Pronunciamentos

DEPUTADO LELECO PIMENTEL (PT)

Discurso

Critica a reação do governador do Estado ao discurso do prefeito do Município de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, na cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência, ocorrida naquele município, em 21 de abril, e apresenta requerimento do Bloco Democracia e Luta em apoio ao prefeito. Comenta a exoneração de Rossieli Soares, ex-titular da Secretaria de Estado de Educação - SEE -, em virtude de denúncias envolvendo contratos de compra de livros didáticos. Destaca a importância histórica da Inconfidência Mineira e critica o apagamento de lideranças populares na historiografia oficial. Alerta para suposta antecipação de campanha eleitoral e anúncios de obras sem projetos executivos ou dotação orçamentária pelo Executivo.

19ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 28/4/2026

Palavras do deputado Leleco Pimentel

O deputado Leleco Pimentel – Saudação de boa tarde aos deputados e às deputadas presentes no Plenário desta Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Nós estamos aqui também com o intuito de fazer deste espaço um lugar para ecoar questões importantes da política e também da vida da população de Minas Gerais. Cada um de nós conta um conto a partir do seu ponto, mas é preciso que essa tecitura nos permita ter uma leitura da conjuntura e que nos traga, no mínimo, esclarecimento. Eu sempre digo que o esclarecimento é o instrumento da libertação.

Eu venho após a fala do egrégio deputado Carlos Pimenta. Parecia que ele estava iniciando aqui o debate que tenho após o vexame que o ex-vice, junto com o ex-governador, promoveu na Praça Tiradentes nesse 21 de abril, imbuído do estado do autoritarismo daquele de que até a mídia já está fazendo chacota. Não preciso repetir. Há um governador agora que cismou que é o Estado. Ele é o “eu”. Tudo é “eu”: “Eu estou abrindo uma escola cívico-militar ali, eu estou abrindo uma escola Tiradentes acolá, eu estou anunciando uma obra de asfaltamento que não tem dinheiro, nem dotação, nem projeto. Eu estou dando ordem de serviço para aqui, para acolá”, e virou uma anedota no Estado de Minas. É por isso que os números do Zema… Como tinha razão aquele filho, o filhote da ditadura, aquele do pandemônio, da pandemia. Ele falava, e escreveu num bilhetinho, que o Mateus Simões provavelmente puxaria a sua candidatura para baixo em Minas Gerais. Eu nunca vi nada tão profético. É por isso que os números de Zema despencam. Aliás, a pesquisa Quaest dizia que Zema já deixou o barco com ele afundando.

Essa tristeza só vai se alarmando na medida em que agora, por conta de corrupção, roubo, o secretário de Educação não só quase colocou os jovens para se matar no Mineirão com aquela bendita – maldita, perdão – tentativa de quebrar o recorde no Guinness Book, que acabou com agressão entre jovens no Mineirão… Ele, no calar da noite, no apagar das luzes, promoveu uma verdadeira forma de usurpação e de roubo do dinheiro da educação de Minas, colocando um livreto… Por conta da corrupção que fez no Pará, por conta da corrupção que fez em São Paulo e que também fez no ministério, quando assumiu, no governo Bolsonaro, ele promoveu uma forma de roubo mais nojenta e nefasta, por isso foi exonerado. O secretário Rossieli roubou R$368.000.000,00, publicando um livro que é um livreto, uma coisa malfeita e, como alguns dos deputados já até alertaram, com erros grosseiros de português. Não tiveram tempo nem de fazer uma revisão naquele material absurdo. E foi exonerado, não porque o governador não sabia, mas porque, na tentativa de livrar-se também de ser “impeachmado”… Acho que nós temos motivos suficientes para abrir uma CPI contra Mateus Simões aqui, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, por conta do desvio e do roubo dos recursos da educação. Agora, esse Fanfarrão Minésio, pseudônimo daquele que foi a Ouro Preto desrespeitar o livre discurso que proferiu o prefeito Angelo Oswaldo na Praça Tiradentes, no 21 de abril…

