Pronunciamentos

DEPUTADO LELECO PIMENTEL (PT)

Discurso

Critica a reação do sargento Alexandre, policial militar rodoviário, a uma manifestação popular realizada no entroncamento das Rodovias MG-129 e MG-326. Informa sobre visita realizada à Santa Casa do Município de Belo Horizonte, para inauguração do primeiro equipamento em Minas Gerais que acelera o processo da hemodiálise em crianças.
Reunião 9ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/03/2026
Página 68, Coluna 1
Indexação

9ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/3/2026

Palavras do deputado Leleco Pimentel

O deputado Leleco Pimentel – Deputado Eduardo, quero aproveitar que o senhor ainda está no Plenário para dirigir esta palavra ao senhor. O recorte de WhatsApp e as fake news produzidas ontem, a partir da manifestação legítima da população do Distrito de Fonseca, Município de Alvinópolis; da população de Catas Altas; de Santa Bárbara e de toda a região – de Ouro Preto também, os Distritos de Antônio Pereira e de Santa Rita Durão… Desde as 5 horas da manhã, estiveram presentes, legitimamente, lutando pelo asfaltamento – uma luta de mais de 40 anos – da MG-326 e da MG-129. Trata-se de 13km, que, numa audiência pública aqui, foram prometidos pelo diretor do DER, que entregaria os projetos executivos, o licenciamento ambiental, até o final de dezembro. Eu, como presidente da Cipe, fiz ainda a indicação de que os recursos da repactuação e do Ttac pudessem para ali ser destinados.

Deputada Leninha, o que aconteceu ontem? Às 5 horas da manhã, a Polícia Militar se dirigiu para ali, para tratar com os manifestantes, porque os manifestantes comunicaram da pauta, do horário. Eles fizeram tudo conforme manda a lei. Para a nossa surpresa, quando adentrei o trevo, às 7 horas da manhã, já fui hostilizado por um policial que não estava junto aos demais. Parecia-me alguém que estava deslocado do comando da Polícia Militar. Dito e feito. Era o policial rodoviário Alexandre, que já havia ameaçado todo mundo, falando que ia atirar bala de borracha e que ninguém ia fazer manifestação, que ia multar os carros. Fez um estardalhaço contra as pessoas. Eu nem havia descido do carro, e esse Sgt. Alexandre já estava dizendo que não fiz nada durante três anos. Eu me dirigi ao comandante daquela operação, e ele me disse que aquele era um policial rodoviário que isoladamente estava nervoso, hostil. Assim, com uma sequência de diálogos, que estão gravados, ele continuou, até o ponto de eu dizer para ele que ele não era ali a autoridade, o comando da Polícia Militar, e que não podia proibir o que está garantido pela Constituição, para o nosso povo poder se manifestar pacificamente.

Sabem o que a Polícia Militar fez ontem? Colocou spray de pimenta nos olhos das mulheres, em pessoa com síndrome de Down. E esse, que estava deslocado, insubordinado, ainda estava ameaçando as pessoas. É claro que sou pequenininho no tamanho, mas, na coragem, eu me agiganto. E não me acovardei, assim como não me acovardo. Acho que o deputado Eduardo devia dar conselhos para aqueles que estão ligados ao partido dele ou que pensam da forma como ele pensa. Não aceito as suas recomendações, deputado, porque autoridade não é por meio de uma escopeta, da ameaça. Isso não é autoridade. Isso é alguém fardado, que, na verdade, é um criminoso. Por isso fui ao Ministério Público e levei a denúncia não só de insubordinação.

Deputada Leninha, sabe o que ele faz ao final? A população estava ali, toda amedrontada por ele, e eu cheguei e lhe disse que ele não era o comandante, não era a autoridade ali para dar o comando. E ele falou ao povo que não votasse em mim. Oh, coitado! Eu, que não fui ali para fazer palanque eleitoral, recebi, de bandeja, um bolsonarista fardado me dando a oportunidade de o povo aplaudir. Aí, nessa hora, o representante que comandava a operação o afastou. Eu levarei isso ao comando da Polícia Militar, à Corregedoria e aonde mais for preciso, porque não se pode aceitar uma polícia chantagista, violenta e hostil. Eu não sei onde ele estava quando os caminhoneiros travaram o Brasil, não deixaram ninguém passar. Cadê a valentia do policial, que naquela ocasião se juntou aos bolsonaristas e impediu até ambulância de passar?

