DEPUTADO LELECO PIMENTEL (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 09/04/2026
Página 51, Coluna 1
Indexação
15ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 7/4/2026
Palavras do deputado Leleco Pimentel
O deputado Leleco Pimentel – Presidenta, achei que o deputado que me antecedeu estava lá para os Estados Unidos ainda, com o Eduardo. Parece que é lá que ele serve à Assembleia Legislativa, de joelhos, colocando o Brasil com uma placa de “aluga-se”. Esses dias, o pessoal retomou uma importante canção, que o Raul Seixas bem escreveu e que está tão atual, Beatriz: “Nós não vamos pagar nada”. Não vai pagar pelas terras raras, não vai pagar pela Amazônia. É isto: foram lá para colocar o povo brasileiro e a soberania aos pés de um presidente que, ninguém tem dúvida, não está na sua sanidade mental.
Não é à toa que 8 milhões foram às ruas contra essa polícia que mata e que agride mulher nos Estados Unidos, chamada ICE. É essa polícia que deve encantar o deputado, que agora há pouco veio aqui, porque ele separa: “Eu respeito essas de cá, mas as de cá eu não respeito”. Mulher tem que ser respeitada, toda e qualquer mulher, inclusive a mãe de muita gente que deve se envergonhar dos filhos que coloca no mundo. É triste ver um filho negar a criadora. É muito triste.
Então não tenho outra forma de falar aqui. Se o sujeito fica com o PT na boca, parece que fica até babando do lado – sabe? –, com aquele veneno, aquela cólera, aquela raiva, acho que devia ter o mínimo de coerência para poder compreender que o Brasil tem a maior liderança popular do mundo, que não deixou que acabasse… O seu presidente Bolsonaro acabou com as refinarias, colocou tudo à venda. É por isso que está tentando ver se o preço da gasolina chega a R$10,00. Há bolsonarista que vai ao posto, Doutor Jean, e fala: “Quero pagar é R$10,00, porque eu apoio o mito”. Agora o pessoal colocou que há a gasolina comum e a “gasomito”. Quem quer pagar R$10,00 vá lá, mas quem está lutando para que o preço da gasolina não prejudique o transporte público, o alimento do povo não quer a “gasomito”, não; quer a gasolina, mas quer a Petrobras reestatizada, quer a Petrobras com as refinarias, com os postos BR. Até a marca BR esses canalhas venderam, ou seja, do refino ao posto, quiseram colocar tudo para os Estados Unidos. Agora estão vendo como a guerra contra o Irã imbrica toda a humanidade, e o preço do petróleo está em tudo quanto é lugar.
Sabe como essa turma funciona? Mandando recadinho na internet às 8 horas da noite – o horário de Brasília vai ser 21 horas –, para que o Irã se renda, libere o Estreito de Ormuz, a fim de que se justifique a matança, o gasto com a indústria bélica. O que mantém essa identidade… Eu queria até falar um pouquinho sobre isso. Há muita gente nos perguntando o que é sionismo. Lendo uma reportagem… Acho que a deputada Beatriz sempre nos ajuda a pedagogizar, a pensar um método mais popular. Os Estados Unidos instrumentalizaram a expansão de igrejas cristãs de origem americana no Brasil, utilizando esse cunho religioso para fazer propaganda da ditadura. Há poucos dias, completaram-se 62 anos da ditadura militar, um período que matou e fez com que o Brasil tivesse essa vergonha na história.