Então eu trago neste Plenário o requerimento assinado por todas as deputadas e todos os deputados do Bloco Democracia e Luta – 20 assinaturas a serem dirigidas ao prefeito de Ouro Preto e ao povo de Ouro Preto. Faremos chegar a manifestação por todos assinada: “Que seja formulada manifestação de apoio ao Angelo Oswaldo de Araújo Santos pelo lamentável episódio ocorrido durante a cerimônia da Medalha da Inconfidência, diante de uma reação desrespeitosa e incompatível com a liturgia do cargo por parte do governador de Minas Gerais”.

Concordo com o deputado Pimenta pela mesma razão: pelo desrespeito profundo à liturgia e à altura do cargo que ocupam, tanto ele, que aqui veio – e concordo – falar da forma como o ministro do STF se reporta para as mídias, como o governador, que, utilizando-se de uma transferência da capital – naquele caso, justa – utilizou-se dos microfones para aproveitar-se da alta patente da Polícia Militar e proferir agressão contra o prefeito de Ouro Preto. Concordamos. E concordamos por uma razão. Institucionalmente requer-se daquele que, mesmo nomeado, depois de sabatinado pelo Senado, como foi aquele ministro… Foi o escrutínio, o voto que levou o vice-governador a hoje assumir o barco, mesmo que furado, em que ele mesmo ajudou a criar um rombo. E estou dizendo “rombo” porque o governador Mateus Simões está com as mãos, a mente – o corpo inteiro – dentro da corrupção que está em todos os jornais e levou à demissão do secretário de Educação, Rossieli. Olhem, ele já não era uma figura bem-falada, mas parece que, na tentativa de buscar recursos… E digo recursos para a sua eleição, recursos espúrios, recursos de desvio de dinheiro da educação de Minas Gerais. Digo e vou repetir: esta Casa tem motivo e prova suficientes para abrir uma CPI em desfavor do governador, porque ele está envolvido na corrupção que levou à demissão do secretário.

Temos que parabenizar a deputada Beatriz, porque foi ela que conseguiu desnudar, conseguiu tirar as vestes daquele que está nu. Isso não é demissão por troca de cargo para que outro ou outra assuma a responsabilidade; é por corrupção, deputado Cristiano. Rossieli, que permaneceu por oito meses no cargo, foi demitido porque roubou, colocou, por dispensa de licitação, uma contratação que levou dos cofres públicos, às vésperas do Natal de 2025, quase R$350.000.000,00 para publicar um livreto vergonhoso, como se, em Minas Gerais, tivéssemos algum motivo para desconfiar de que esta Assembleia não saberia desse roubo mais cedo ou mais tarde.

Tenho certeza de que a deputada Beatriz e o Bloco Democracia e Luta vão encaminhar o pedido de abertura de CPI, mas sei que talvez não contemos com as assinaturas daqueles que apoiam este governo. Por isso mesmo, nós levamos e levaremos, junto com a deputada Beatriz, todas as denúncias ao Tribunal de Contas, ao Ministério Público, à Justiça. Nós não vamos e não podemos nos calar diante desse roubo que aconteceu às vésperas do Natal. Eu poderia dizer que o secretário agiu com tanta canalhice, que roubou, às vésperas do Natal, dos que mais precisam da educação pública. Agora está desnudado que Mateus Simões manda embora aquele que roubou, porque sabia que roubou, para tentar livrar-se de uma possível CPI aqui, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Quero ainda, repercutindo o 21 de abril, deputado Cristiano… Quando foi divulgado e todo mundo tomou conhecimento de que, naquele livro, em francês, que o Alferes Tiradentes carregava no bolso, a caligrafia, mesmo anotada em outro idioma, era uma caligrafia em um livro que trazia a possível Constituição dos estados norte-americanos, hoje os Estados Unidos, que naquele período já era uma proposta de independência… Como historiador, até discordo de muitas das linhas historiográficas que trazem o heroísmo.