Quero parabenizar a população. Estive em Catas Altas, com o prefeito Saulo, e, juntamente ao Padre João, falei hoje pela manhã com o prefeito de Alvinópolis, o Lindouro. Fomos ao Ministério Público e falamos com a doutora responsável pelo órgão em Santa Bárbara. Vocês podem ter a certeza de que o que nós viemos fazer aqui hoje não foi dar satisfação para recortes de WhatsApp, de internet, porque está cheio de falso moralista pregando por aí uma ética e um testemunho, quando, na verdade, defende e fala de coisas sem dar testemunho. Eu peço que chegue até a população de Fonseca e de Alvinópolis que o apoio irrestrito para que o Estado promova o asfaltamento tem a colaboração e a prioridade nos mandatos do Saulo, prefeito de Catas Altas, do Lindouro e do Claudinho, prefeito e vice-prefeito de Alvinópolis.

Ontem, mais de 10 vereadores de Santa Bárbara, de Catas Altas e de Alvinópolis estiveram presentes nessa legítima e pacífica manifestação. Eu olhei nos olhos das mulheres que estavam ali desde as 5 horas da manhã. Eles estavam vermelhos, lacrimejando. Elas nunca foram tratadas como bandidas. Foi isso o que a polícia, infelizmente, ao usar o gás de pimenta… Esse soldado, o Sgt. Alexandre – dou o nome –, não estava no uso das suas faculdades mentais e inclusive se manifestou ideologicamente – está gravado em vídeo –, dizendo às pessoas que eu não fiz nada, mas, depois, perguntou o meu nome. Parece que havia uma confusão mental. Como ele disse que eu não fiz nada e depois perguntou o meu nome? Se pelo menos soubesse o meu nome, eu acho que acompanharia e saberia que nós sempre cobramos e vamos continuar cobrando, neste Plenário, que as pessoas tenham o direito de ir e vir, pessoas que estão morrendo porque não têm como ser socorridas.

Ali o Sevor e as guardas municipais estavam do lado do povo, cuidando. Parabéns à Guarda Municipal de Catas Altas! Parabéns à Guarda Municipal de Alvinópolis! Elas estavam presentes junto com o povo, garantindo que idosos e idosas estivessem ali com o seu direito resguardado. Fizeram um acordo para fechar meia pista e fazer um “pare e siga”. Quando as pessoas dizem que os policiais militares estão a serviço das mineradoras, eles se sentem ofendidos. A minha chegada, diferentemente do que está sendo retratado, foi uma chegada de mediador. Eu consegui estabelecer uma relação entre a Polícia Militar e aqueles que se manifestavam legitimamente. Todos puderam falar ordeiramente e dar o seu testemunho. Ali a gente conseguiu estabelecer as pautas, inclusive uma visita técnica desta Assembleia Legislativa, que eu já aprovei na comissão, no final do ano passado, e uma audiência pública que será realizada no Município de Catas Altas, convidando o Ministério Público, o DER e a comissão responsável hoje por aprovar os projetos da repactuação. É ela que vai dizer qual é o recurso que vai ser alocado para esses 13km. Nós estamos falando da região do Médio Piracicaba, cujos afluentes, rios, córregos e nascentes deságuam no Rio Doce. Portanto nós estamos tratando de salvar a bacia com um projeto de criação do polo agroecológico e de implementação de barraginhas.

Eu e o deputado federal Padre João estivemos no Ministério Público de Santa Bárbara. Eu faço questão de trazer esse esclarecimento ao Plenário, ao mesmo tempo em que parabenizo aquela população. Tenho certeza de que cada um que estava ali viu que esse recorte de vídeo que os bolsonaristas estão colocando nas redes, além de fake news… Nós vamos cobrar de cada blog, de cada um que se manifestou tratando mentira como se fosse verdade. Eu tenho certeza da minha contribuição. Eu viro as noites pelas estradas, durmo pouco, porque o meu trabalho e o trabalho de muitos deputados e deputadas aqui, tenho certeza, é honrar os votos. Eu represento aqui os mais pobres, não represento mineradora, não represento aqui gente de rabo preso nem de língua presa. Então, quando o senhor quiser dar algum conselho a alguém sobre autoridade, lembre-se de que a autoridade não se impõe pela arma. Autoridade não se impõe com chantagem. A isso dou o nome de autoritarismo.

