LUIZ CARLOS DE AZEVEDO CORRÊA JUNIOR, presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais - TJMG
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/04/2026
Página 3, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 11773 de 2025
5ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 6/4/2026
Palavras do Sr. Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior
Muito boa-noite a todas as pessoas presentes a este Plenário da nossa Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais. Agradeço cada um e cada uma que muito me orgulham com a sua presença neste momento único da minha vida.
Cumprimento o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, deputado Tadeu Leite, querido amigo, conselheiro, grande companheiro neste momento em que exerço a administração do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Na pessoa de V. Exa., querido amigo deputado Tadeu, agradeço todas as deputadas, todos os deputados desta Casa Legislativa que aprendi a admirar. No exercício das funções do cargo de presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, tenho contato diuturno com as senhoras deputadas, com os senhores deputados, e essa admiração só cresceu porque diariamente recebo demandas desta Casa, todas elas que dizem respeito ao interesse público, ao interesse do cidadão e da cidadã de Minas Gerais. Muito obrigado, presidente Tadeu, muito obrigado, senhoras deputadas e senhores deputados.
Agradeço também a presença de um grande companheiro na administração dos nossos tribunais, Vallisney Oliveira, presidente do Tribunal Regional Federal da 6ª Região. Temos inúmeros projetos em comum que também tangenciam o que eu disse anteriormente, o interesse público, o interesse da prestação jurisdicional no Estado de Minas Gerais. Muito obrigado pela presença, presidente Vallisney.
Agradeço também a presença do promotor de justiça Hugo Barros, que aqui representa o procurador-geral de justiça, Dr. Paulo de Tarso Morais Filho. O Ministério Público é a instituição à qual eu tive a honra de pertencer, uma instituição que muito admiro pelo trabalho que vem realizando em favor do povo brasileiro, em especial do povo mineiro. Muito obrigado pela presença de V. Exa., Dr. Hugo.
Agradeço também a presença de outro grande parceiro, conselheiro e presidente Durval Ângelo, do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, outra instituição indispensável ao exercício democrático dos Poderes. O presidente Durval também é um grande companheiro nessas iniciativas que temos em benefício do povo do Estado de Minas Gerais. Muito obrigado, presidente Durval.
Também agradeço a presença de uma querida amiga, de uma grande também companheira na nossa gestão, ela, na Defensoria Pública, e eu, no Tribunal de Justiça. A Dra. Raquel da Costa Dias, defensora pública-geral, em breve deixará o cargo, assim como eu também deixarei. Tenho certeza, Dra. Raquel, de que o Tribunal de Justiça tem muito a agradecer a V. Exa. pela parceria, pela cumplicidade e principalmente por sempre estar ao nosso lado no objetivo, em especial da Defensoria Pública, de prestar a jurisdição às pessoas que mais precisam, às pessoas carentes, às pessoas vulneráveis. Muito obrigado pela presença de V. Exa.
Também agradeço a presença do Magnífico Reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Prof. Alessandro Fernandes Moreira. Professor, o Tribunal de Justiça, como todos os mineiros, se orgulha da UFMG, da nossa UFMG, que é um centro de excelência no ensino, na pesquisa, reconhecida mundialmente. Nós, do Tribunal de Justiça, ainda que tardiamente, agora celebramos um convênio de cooperação técnica com a UFMG. Tenho certeza de que nós, Tribunal de Justiça, saímos ganhando, embora quem saia ganhando mesmo é o jurisdicionado e a jurisdicionada que terão apoio dessa imensa e grandiosa instituição de ensino. Muito obrigado pela presença de V. Exa.
Agradeço também a presença do querido amigo, companheiro de tantas jornadas, presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, desembargador Júlio César Lorens. Também temos inúmeras parcerias com o Tribunal Regional Eleitoral, e o desembargador Júlio é um grande companheiro que temos não apenas como presidentes do Tribunal, mas como membro da nossa Corte mineira. Quem não fez a biometria vai-se entender com o desembargador Júlio ainda hoje.