Por quê? Porque estamos tratando de imposto da derrama, que, claro, afetava os mais ricos, mas também justificava que o Brasil não fosse mais colônia. O que a gente queria era, de fato, que se antecipasse a maior vergonha que a humanidade já produziu, que é a escravidão de seres humanos.

Mas, para não ser anacrônico, é preciso lembrar que no Panteão, no Museu da Inconfidência, que agora vai ser elevado a museu nacional, temos a memória daqueles que, em seu tempo, lutaram, sim, para que essa carga injusta de tributos e para que a libertação da colônia pudesse ser hoje motivo da liberdade, pós-criação do Estado brasileiro, que remonta do início do século XIX, posterior, portanto, ao esquartejamento, ao enforcamento do alferes Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, conterrâneo do deputado Cristiano – por isso o cito. Sei que precisamos revisar sempre essa história, que torna alguns heróis e apaga tantos que lutaram de igual forma, como apagou a memória de Zumbi dos Palmares, na tentativa de apagar a história, e da Coluna Prestes, cujo filho Luiz Carlos Prestes Filho esteve conosco na Assembleia – como recentemente comemoramos –, apagando esse Brasil profundo de uma memória que não foi derrotada.

No entanto, o 21 de abril virou anedota quando aquele que era ex, junto com o outro, foi discursar como se ali estivesse como governador. E discursando, cometeu crime eleitoral. Zema, na tentativa açodada de só lançar olhares para sua pré-candidatura falida, cometeu crime eleitoral na Praça Tiradentes. Ali, achando que era candidato e acompanhado por aquele que de fato acha que o Estado é seu… Você já viu Mateus Simões falar alguma coisa que não comece com o pronome eu? “Eu mandei. O dinheiro é meu.” E agora ele resolveu falar com o Tadeu. Falou com o Tadeu que ele é que é o procurador jurídico, que é aquele que entende. E há aquela mentira de apoio à PEC, que tem vício de origem e não pode, a não ser que mandada para cá uma nova PEC, mentir para a polícia, mentir para os servidores, como se agora apoiasse uma PEC. Se esta Assembleia aqui está, segundo o governador, protelando a pauta com essa possível PEC, ele chamou Tadeu, o nosso presidente, de pessoa que mente. Eu creio, deputada Leninha, que preside o Plenário neste momento, que não pode ficar sem resposta da Assembleia essa tentativa arrogante que comete aquele que está no cargo de governador contra o presidente desta Casa. O que faz Mateus Simões achar que é o rei absoluto e que é quem determina as coisas, inclusive querendo interferir no trabalho desta Assembleia Legislativa? O nosso repúdio à arrogância do Fanfarrão Minésio, que hoje governa Minas Gerais, mentindo.

Ontem, nos Municípios de Catas Altas e Alvinópolis, pudemos realizar audiência pública. E os anúncios que ele vem fazendo, dizendo que vai pavimentar aqui e acolá, não vêm acompanhados de projeto executivo nem de licenciamento ambiental, e muito menos de orçamento, o que nos leva a crer que o governador está de fato transferindo a capital, antecipando campanha eleitoral e fazendo palanque mentindo, como se fosse fazer obras que jamais não fez nos sete anos, porque esteve ao lado de Zema, e agora quer mentir que tem o punho mais forte, chamando inclusive Zema de bunda-mole. É triste, mas esse é o estado da arte de uma Minas Gerais que está fora dos trilhos, que está com um governador que mente, comete crimes eleitorais e que agora está envolvido na corrupção daquele que roubou a educação. E ele, demitindo, acha que vamos esquecer que o governador está envolvido também no roubo que aconteceu às vésperas do 25 de dezembro. Roubando a educação de Minas: o Zema, o Simões e o Rossieli. Obrigado, presidenta.