O sionismo cristão foi introduzido a partir da década de 1990. Não são só as igrejas evangélicas, há católicos, o que, inclusive, aproxima o tal do Biondini do tal do Nikolas. Só para entender o que estou falando, um é evangélico, da Igreja Lagoinha, do Branco Master, e o outro é o cantor que paga com emendas o seu próprio show. Então há aqueles que justificam que o território de Israel e a luta para a permanência de Israel, naquele território, é justificada por Deus. Por isso, justifica-se o fato de eles matarem todos, porque, ao seu derredor, só há inimigo. É assim que eles justificam entrar com bandeira de Israel nas igrejas, é assim que eles justificam o uso de termos em aramaico: de certa forma, fazem com que a palavra entre na cabeça da pessoa. Esse sionismo cristão que foi introjetado culturalmente nas igrejas e no cristianismo faz com que essas pessoas, hoje, se desliguem da realidade. Às vezes, eles não sabem nem ouvir uma reportagem em que o entrevistado diz: “A minha irmã é evangélica e nem sabe que Benjamin Netanyahu é o presidente”. Eles perguntam: “Quem é o rei de Israel?”, como se estivessem falando da Bíblia de tempos anteriores. A pessoa não tem conhecimento atualizado sobre o que significa o estado sionista. Sionista quer dizer… Aquilo não é um povo. O estado sionista é a garantia daquele território, como se aquilo fosse a justificação de Deus. Como é que Deus pode justificar isso, tendo o seu filho crucificado?
No domingo, a gente comemorava, e comemora, a vitória do Cristo contra a morte. O fato de a gente justificar que há um estado que produz arma para matar, que está fazendo com que o mundo fique de joelhos para comprar seus armamentos… Não se pode confundir aquilo que fez Israel contra o povo palestino e o que faz os Estados Unidos hoje, inclusive aproximando-se da Coreia, para tentar atacar o Irã. Sabemos que não é essa a proposta de Cristo. Então não há como a gente concordar com o sionismo cristão, que infelizmente ataca a mente e a cultura dos evangélicos, assim como ataca a mente e a cultura dos católicos. Portanto, Nikolas e o pensador, o Eros Biondini, que está do lado católico, pensam da mesma forma. Eles são de uma mesma cultura e de uma deformação que colocam hoje esses dois sujeitos, deputados, a defender o estado sionista de Israel.
Eu faço questão de trazer esse tema ao Plenário porque, muitas vezes, esse tema aparece distante da gente por não ser compreendido. Eu, como professor de história, tenho obrigação de dizer que tudo é política – tudo é política. E não coloquem uma decisão divina… Ou não atribuam a Deus aquilo que é decisão humana, política. A guerra é uma decisão política daquele que se encontra enfermo. Não há como a gente dizer que o “Laranjão” está em suas faculdades mentais, em seu juízo. Esse sujeito ordena a matança contra o seu próprio povo. Quantas pessoas foram mortas nos Estados Unidos? Deputada Beatriz, essa brasileira ficou presa nove meses e foi violentada de todas as formas nos Estados Unidos, foi estuprada, foi violentada nos seus direitos. Ela disse que nunca imaginou ser tratada com a desumanidade como foi tratada. Ela foi presa pela polícia, pelo ICE dos norte-americanos que apoiam infelizmente esse tal de Trump.
Eu subo aqui para dizer que a deputada Bella e as mulheres não têm que se preocupar com o sionismo apresentado aqui pelo deputado que anteriormente falou, porque ele tem uma formação… Ele vai aqui e vai rir, vai fazer um videozinho de TikTok, vai fazer até a aproximação de Deus com o diabo. Ele vai fazer isso, porque para eles não há a distinção ética. Aqui o discurso é de moral, o discurso é religioso. Mas queria dizer a este deputado que o Estado é laico e que, mesmo que eu professe a minha religião, eu não tenho que a impor a todos os cidadãos que estão sobre esta pátria. Aliás, pátria é defender a soberania e não fazer como o senhor, que foi lá para os Estados Unidos lamber botas, juntar-se com aquele outro lambe-botas do “Bananinha” para tentar criar ali uma situação de intervenção, de novo, com a história do Pix. O senhor deveria ser condenado junto com o Nikolas e junto com aqueles que fizeram fake news contra o Pix, que foi inventado pelo Banco Central.