Cumprimento também outro grande parceiro, o presidente do Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais, desembargador Osmar Duarte Marcelino. O Tribunal Militar e o Tribunal de Justiça, desembargador Osmar, são tribunais irmãos que vivem de mãos entrelaçadas, sempre colaborando e cooperando para o bem da jurisdição em nosso estado. Muito obrigado pela presença de V. Exa.
Agradeço também a presença de um querido amigo de tanto tempo, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Minas Gerais, Dr. Gustavo Chalfun. Sempre conto que, quando eu fui juiz em Varginha, o Dr. Gustavo era criança, mas já frequentava o fórum, na Avenida Presidente Antônio Carlos. Nós nos conhecemos há muito tempo, e quis o destino que nos encontrássemos agora, eu, como presidente do Tribunal de Justiça, e V. Exa., como presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, nessa grande parceria que beneficia tanto as advogadas e os advogados quanto os jurisdicionados e as jurisdicionadas do nosso estado.
Agradeço também a presença e cumprimento o advogado-geral do Estado, Dr. Fábio Murilo Nazar, que aqui representa o governador do Estado de Minas Gerais, Prof. Mateus. Muito obrigado, Dr. Fábio, não apenas pela presença de V. Exa., mas pela grande parceria que o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais tem com a Advocacia-Geral do Estado. Recentemente, e sempre tenho a obrigação de dizer isso, a partir de uma atuação da Advocacia-Geral do Estado, na questão relacionada à desapropriação do prédio, hoje ocupado pelo Tribunal de Justiça na Avenida Afonso Pena, 4001, o Estado de Minas Gerais, o povo do Estado de Minas Gerais economizou muitos milhões de reais graças a essa atuação firme, precisa e culta da Advocacia-Geral do Estado. Muito obrigado pela presença de V. Exa.
Uai. Agora estou autorizado a falar “uai”, de fato e de direito, embora já o viesse fazendo há mais tempo. Como eu disse, é uma honra muito grande, para mim, receber esse título de Cidadania Honorária do Estado de Minas Gerais. Em meus 60 anos de vida, vivi vinte e dois anos e mais um pouquinho no Estado do Rio de Janeiro, na cidade do Rio de Janeiro, onde nasci, e o restante do tempo, em Minas Gerais. Então, por qualquer critério de usucapião que se observe, seja ordinário, extraordinário, nas demais formas ou até no familiar, já estou totalmente usucapido pelo Estado de Minas Gerais.
Como eu disse, nasci na cidade do Rio de Janeiro; na verdade, no Estado da Guanabara. Para as pessoas que não se recordam disso, quando a capital era o Rio de Janeiro, lá se chamava Distrito Federal. Com a mudança da capital para Brasília, graças a um mineiro que frequentou esta Casa como governador do Estado, Juscelino Kubitschek, o Estado do Rio de Janeiro continuou como Estado do Rio de Janeiro, com a capital em Niterói, e a cidade do Rio de Janeiro, que era o Distrito Federal, passou a ser tratada como Estado da Guanabara, o único estado que tinha um único município, o Município do Rio de Janeiro. Nasci, então, no Estado da Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro, e vivi nessa cidade até completar 22 anos de idade. Lá fiz meus estudos primários e ginasiais e ingressei na Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, juntamente com o desembargador Francisco Ricardo Sales Costa. A partir de agora, desembargador Francisco, não mais falarei que V. Exa. é o desembargador Francisco Ricardo Sales Costa; será Sales Costa.
