REYNALDO PASSANEZI FILHO, economista, diretor-presidente da Companhia Energética de Minas Gerais - Cemig
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 05/05/2026
Página 4, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 2621 de 2023
RQN 17539 de 2026
Normas citadas RAL nº 5650, de 2026
10ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 30/4/2026
Palavras do Sr. Reynaldo Passanezi Filho
Exmo. Sr. Deputado Gil Pereira, neste ato, representando o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Tadeu Martins Leite; Exmo. Sr. Deputado Gustavo Valadares, autor da indicação que me traz aqui esta noite, a quem agradeço a generosidade de ter me enxergado mineiro e de ter visto motivo para esta honraria que demonstra o que a Cemig é hoje; Exmo. Sr. Deputado Roberto Andrade; Exmo. Sr. Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, desembargador Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior; Exmo. Sr. Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas, Lyssandro Norton; Exma. Sra. Diretora-Presidente da Companhia de Saneamento de Minas Gerais – Copasa –, Marília Carvalho de Melo; minha família; companheiros e companheiras da Cemig; autoridades; amigos; senhoras e senhores. Eu nasci em Araçatuba, interior do Estado de São Paulo. Minha mãe, Leda, aqui presente, foi e é o meu centro. É ela quem me ensina o significado de amor e de caráter todos os dias. Se eu tenho alguma coerência, deputado, aqui está a origem. Fui estudar em São Paulo aos 16 anos de idade. E lá fiz a maior parte de minha carreira e, sobretudo, a minha família. A Paula também está aqui presente. Ela me deu a alegria de ter duas filhas maravilhosas: Bruna e Beatriz. A Bruna, também presente, é médica. A Beatriz é engenheira e hoje está estudando em Singapura. Filhas querida, razão da minha vida, tudo o que faço é pensando em vocês e na felicidade de vocês, é buscando ser o exemplo de profissional, de pai, de homem que as orgulha com amor e com trabalho. Foi essa gente que me fez, foi essa gente que eu trouxe comigo para Minas, graças ao convite feito pelo governador à época, Romeu Zema, e pelo presidente do Conselho de Administração, Márcio Utsch, a quem muito agradeço. Em janeiro de 2020, dois meses antes da pandemia, o Doni, meu companheiro aqui presente, entrou na minha vida e me ajudou a atravessar a pandemia e os desafios de um recém-chegado. Meus amigos, esse convite do governador Romeu Zema e do presidente Márcio Utsch mudou a minha vida.
Deputado, eu carregava, desde os meus tempos de Stanford, um ditado que me move até hoje: change lives, change organizations, change the world, que significa transformar vidas, transformar organizações, transformar o mundo. Esse era e segue sendo a forma como eu entendo o trabalho de uma vida. Liderar a Cemig com todo o seu passado, a sua grandiosidade e a sua importância para Minas era o tipo de oportunidade para realizar esse sonho, esse ditado. É o tipo de chamado que muda o homem. Foi assim que tentei trabalhar: transformando a Cemig para que ela transformasse vidas e para que fosse de novo a força do desenvolvimento de Minas.
O que esses seis anos entregaram, o que esta Casa e o nobre deputado Gustavo Valadares enxergaram ao me conceder esta honraria? A Cemig fornece uma energia mais confiável hoje do que em qualquer momento de sua história. São menos de 9 horas por ano sem energia, em média, para cada mineiro, um recorde histórico. A Cemig investe mais do que jamais investiu na sua história. Mais de cento e cinquenta novas subestações foram entregues nesse período, transformando, como disse a presidente Ana, o Vale do Jequitinhonha em Vale do Lítio. A Cemig só investe em Minas; nem um único centavo é investido fora de Minas. Não foi um caminho sem hesitação. A transformação que eu queria fazer encontrou resistência: resistência ao novo, resistência à mudança. Eu encarei essas resistências com coragem, com determinação e com o apoio decisivo de quem não está mais entre nós, porque isso era, dentro das minhas convicções, o melhor que eu podia fazer para o estado que tinha aceitado me receber.