Aliás, quero comemorar, porque o Pix agora vai se alastrando pela América Latina. Tenho notícias de que a Colômbia vai assumir o Pix e que não vai ficar dependente dos juros de cartões e de grandes conglomerados de crédito norte-americano, que só fizeram o nosso povo se endividar. O Pix já ajudou muita gente a terminar com sua dívida. Agora nós precisamos acabar com essa jogatina, que mantém a maioria de vocês com o financiamento criminoso, disputando votos, comprando votos e comprando consciências. Nessa relação, nós sabemos de que lado estamos na história: do lado daqueles que querem um Brasil soberano, livre. E que a soberania seja popular. Por isso, o pré-sal, a Petrobras, a alimentação e a gasolina precisam ser, de fato, do povo brasileiro e não dos exploradores petroleiros, armamentistas da indústria bélica comandados por Trump e pelos lambe-botas que vão aos Estados Unidos. Aliás, eu até vou pedir uma prestação de contas depois. Eu, como qualquer cidadão, quero saber como esses gastos têm sido feitos, se estão sendo feitos com recurso da Assembleia Legislativa. A pessoa fica tanto tempo lá nos Estados Unidos cuidando do interesse não sei de quem… Eu acho que nós temos o dever de prestar contas à população de Minas Gerais.
Eu quero terminar agradecendo à deputada Beatriz. Há agora dois projetos de lei importantes na Comissão de Administração Pública. O primeiro volta ao Plenário amanhã, se Deus quiser, em 2º turno, faz justiça social e territorial e devolve as terras da antiga Febem de Ouro Preto ao povo daquela cidade, destinando a eles equipamentos públicos e, sobretudo, moradia.
Falando nisso, receberemos, na segunda-feira, o Augusto, secretário Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, para fazer um balanço e desmentir o atual ex-vice-governador, que disse que Lula não fez nenhuma casa em Minas Gerais. Na segunda-feira, podem vir à Assembleia às 14 horas. Nós vamos estar aqui, desmentindo Mateus Simões e fazendo um balanço do programa Minha Casa, Minha Vida, para que Minas saiba, presidenta Leninha, o quanto de contrato as prefeituras e as entidades, junto com o governo federal, estão fazendo em Minas – não só entregando moradias, mas também contratando novamente. Infelizmente, agora querem apresentar um programa na Sedese, Doutor Jean, chamado morada de não sei o quê. Não sei como eles vão apresentar tanta coisa no final do governo, e não vão cumprir. Então agradecemos à Beatriz por nos ajudar com a devolução dessas terras a serem destinadas para a função social da propriedade. Deveria desaparecer da Terra a palavra “propriedade”. Assim, as injustiças e as cercas cairiam.
O segundo projeto de lei trata da obrigatoriedade de as repartições públicas estaduais fazerem a separação dos materiais recicláveis, viu, Leninha? Com efeito, quero parabenizá-la pelo evento em que a Refinaria Gabriel Passos, depois da vinda do Lula, lança um programa importante para a reciclagem do óleo. Gera-se, assim, mais renda, tira-se cada litro de óleo, responsável por contaminar 25.000 litros de água, e devolve-se renda às catadoras e aos catadores. Nosso projeto de lei prevê que essa separação ocorra nas repartições públicas, mas queremos que eles sejam remunerados por isso, porque o Estado não está fazendo favor para quem já faz um triplo serviço ambiental. Queremos, também, que não haja bitributação. Trata-se de produtos que já foram tributados, e, na mão do catador e da catadora, eles voltariam a ser tributados? Então essa é uma luta que não dá…
Por fim, há a PEC nº 309, que diz respeito ao reconhecimento, por parte do Estado brasileiro, das catadoras e dos catadores. Essa PEC é de autoria do deputado federal Padre João e visa à Previdência, para que esses trabalhadores e essas trabalhadoras tenham seus direitos garantidos. Os segurados especiais, como pescadores e agricultores familiares, têm direito a prever uma aposentadoria e também têm direito a um trabalho digno. Nesse sentido, muito obrigado, presidenta. Nós sabemos da sua luta. Continue firme, porque muitos virão aqui, agora, com uma misoginia atravessada na garganta – porque isso agora está tipificado como crime –, tentando fazer seus videozinhos de TikTok. Mas nós não vamos deixar fascistas e misóginos passarem.