Estudei na Uerj, até que ocorreu um chamado para eu vir a Minas Gerais. Mas não foi essa a primeira vez que vim a este estado, presidente Tadeu. Quando eu tinha 9, 10 anos de idade, meu tio fez um convite para que viéssemos à casa de um amigo dele aqui, em Belo Horizonte. Então essa foi a primeira vez que saí do Estado da Guanabara, do Rio de Janeiro, e saí do Estado do Rio de Janeiro, do Estado da Guanabara à época, para vir a Minas Gerais. Eu me recordo, embora eu tivesse apenas 9 anos de idade, de ter vindo a Belo Horizonte e achado maravilhoso o Parque Municipal. Embora a Quinta da Boa Vista seja maior – e o desembargador Francisco sabe disso –, o Parque Municipal era muito mais bonito nessa impressão que tive aos 9 anos de idade. Fui a Sabará e lembro-me de ter ido à Capela de Nossa Senhora do Ó. Fui a Congonhas e vi os profetas construídos, esculpidos por Aleijadinho, e fui também a Ouro Preto. Essa foi a primeira vez que saí do Rio de Janeiro e estive em Minas Gerais. Eu era novo, tinha 9 anos de idade.
Posteriormente, Minas Gerais entrou na minha vida de forma muito mais bucólica; não que a vinda a Belo Horizonte não tenha sido impactante, até mesmo por ter sido a primeira viagem que fiz na minha vida. Foi uma viagem de ônibus Cometa, que demorou 9 horas do Rio de Janeiro até Belo Horizonte. Posteriormente, como todo bom carioca, passamos a gozar férias, a passar os períodos de férias escolares no Sul de Minas. Primeiro fui a Lambari, uma cidade que frequentei muito quando criança e depois como adolescente, e posteriormente a São Lourenço, duas cidades do Sul de Minas. Eu jamais imaginaria, naquela época, que essas cidades entrariam na minha vida, inclusive profissionalmente. Frequentando muito Lambari e São Lourenço, meus pais se apaixonaram por aquela região e decidiram inclusive comprar um apartamento em São Lourenço. Eles compraram um apartamento que estava em construção. Foi uma construção demorada. Quando eles o compraram, eu tinha 15, 16 anos. Quando o apartamento ficou pronto, eu já era promotor de justiça no Sul de Minas Gerais, e efetivamente o apartamento foi utilizado na cidade bucólica e agradável de São Lourenço.
Frequentando Minas Gerais, conheci, nesse Sul de Minas, a gastronomia inigualável, o povo acolhedor, um povo pelo qual nós nos apaixonamos por meio do convívio, da convivência.
Eu nunca imaginei, presidente Tadeu, que voltaria depois, profissionalmente, para Minas Gerais. E o culpado está presente neste auditório, neste Plenário, o Dr. Rômulo de Carvalho Ferraz, querido amigo. Éramos colegas de faculdade. Como já tive a oportunidade de contar em meu discurso de posse, eu, quando iniciei minha vida profissional, primeiro trabalhei no Banco do Estado de São Paulo – Banespa. Fiz um concurso público para o Banespa e fui aprovado. Eu era escriturário no Banespa. O escriturário mais alto era a letra “a”. Eu era a letra “l”, então iria demorar bastante a carreira na instituição financeira, que hoje nem mais existe. Depois fiz concurso também para a Petrobras, como auxiliar de escritório. Então eu me formei em direito, no final de 1987; nós nos formamos – eu e o Dr. Rômulo.
No início de 1988, no mês de janeiro de 1988, eu estava trabalhando na Petrobras, que fica no Centro do Rio de Janeiro, e recebi um telefonema do Rômulo, que disse para mim: “Olhe, vai ter concurso para promotor em Minas. Tenho um amigo, lá em Belo Horizonte, que pode fazer a inscrição. Vamos fazer o concurso?”. Eu falei: “Ah, vamos”. Na época, para fazer concurso no Rio, exigiam-se dois anos de formado, e nós havíamos acabado de nos formar. Aqui, em Minas, o Ministério Público, Dr. Hugo, não exigia experiência na época; bastava que fôssemos formados. Eu disse: “Uai, vamos…”. Não, “uai” eu não devo ter dito. Eu disse: “Meu irmão, vamos fazer o concurso”. E ele disse: “Tudo bem, mas você tem que trazer hoje uma procuração com firma reconhecida em nome do meu amigo que mora em Belo Horizonte”. O amigo é o Paulo Roberto Caixeta, que acabou de se aposentar como juiz de direito da Comarca de Conselheiro Lafaiete. Falei: “Isso é tranquilo. Desço e vou ao Cartório Balbino, que fica ali no Centro do Rio, e reconheço a minha firma”. “Você tem que trazer cópia do documento de identidade.” “Ótimo, eu faço uma fotocópia.”