Saio renovado desse processo, com mais Minas em mim, muito mais Minas em mim, e com uma admiração e uma paixão indescritíveis por este estado que me faz sentir acolhido e amado e que agora me adota. Mais Minas em mim significa o café antes do negócio; a conquista lenta que se perpetua; o escutar, o aprender e o respeitar o outro. Mais Minas em mim também significa incorporar a história e a tradição, a luta por liberdade e as igrejas, incorporar mais beleza com suas montanhas, cachoeiras e veredas e incorporar mais sabor nas coisas simples da vida, na gastronomia, na música, na cultura.
Conheci uma Minas que prospera pelos olhos da Cemig. Agradeço ao deputado Roberto Andrade por essa frase maravilhosa. Conheci tudo isso caminhando e conversando, nesses últimos seis anos, por grandes cidades do interior – que são estados dentro do Estado – e por ouros, ouros escondidos, que só quem caminha devagar encontra. Quero mencionar algumas pessoas especiais nesse caminho. A dona Deuzani, que eu conheci no Vale do Jequitinhonha há três semanas, me ensinou que o barro trabalhado pela mão vira gente e vida em Minas. O Miguel me apresentou as cachoeiras de Conceição do Mato Dentro, terra de Márcio Utsch, aqui presente, referência mineira de homem e de profissional. O Leidson, que eu conheci no Vale do Peruaçu, me mostrou que caverna pode ser catedral. O seu Bigode, do Mercado Central, é quem me separa a melhor fruta, com um sorriso e um esmero sem igual. Ao Mário, meu motorista, eu faço uma homenagem especial. A tua discrição e a tua correção são guias da minha vida. Tenha absoluta certeza disso. Muito obrigado, Mário.
Talvez o símbolo mais concreto dessa conquista seja o local onde moro: o Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade. Eu não quis morar perto do patrimônio de Minas, eu quis morar dentro dele. Vou fazer aqui uma última menção ao Tião, mestre das pedras, de Diamantina. Afinal, Juscelino nasceu em Diamantina. Juscelino honra este auditório. E foi Juscelino quem criou a Cemig, em 1952, muito antes de Brasília, muito antes de todo o seu significado de modernidade e transformação para o Brasil. A Cemig nasceu desse sonho. Quando vim presidir a Cemig, não recebi uma cadeira. Eu recebi uma herança. E recebi um sonho. Tudo o que eu tentei – e seguirei sempre tentando – foi fazer a Cemig ser o orgulho que Juscelino acreditou e conseguiu: que a Cemig sempre fosse um exemplo para os mineiros.
Quero terminar agradecendo a quem ainda não agradeci: aos colaboradores e às colaboradoras da Cemig, por cada religamento de madrugada, cada atendimento numa comunidade rural, cada subestação que entrega energia aonde antes ela não chegava. Este título é tanto meu quanto de vocês. Muito mais, pessoal, muito mais que os prêmios de melhor empresa do Brasil, que recebemos no ano passado, o que mais me orgulha é comemorar os prêmios de melhor equipe e de melhor eletricista do Brasil e da América Latina, que a Cemig acabou de receber. Saibam que contribuir para o talento e o brilho nos olhos de vocês é o que me move como executivo e como pessoa. Trabalhar lado a lado com vocês, posso garantir, foi a melhor parte desse ofício. Quero também agradecer ao povo de Minas, em cada município que visitei, em cada café que tomei, em cada subestação que pude inaugurar. Esta Casa, que representa o povo mineiro, me outorga o título. É ao povo mineiro a quem agradeço esta honra, com toda a minha gratidão. Cheguei a Minas como presidente da Cemig. Depois de tudo que esta terra me deu e me dá, saio transformado, fortalecido, orgulhoso e mineiro. Muito obrigado.