DEPUTADO DOUTOR JEAN FREIRE (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 09/04/2026
Página 54, Coluna 1
Indexação
15ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 7/4/2026
Palavras do deputado Doutor Jean Freire
O deputado Doutor Jean Freire – Colegas deputados, deputado Leleco, que, sempre que sobe a esta tribuna, faz falas maravilhosas, é muito bom a gente ficar aqui, no Plenário, e ouvir colegas deputados e deputadas, independentemente de sigla partidária, fazerem discursos que têm a ver com a construção de um país melhor, de um estado melhor, de regiões mais empoderadas. Mas vai chegando o momento eleitoral, e é hora de disseminar, cada vez mais, o ódio, as mentiras. A gente escutou hoje, aqui, um deputado dizer que, no governo Lula, por culpa do governo Lula, o feminicídio é maior. Isso é de uma leviandade, deputada Beatriz, que não tem tamanho, que não tem tamanho.
Eu começaria simplesmente com a fala, porque a fala, em público, de um presidente da República diz muito, quando o presidente Lula enfrenta essa luta contra a violência contra as mulheres, quando o presidente Lula, cada vez mais, puxa a responsabilidade, como um grande líder que é, falando também para os homens, ele que viveu isso na casa dele, ele que relata muito isso. Ele aprendeu com a dona Lindu e viu a força daquela mulher em toda a sua infância, em boa parte da sua vida, o tempo em que Deus a deixou ao lado dele. Ele viu a violência contra a mulher de perto. Você vê, em todos os momentos, nas falas do presidente, em qualquer ambiente, ele trazer a responsabilidade desse enfrentamento, enquanto, do outro lado, você via o quê? As falas de um presidente fortalecendo a violência contra a mulher. Será que eles não pensam, por exemplo, que talvez uma Polícia Federal, a criação de ministério nessa pauta, o empoderamento das mulheres nessa pauta pode não ser o motivo, que esconder os dados pode não ser o motivo, enquanto o outro governo, o tempo inteiro, maquiava? Prova disso foi o que vivemos na pandemia.
Mas é assim. Daqui a poucos meses, mais uma vez vão dizer que o Brasil vai virar Cuba; vão, mais uma vez, dizer que o Brasil vai virar a Venezuela; vão, mais uma vez, trazer para a pauta o debate que trazem para todo processo eleitoral. Quem aqui que está me ouvindo que nunca ouviu falar, deputada Leninha, que o PT, que o Lula fecharia igrejas? Isso ocorre em toda eleição. E aí eu falo para vocês: citem uma igreja que o PT fechou, uma igreja que o Lula fechou. E o bolsonarismo já fechou alguma igreja? A igreja da Lagoinha foi fechada há poucos dias. Quem fechou? Foi o PT? Quem foi preso? Por acaso o Zettel, o pastor que foi preso, tinha alguma relação de proximidade com o presidente Lula? Por acaso ele é cunhado, tem proximidade de parentesco com quem? O Vorcaro por acaso doou dinheiro para a campanha do Lula ou foi para a do Bolsonaro? Ou seja, todos nós vivemos para ver isto na prática: essa política bolsonarista e bolsonaristas fecharem igrejas.
Eu venho de uma época… Aos meus 14, 15 anos, eu conheci, pela primeira vez, D. Pedro Casaldáliga, Leonardo Boff e Frei Betto. É uma felicidade imensa um adolescente de 14 anos ouvir essas pessoas. Naquela época, falavam muito quando um padre, um bispo ou mesmo pastores… A gente vivenciava, no Movimento Fé e Política, o ecumenismo. Na Teologia da Libertação, a gente vivenciava o ecumenismo. Quando um líder religioso falava “pão a quem tem fome”, ele era considerado comunista. Quando um líder religioso falava de moradia… “Olha, está falando de política no altar, na igreja”. Quando um líder religioso pregava – e ainda hoje fala – sobre o enfrentamento da violência contra as mulheres, ele era considerado comunista. Acho que muitos se esquecem de ler e interpretar bem a Bíblia. Eu aprendi que o maior dos políticos foi Jesus Cristo. Agora, você vê determinados líderes religiosos fazerem arminha na igreja, levarem isso em pleno momento eleitoral e pedirem voto diretamente de dentro da igreja. E isso eu não vejo – ou vejo muito pouco – ser criticado nem vejo dizerem que a igreja não é o momento, não é o lugar para partidarizar. É lugar de política, sim, porque há uma diferença entre as duas coisas.