Mas era preciso enviar também duas fotos 3x4. Na época, para as pessoas mais novas, isso seria ir até uma loja de fotografia, tirar as fotos e sair com elas nas mãos imediatamente. Mas isso, nos idos anos 1980, em 1988, não existia. Quando tirávamos uma fotografia 3x4, Dra. Raquel, pegávamos dois, três, quatro dias depois, na loja de fotografias. Mas existia uma inovação tecnológica, que eram umas cabines em que entrávamos e nos sentávamos no escuro. Era tirada a fotografia, que era impressa imediatamente. Mas eram muito poucos os lugares onde existia essa geringonça tecnológica. Foi dito que havia um lugar na Loja Sears, na Praia de Botafogo, e o Rômulo trabalhava na Praia de Botafogo. Falei: “Então é tranquilo. Vou pegar um ônibus até lá, tiro a fotografia e entrego para ele na sede do então Banco Lar Brasileiro”. Esse banco depois virou o Banco Chase Manhattan. Fui até o local, e essa máquina não estava mais lá. Então me falaram: “Olhe, parece que agora ela mudou para o Shopping Rio Sul”. Peguei outro ônibus e fui até o Shopping Rio Sul. Realmente a máquina estava lá. Tirei essa fotografia e entreguei no trabalho do Rômulo. Isso ocorreu em janeiro de 1988. No Rio, na época, devia estar uns 50ºC na sombra. E a fotografia retrata bem isso. Não sei se ainda tenho, mas, até há pouco tempo, eu tinha essa fotografia. Eu estou todo descabelado – eu tinha muito cabelo na época – e vermelho, devido à correria.
Fizemos a prova. Vim a Belo Horizonte pela segunda vez na minha vida para fazer a prova do Ministério Público. Ficamos sob os cuidados do Paulo Roberto Caixeta, que era amigo do Rômulo, e passei na primeira fase do concurso. Vim fazer a segunda fase e não quis ficar na casa desse amigo nosso, do Paulo Roberto Caixeta, porque eu não tinha essa intimidade toda que o Rômulo tinha com ele. Decidi procurar, num Guia Quatro Rodas… O Guia Quatro Rodas, para quem não sabe o que é, é como se fosse o Google Maps da época. Eu me recordo de que olhei o mapa pequenininho, em uma página desse guia. Falei: “A prova vai ser na esquina da Rua Viçosa com a Avenida do Contorno. Então vou me hospedar em um local próximo. O mapa era muito pequenininho, vi “Avenida Afonso Pena” e pensei: “A Praça Sete é praticamente a um quarteirão desse local onde será realizada a prova”. Na época – muita gente que está aqui fez concurso nessa mesma época –, nós carregávamos todos os códigos para fazer as provas, e os códigos eram pesados. Eu me recordo que me hospedei na Praça Sete, no Hotel Brasil. Botei os códigos nas costas, falei “deve ser praticamente um quarteirão” e comecei a subir a Rua da Bahia. Esta foi outra lição que aprendi: em Belo Horizonte, não confie em ruas com nome de estado e com nomes de tribos indígenas, porque elas são um pouco longas. Fui até o Colégio Padre Machado, existente até hoje, onde realizei a prova escrita. Apesar do problema de coluna e de carregar esses códigos pesados, fiz a segunda fase e passei. Depois fiz a prova oral, que foi realizada na esquina da Rua da Bahia com a Avenida do Contorno, onde funcionava a Procuradoria-Geral de Justiça na época.
