Pronunciamentos

DEPUTADA BEATRIZ CERQUEIRA (PT)

Discurso

Declara posição contrária à Emenda nº 1 ao Projeto de Resolução nº 111/2026, da Mesa da Assembleia, que reconhece o estado de calamidade pública no Município de Juiz de Fora, em decorrência de desastres provocados por chuvas intensas.
Reunião 11ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 26/03/2026
Página 86, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PRE 111 de 2026

11ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 24/3/2026

Palavras da deputada Beatriz Cerqueira

A deputada Beatriz Cerqueira – Presidente, boa tarde. Boa tarde a toda a Mesa, aos colegas deputados e às colegas deputadas. Presidente, eu pedi a palavra para tratar de duas breves questões. Primeiro quero saudar todos os sindicatos presentes. Estamos votando os reajustes de todos os poderes. Acabamos de votar o do Tribunal de Justiça, vamos votar o da Defensoria e agora estamos votando o do Tribunal de Contas e o do Ministério Público. Em cada um desses órgãos, há um sindicato que faz a luta e faz campanha salarial. Isso é muito importante. Então quero registrar a importância das relações democráticas de trabalho. Isso é essencial à democracia.

Temos que dizer que esses projetos vêm também como resultado de um processo importante de campanhas salariais que os sindicatos de cada um desses poderes realizam. Então quero cumprimentá-los e parabenizá-los. Quero lamentar o fato de que o governo do Estado não consegue estabelecer essas mesmas relações democráticas de trabalho. Isso é péssimo para a democracia e para a prestação de serviço público. Eu queria, então, deixar essa saudação.

Eu me senti muito incomodada, presidente, e às vezes a gente usa a palavra para fazer alertas aos colegas. Quando uma cidade – ontem foi Ipatinga, foi Coronel Fabriciano; hoje é Ubá, hoje é Juiz de Fora – enfrenta tragédias e precisa que a calamidade pública seja declarada, se eu utilizar o meu lugar de oposição à administração municipal para restringir a condição de esse município se reerguer… Não sei se a gente entendeu a dimensão do que foi votado aqui em relação à calamidade de Juiz de Fora. A gente abriu isso para todo mundo. Todo mundo que está aqui é majoritário num município e, quando há tragédias e catástrofes, a gente não coloca a discussão partidária ou de oposição para fazer a declaração de calamidade pública. A calamidade já tem restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Qual foi o recado da Assembleia Legislativa, ao aprovar a emenda que não passou por comissão e veio para cá sem parecer? Uma restrição ainda maior a situações que já têm restrições. Fica parecendo que, quando a gente aprova a declaração de calamidade, a gente está dando possibilidade de os gestores fazerem o que querem. Isso não é verdade. Já existem restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal. O gestor não faz o que quer em função da tragédia que está vivendo.

No entanto, hoje, a Assembleia Legislativa – porque depois que se vota, isso vira a posição do Poder Legislativo – instaurou uma nova etapa: a de que, quando houver uma tragédia em um município que precisar dessa declaração, a disputa local virá para o Plenário. Todo mundo aqui é majoritário em algum município, e aí a sua oposição virá para o Plenário para restringir a condição de o seu município se reerguer, porque isso é o que foi aprovado na emenda. Por 32 votos favoráveis e 17 ou 18 votos contrários, foi exatamente isso que foi aprovado. E isso tem impacto na vida de todo mundo. A Assembleia está devolvendo a Juiz de Fora restrições desnecessárias, uma vez que já há restrição na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Então só quero, presidente, ao usar a palavra neste momento, deixar o meu posicionamento e a minha estranheza em relação ao Poder Legislativo devolver ao município, depois de toda a tragédia que ele está enfrentando, restrições que foram votadas sem nenhuma discussão. Uma emenda votada em Plenário sem parecer é isto: ela foi votada sem nenhuma discussão e sem compreendermos, inclusive, qual é a complexidade das restrições que, de repente, o Poder Legislativo Estadual resolveu colocar além das restrições que a legislação já prevê. Então a gente inaugurou uma etapa complicada aqui – complicada: a de que cada um pode trazer para este tapete vermelho a sua disputa partidária, a sua disputa de oposição. É isso? É isso que estamos devolvendo ao povo de Juiz de Fora?

Lamento muito a aprovação dessa emenda com as restrições que surgiram assim e sem nenhum debate. Isso não fortalece a posição da Assembleia em situações de catástrofes e tragédias que o povo nos municípios enfrenta. Infelizmente a Assembleia está devolvendo isso para o povo de Juiz de Fora com essa votação. Eu votei contra a emenda, mas o resultado final é o posicionamento institucional da Casa Legislativa. Obrigada, presidente.