Quero ainda fazer a distinção. Para não generalizar – porque estou aqui conversando também, sempre, com o Sandro –, temos que distinguir uma relação da outra. Autoridade é aquela que se coloca diante do povo, ouve o povo e, com legitimidade, consegue fazer com que aquilo que é uma pauta comum ou coletiva se expresse, para que não sejamos confundidos até pelos conflitos que são naturais. Autoritarismo é quando você, fardado, acha que pode provocar ou dizer quem vai ser eleito, quem não vai ser eleito, quem vai ser multado, quem não vai ser multado; ou quando você aponta uma arma e diz para a pessoa que a manifestação dela não é legítima e que é você quem vai determinar se haverá manifestação ou não.

Então, se estão batendo palmas para quem ameaçou o povo ontem, maltratou e praticou toda forma de hostilidade e violência, me desculpe, o senhor não conhece autoridade. E não é necessário estar investido nem de concurso público nem de fardamento para que você reconheça que as pessoas cometem crime. Inclusive, é por essa razão que muitos policiais, infelizmente, não tendo saúde nem da mente para atuar, cometem suicídio, ou matam, ou fazem aquilo que nós, seres humanos, fazemos quando não temos equilíbrio ou quando não temos nossa saúde integral, da mente e do corpo, respeitada: acabamos por agir de forma hostil e violenta.

Penso que, se a corporação militar tiver o desejo de tratar policiais que precisam de acompanhamento psiquiátrico e psicológico, para não estarem nas ruas vociferando ódio, babando veneno e com arma para matar os outros… Não podemos permitir que esta pessoa adoentada não tenha o devido tratamento. Ela não pode estar na rua ameaçando as pessoas. O Sgt. Alexandre vai responder na Corregedoria, vai responder no Ministério Público, e a Polícia Militar vai responder pelos excessos: utilizar gás de pimenta no rosto de mulheres idosas, inclusive de uma pessoa com síndrome de Down, que estavam presentes, além dos 10 vereadores.

Quando cheguei, toda essa aberração já havia acontecido. Consegui fazer com que aquele povo colocasse suas pautas, cantasse suas letras e músicas de luta, e também consegui conversar com as autoridades. Havia ali, inclusive, um coronel que havia chegado e que, reconhecidamente, estava com o comando da Polícia Militar. O policial rodoviário, isoladamente, agiu com autoritarismo, com chantagem e com ameaça. Faço restituir a verdade, a partir do Plenário, para que possamos também tomar as providências cabíveis. Nós, que somos defensores dos direitos humanos, de todos os direitos humanos, não podemos nos acovardar quando, sob farda ou sob autoritarismo, um policial ou qualquer servidor público aja contra o público ou contra o povo, ameaçando e levando hostilidade e violência.

Termino dizendo também da alegria de ter ido ontem, convidado – eu e o deputado federal Padre João –, à Santa Casa de Belo Horizonte, como guardiões da nefrologia. Quero parabenizar o discurso e o projeto do Carlos Pimenta, que, agora há pouco, também falava aqui sobre a importância de cuidar dos rins. A segunda quinta-feira do mês de março é considerada o Dia Mundial dos Rins. Por isso, a gente cuida da água, do alimento e a gente precisa cuidar da saúde.

Inauguramos ontem o primeiro equipamento em Minas Gerais que faz acelerar o processo da hemodiálise em crianças, que, às vezes, deputada Beatriz, tiveram nascimento prematuro. Elas já podem, com esse equipamento, ter o tratamento para salvar as suas vidas. Tivemos uma criança, a Sara, que, nesse tratamento, já pôde, com vida, mostrar que nós vamos… E se lutarmos para que os outros tenham direito a uma saúde e que o SUS seja integralmente quem vai dar condições aos brasileiros, vamos ter a vida da Sara em tempos melhores que os nossos. Muito obrigado, deputada Leninha. Obrigado a todos.