Aprovado no concurso público, eu tinha que escolher uma comarca. Isso foi em meados de 1988. E eu cheguei… No dia da escolha das comarcas, eu era o 6º colocado do concurso. Olhei as comarcas que eram disponibilizadas, pensando naquelas que seriam mais próximas do Rio de Janeiro, mais próximas da minha casa, da casa dos meus pais. A mais próxima, falando em quilometragem, era a Comarca de Lima Duarte, que fica na Zona da Mata. E a seguinte era a Comarca de Conceição do Rio Verde. Falei: “Vou botar como primeira opção Lima Duarte, e como segunda opção Conceição do Rio Verde”. Aí o 2º colocado no concurso se aproximou de mim e falou: “Sei que você é carioca, mas eu sou de Juiz de Fora, o que, guardando as proporções, são locais muito próximos, e vou escolher Lima Duarte”. Falei: “Então vou escolher Conceição do Rio Verde, porque meus pais têm um prédio, têm um apartamento em construção em São Lourenço, e Conceição fica a 40km de São Lourenço”. Escolhi Conceição do Rio Verde e, no dia 1º de setembro de 1988, tomei posse como promotor de justiça da Comarca de Conceição do Rio Verde. Lá encontrei Aparecida, minha esposa, e meus filhos. Se eu tivesse ido para Lima Duarte, talvez não estivéssemos aqui.
Ao ingressar no Ministério Público… Sempre faço questão de dizer isto, da admiração que tenho, Dr. Hugo, pela instituição. Ingressei no Ministério Público antes da Constituição de 1988: um mês e cinco dias antes da promulgação da Constituição de 1988. Como eu estava na instituição quando da promulgação, em 5 de outubro de 1988, assisti de camarote ao crescimento da instituição, à importância e ao protagonismo que o Ministério Público assumiu no mundo jurídico, e não só no mundo jurídico, mas em todo o mundo social. Principalmente ao receber a Medalha Francisco Lins do Rego das mãos do Dr. Paulo de Tarso, procurador-geral de justiça, tive a oportunidade de ressaltar essa importância daqueles jovens promotores, das jovens promotoras de justiça que, ingressando na carreira no início dos anos 1990, moldaram essa instituição tão respeitada que é o Ministério Público; que instauraram os primeiros inquéritos civis; que ajuizaram as primeiras ações civis públicas – eu fiz parte dessa geração e me orgulho muito disso; e que deixaram para a sociedade este grande legado: uma instituição que orgulha a todos nós. Ingressando no Ministério Público, fui promotor de justiça por quatro anos, primeiro em Conceição do Rio Verde, depois em Aiuruoca, também no Sul de Minas.
Já no Ministério Público, passei pelo contato com os magistrados e as magistradas com quem trabalhei e passei a nutrir a intenção de fazer concurso para magistratura. Nessa época, em virtude de algumas ligações que eu tinha em Conceição do Rio Verde, eu não estava mais propenso a voltar para o Rio de Janeiro e pensei: “Já que quero fazer concurso para magistratura, vou fazer concurso para magistratura em Minas Gerais”. Sendo promotor de justiça da Comarca de Aiuruoca, fiz o concurso para magistratura. Em abril de 1992, ingressei na magistratura, para a minha honra, no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Minha primeira comarca, logo após a posse, na designação como juiz substituto, foi a Comarca de Varginha, Dr. Gustavo Chalfun.
Trabalhei por três meses em Varginha e depois tive uma das grandes experiências da minha vida quando fui designado para a Comarca de Pedra Azul. Eu me recordo que, quando olhei no mapa, a distância era de mais de um palmo, mesmo no mapa maior, de Varginha até Pedra Azul. Até então eu só havia trabalhado no Sul de Minas. Ressalto: a ida para Pedra Azul, em termos de aprendizado, em termos de história de vida, foi um grande acontecimento na minha vida. Passei a conhecer uma Minas Gerais plural, porque Minas Gerais… Como se disse, Minas são muitas. Nós temos um estado multifacetado, um estado cujas regiões não se confundem, mas um estado que tem uma grande característica, que é um povo acolhedor, como disse, e um povo que trata todas as pessoas com muito carinho e com muita atenção. Trabalhei em Pedra Azul em 1992 e presidi as eleições municipais em Pedra Azul, também em 1992. Na época, quando éramos designados para longe, tínhamos um grande líder no Tribunal de Justiça, que era o presidente José Fernandes Filho. Quando recebemos a notícia que seríamos designados, todos nós ficávamos assustados, às vezes indo para uma região distante, numa época em que não eram todas as estradas asfaltadas e não havia tantas pontes sobre os rios, então usávamos balsas para atravessar os rios. O desembargador José Fernandes ligava e dizia: “Preciso muito de você em Pedra Azul. Você vai ser o meu representante de Pedra Azul”. E nós íamos satisfeitos da vida para todas essas cidades.
