a preservação ambiental. Significa defender equilíbrio, razoabilidade, segurança jurídica e respeito àqueles que cumprem as leis.

Quero aqui fazer um chamado firme e responsável. Os produtores rurais, os órgãos representativos, como a Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais e a Confederação Nacional da Agricultura, os sindicatos, as cooperativas e também os políticos que têm coragem de levantar a bandeira da produção rural precisam permanecer unidos e vigilantes. Precisamos estar atentos a todas as tentativas de enfraquecer a força econômica que nasce no campo e sustenta o Brasil. Não podemos aceitar narrativas que criminalizam quem produz nem medidas que sufocam o setor produtivo com excesso de burocracia, insegurança jurídica e perseguições ideológicas. Quem conhece a realidade do campo sabe que o produtor rural brasileiro é, antes de tudo, um trabalhador, um preservador e, acima de tudo, um patriota. Por isso, conclamei todas as entidades representativas e lideranças do agro que defendem o direito à terra, o direito à produção e o direito ao uso responsável da produção rural e da propriedade rural. O Norte de Minas não aceita ser tratado com preconceito ou abandono. O agro sustenta Minas Gerais. O agro sustenta o Brasil. Quem produz merece respeito, reconhecimento e segurança para continuar trabalhando.

Parabéns à Sociedade Rural de Montes Claros, aos organizadores, aos patrocinadores, aos expositores e a todos que fazem da Expomontes um símbolo da força do nosso povo. Quero destacar também a participação, na abertura oficial da Expomontes, de Montes Claros, do senador Carlos Viana; do governador Mateus Simões, representante do governo do Estado; do presidente Tadeuzinho, presidente desta Casa; e de vários outros deputados, porque é dessa forma que saímos da retórica para a prática. É muito fácil subir a uma tribuna, é muito fácil levantar a bandeira de uma entidade, como a do agronegócio e a dos produtores rurais, mas é muito mais difícil você mostrar a sua cara, estar presente, enfrentar e não recuar, porque é isso que querem dos produtores rurais, principalmente do Norte de Minas. Quantas e quantas barragens já foram anunciadas por vários governos? É só a época da eleição chegar, para falarem “vão retomar a barragem de Jequitaí” ou “vão retomar a barragem naquele rio, naquela cidade, naquela região”. No entanto, depois que isso passa, vem um silêncio sepulcral, um silêncio ensurdecedor. É um silêncio que faz doer os nossos ouvidos, porque, quando precisam aparecer, quando precisam levantar essa bandeira, aparecem muitos, mas, na hora da defesa… E precisamos muito, muito mesmo, defender o agro.

Hoje, na reunião que tivemos com a Faemg, o deputado Antonio Carlos Arantes, desta Casa, falou de um dado muito importante: pelo segundo ano consecutivo, a balança comercial gerada pelo agro ultrapassou a força da indústria brasileira. É o agro que sustenta o nosso país. É o agro que muitas vezes tapa as brechas das decisões equivocadas de vários governos e está sempre trabalhando, sempre acreditando e sempre tendo essas dificuldades todas. Então estou feliz com a participação desta Casa, de mais de quinze deputados, no encontro que tivemos, Dalmo, na Faemg. Ouvimos o apelo do presidente Toninho, da Faemg, convocando esta Casa para estar atenta e vigilante. Aqui, não. Aqui nós estaremos, além de atentos e vigilantes, prontos para erguer, com força e determinação, o agro. Quando falo “agro”, falo do pequeno produtor rural, da agricultura familiar, do grande produtor rural, do exportador, daquelas pessoas que fazem este Brasil bonito ser admirado pelo mundo todo, mas, muitas vezes, maltratado pelas autoridades do nosso país. Muito obrigado.