Por isso, que nós possamos nos lembrar, daqui a poucos meses, de quando vierem de novo – de novo – dizer que o PT, se o Lula ganhar pela quarta vez o processo eleitoral, vai fechar igrejas. É bom lembrar, não vamos nos esquecer: a Igreja da Lagoinha foi fechada há poucos dias, e não foi pelo Lula, e não foi pelo PT. Pesquise quem está me ouvindo. Pesquise, vá lá e coloque: “Fechamento da Igreja da Lagoinha. Por quê?”. E nós vamos poder dialogar com cada um e cada uma e mostrar quem é que fecha igrejas, quais as atitudes que levam a fechar igrejas, quais as práticas que levam a fechar igrejas.
Eu também gostaria de parabenizar os ativistas do Vale do Jequitinhonha, especificamente do Alto Jequitinhonha, que criaram o projeto Salve o Rio Jequitinhonha – rio em que eu cresci tomando banho e brincando com meus colegas nas suas areias. Já desci boa parte dele remando, passei uns três dias remando no Rio Jequitinhonha. Esse rio é vida para a nossa região, é vida que alimenta outras vidas. No último final de semana, ocorreu, mais uma vez, o evento Salve o Rio Jequitinhonha. Eu quero parabenizar a todos e a todas que estiveram presentes no evento na pessoa de um companheiro que conheci pelas redes sociais, o Paulo Ferreira, que tem feito filmagens maravilhosas de espaços lindos do nosso Rio Jequitinhonha, muito ali no Alto Jequitinhonha, acima de Irapé, principalmente. Ele tem feito imagens com seu drone, e todos que veem as imagens ficam com uma vontade imensa de chegar mais perto dali e de visitar aquela região. Parabéns a todos que, na comunidade Terra Branca… Mando um abraço para o Paulo e para o Joaquim Freire, que, na comunidade Terra Branca, fizeram nesta semana mais um desses eventos, o Salve o Rio Jequitinhonha. Essa é a denominação do evento. O nosso rio sofreu e ainda sofre muito. O poderio econômico, ao longo de décadas, tem atuado no nosso rio por meio da monocultura do eucalipto, que muitas vezes leva agrotóxicos até o rio, da mineração, do não tratamento dos esgotos – e aí o poder público também tem a sua responsabilidade, a sua culpa. Esse rio, que nasce no Serro e vai até Belmonte, alimenta muitas vidas. Parabéns à comunidade de Terra Branca, pertencente a Bocaiuva. Parabéns a todos os que estiveram no evento. Que possamos fazer, a cada ano, eventos como esse, que realmente trazem para a temática assuntos que têm a ver com a vida e com o dia a dia do nosso povo.
Queria também, presidente Leninha, deputada Beatriz e deputado Leleco, dizer que, na semana passada, eu estive em Brasília participando do Salão Nacional do Artesanato. Depois de anos sem entregas, esse setor agora voltou a fazê-las. Aliás, as últimas entregas foram feitas nos governos do Partido dos Trabalhadores, com o presidente Lula e depois com a presidenta Dilma. Falar isso é importante, pois as pessoas vão ver caminhões, caminhonetes e carros menores em todos os estados do nosso país. Eles foram entregues, e Minas também recebeu um caminhão, recebeu caminhonete, recebeu carro menor para servir aos artesãos e às artesãs, que mantêm viva a história de um povo e as nossas ancestralidades. Com a arte do artesanato, eles mantêm famílias e ajudam a fazer funcionar a nossa economia.
Sou um dos criadores da Frente Parlamentar em Defesa do Artesanato Mineiro porque, em Minas Gerais, precisamos fortalecer mais a cadeia do artesanato. Este é um estado com 853 municípios, e há estados com um menor número de municípios que valorizam mais o artesanato, e essa cadeia atua mais na economia daqueles estados do que o artesanato em Minas pode fazer. Então podemos muito.
Aproveito para parabenizar cada artesão e cada artesã pelo seu dia, que foi no último dia 19. Parabéns pelo trabalho que fazem. Parabéns pela resiliência. Gratidão ao governo do presidente Lula. Estivemos também com o ministro Márcio França, e ele fez a entrega desses carros para as federações. Parabéns à Federação Mineira de Artesanato. Na pessoa do presidente da federação, Rhaavi, deixo um abraço a toda a federação e a cada artesão e artesã deste nosso estado. Muito obrigado.