Depois de Pedra Azul, fui designado para Itamonte, no Sul de Minas. Voltei a arranhar as fraldas da Serra da Mantiqueira, como já fizera no passado. Permaneci em Itamonte por três anos, até que, no final de 1995, nos casamos – não é, Aparecida? – quando morávamos em Itamonte. No final desse ano de 1995, fui designado para Açucena. Permaneci 30 dias em Açucena. Lá nós fazíamos dois júris, um de manhã, outro de tarde, durante os 30 dias. Isso é coisa do passado, obviamente não existe mais essa realidade no Ministério Público nem na magistratura. Fiquei em Açucena por 30 dias, voltei para Itamonte e depois também tive mais uma das grandes experiências da minha vida quando fui designado para Teófilo Otoni.
Hoje sou Cidadão Honorário de Teófilo Otoni, para minha honra. Não vou discutir se a carne de sol é melhor em Teófilo Otoni ou em Montes Claros, até porque o presidente Tadeu está aqui presente, mas também foi uma alegria muito grande trabalhar naquela cidade. Fizemos – eu, os promotores, os juízes – uma amizade que resiste até hoje. O desembargador André Leite Praça foi também juiz em Teófilo Otoni, na mesma época, e inclusive morou na minha casa por um tempo até um pouquinho prolongado, mas também não vamos entrar nessa discussão. A Lulu estava lá na época, ela era neném, era criança. Ele chegou com a Andréia e duas filhas pequenas para morar comigo. Foi uma alegria muito grande estarmos juntos em Teófilo Otoni.
Como eu já estava errando pelo Estado de Minas Gerais como juiz substituto, nessa época eu me titularizei na Comarca de Três Pontas, outra cidade muito boa, de uma região muito boa. Dr. Gustavo a conhece bastante. Fui juiz em Três Pontas. Lá nasceu a minha filha, Maria Luiza. Ela está aqui presente, é três-pontana. Fiquei dois anos em Três Pontas. Depois fui para Lavras. Fiquei quatro anos em Lavras, outra cidade excelente. O Luiz nasceu lá, meu filho. Tanto o Luiz quanto a Maria Luiza hoje são atleticanos. Embora eu não professe essa religião de times mineiros – mesmo com a Cidadania Honorária, vou pedir licença para continuar não o fazendo, mas os dois… Embora não haja outros times na minha residência, nós temos lá dois atleticanos. O desembargador Eduardo Machado agora até ficou mais feliz e mais alegre, não é?
Como eu disse, fiquei em Lavras durante 4 anos, até que vim promovido para Belo Horizonte, em 2002, junto com vários outros colegas. Vejo o desembargador André Amorim, que foi promovido na mesma data. Em Belo Horizonte, trabalhei no Juizado Especial das Relações de Consumo, que foi uma experiência muito enriquecedora. Depois, eu me titularizei na 25ª Vara Cível e, em 4/10/2004, saí da titularidade dessa vara para servir na Corregedoria-Geral de Justiça, que também foi uma experiência muito gratificante. Conheci Minas Gerais verdadeiramente. Por seis meses, eu havia trabalhado no Sul de Minas, tanto no Vale do Mucuri quanto no Vale do Jequitinhonha, mas, na Corregedoria, embora a minha região fosse o Sul de Minas, com vários outros colegas: desembargadores Fernando Lins, Carlos Henrique e André, desembargadoras Lila e Maria Lúcia, que estão presentes. Tive oportunidade de viajar por todo o Estado de Minas Gerais, conhecendo-o verdadeiramente. Pude conhecer uma magistratura comprometida com o trabalho. Conheci uma magistratura e um corpo de servidores e servidoras que se dedicam diariamente ao trabalho. Naquela época, às vezes, as condições materiais eram muito dificultosas, mas eles davam conta do recado.
Na Corregedoria, tive oportunidade de conhecer essa realidade. Ao sair da Corregedoria, depois de ter sido juiz diretor do Foro da Comarca de Belo Horizonte, fui titular da 4ª Vara de Feitos Tributários do Estado por 4 anos. Depois, em 2012, fui promovido para o Tribunal de Justiça, onde estou até hoje. No Tribunal de Justiça, fui superintendente administrativo adjunto do desembargador Pedro Bitencourt, quando S. Exa. era presidente do tribunal. Depois, quis a benevolência dos meus pares, das senhoras e dos senhores desembargadores para que eu exercesse dois cargos que muito me orgulham nessa trajetória: o cargo de corregedor-geral de justiça, hoje ocupado pelo desembargador Estevão Lucchesi de Carvalho, que está presente; e o cargo de presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Tenho orgulho em dizer que, depois que passamos pelo Tribunal de Justiça e deixamos de respeitar estritamente a antiguidade, foi a primeira vez que um ocupante de cargo de direção — como era o meu caso, de corregedor-geral — foi eleito presidente. Muito me orgulho, presidente Tadeu, de ser o atual presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.
Muita gente diz para mim, brincando: “Mas a sua gestão já está acabando”. Eu falo: não, ela vai até 30/6/2026. Ainda estamos no curso dessa gestão; estaremos até o último dia deste mandato. Apesar de todos os percalços, apesar de todas as – não digo aborrecimento – preocupações que um cargo como esse nos traz, eu me orgulho muito da equipe que trabalha comigo, eu me orgulho muito das pessoas que estão ao meu lado: o desembargador Vicente, o superintendente administrativo adjunto, as juízas auxiliares: Dra. Mariana e Dra. Marcela, que estão presentes; os juízes auxiliares: Dr. Marcelo e Dr. Thiago, também presentes; servidores e servidoras, Mariana, Maurício, Eduardo, João, todas as pessoas que estão presentes. Se eu não tiver mencionado alguém, peço desculpas. Cito o Dr. Guilherme, que está presente. Ele se mexeu ali, para que eu o visse. Eu o vi, Guilherme.
Por que eu digo que me orgulho? Porque durante 24 horas por dia, pensamos o que podemos fazer de melhor para o funcionamento do Poder Judiciário do Estado de Minas Gerais. Nas nossas tratativas, nas nossas conversas, assim como nas nossas conversas com os outros poderes, com os outros tribunais, com os outros órgãos do sistema de Justiça, só pensamos no que podemos fazer de bem, o que podemos fazer para que o nosso serviço seja reconhecido como um serviço de excelência e principalmente para que ele chegue à ponta, mudando e melhorando a vida das pessoas.
Por isso, Presidente Tadeu, recebo essa homenagem da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais com muito orgulho e com muita honra. Como presidente do Tribunal de Justiça, essa homenagem, embora a mim dirigida, contempla o Tribunal de Justiça, o que o Tribunal de Justiça tem feito para a população do Estado de Minas Gerais. Agora, como cidadão mineiro, já me considerando um mineiro, assim como V. Exas. que estão presentes, desembargadora, desembargadores, deputados e deputadas, além de falar “uai”, posso dizer que muito me orgulho do Estado de Minas Gerais. Até hoje ofereci a força do meu trabalho, a força da minha vida para o Estado de Minas Gerais, mas recebi muito mais. Recebi o acolhimento, recebi a convivência e recebi o prazer e a honra de viver neste estado. Muito obrigado, Assembleia Legislativa. Mais uma vez, muito obrigado, Sras. Deputadas e Srs. Deputados. Muito obrigado, querido amigo presidente Tadeu e muito obrigado ao Estado de Minas Gerais. Uma boa noite.