Pronunciamentos

DEPUTADO CRISTIANO SILVEIRA (PT)

Discurso

Defende políticas públicas de saúde implementadas pelos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e critica a condução da política de saúde durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Critica o incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada para tratamento da covid-19 e ressalta recomendações de autoridades sanitárias contrárias a essa prática. Destaca a expansão de serviços e investimentos em saúde pública, incluindo radioterapia, cursos de medicina em universidades federais e implantação de hospital universitário.
Reunião 6ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 06/03/2026
Página 39, Coluna 1
Aparteante BRUNO ENGLER, LELECO PIMENTEL
Indexação

6ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 4/3/2026

Palavras do deputado Cristiano Silveira

O deputado Cristiano Silveira – Pessoal, eu acho que o debate que nós estamos fazendo hoje no Plenário é muito salutar. Gostaria até que o deputado Bruno, se puder, permaneça aqui, porque eu queria dialogar com ele sobre algum dos seus argumentos. A gente vai falar um pouco sobre saúde, sobre sistema público de saúde, sobre investimentos, pesquisa e ciência.

Queria dizer que, no meu aparte ao deputado Leleco, eu sugeri que nós fizéssemos uma comparação das principais ações do governo Bolsonaro para a saúde pública no País com as ações do governo do presidente Lula. No caso, eu apresentei um conjunto de programas muito conhecidos do povo brasileiro: Farmácia Popular, UPAs, rede Samu, programa Mais Médicos e Agora Tem Especialistas. E a gente não conseguiu vislumbrar nenhuma informação sobre o grande programa de saúde do governo Bolsonaro.

Eu disse, deputada Beatriz, que a grande ação de saúde do governo Bolsonaro havia sido o seu desleixo com a covid, o desleixo de não ter cuidado das vacinas, de não ter cuidado das pessoas para elas manterem o distanciamento, de não ter acatado todas as regras recomendadas pelas autoridades de vigilância sanitária. O Brasil foi um dos países em que mais morreram pessoas por densidade populacional em decorrência da covid. Nós estamos falando de algo em torno de setecentas mil pessoas. É um negócio gravíssimo. Sem falar daquele episódio em Manaus: a falta de oxigênio. Não foi só a falta de vacina.

Eu estava dizendo também que a grande ação do Bolsonaro foi recomendar ou fortalecer as teses de uso de cloroquina e ivermectina na época da covid. Em vez de focar a questão da vacina – “vamos perseguir a vacina, como vários países estão fazendo” –, ficou dando coro a respeito do uso dessas coisas que não têm eficácia comprovada. Aí o colega disse o seguinte: “Não, o médico tem que ter autonomia para prescrever, para receitar”. Mas o que nós temos? Vamos falar aqui das autoridades, no mundo, que tratam sobre aquilo que deve ser prescrito ou não, recomendado ou não, através de muitas pesquisas. E aí não fica discricionário o palpite do profissional, mas chancelado por organismos que têm envergadura para isso. Veja bem: a ivermectina não é recomendada para prevenção ou tratamento da covid-19 por nenhuma das principais autoridades de saúde – Ministério da Saúde; Anvisa; Organização Mundial da Saúde; FDA, dos Estados Unidos; e EMA, da Europa. Nenhuma das grandes instituições que tratam da questão da saúde, que têm um corpo técnico robusto, pesquisas, recomendou ivermectina. A ivermectina é muito conhecida no Brasil como remédio para gado; ela não é remédio para tratar seres humanos e tratar covid. Se for para tratar a questão de parasita… Como se fala? Desses trens que uma vez por ano você tem que tomar? Vermífugo, não é? Existe um monte de remédio – Zolben, Zentel – que você pode tomar. Não precisa ser ivermectina, que é o remédio do gado. Então eu queria também trazer aqui esse argumento.

O outro ponto do meu argumento é a respeito das comparações das questões de saúde. Há colega que pega o microfone aqui e traz as questões de saúde como se fossem de agora. Mas eu já os ouvi denunciar isso em vários e vários mandatos por vários governos que passaram. E eu queria fazer um registro. Veja bem: fala-se muito de oncologia, de enfrentamento do câncer. Eu vou conceder um aparte ao deputado Bruno em breve, porque acho que o debate hoje tem que ser promovido. Eu falei: “Vamos olhar essa questão da oncologia”. Deputado Leleco, no governo da presidenta Dilma, houve uma expansão da oferta de serviços de radiologia com o fornecimento de diversos equipamentos chamados aceleradores lineares. Inclusive, no meu Município de São João del-Rei, nós temos hoje radioterapia. Em Barbacena, nosso município vizinho, em que atuamos também, no hospital Ibiapaba, existe radioterapia. E recentemente, no ano passado, o ministro Padilha aqui esteve para inaugurar radioterapia no Município de Itabira. Olhe como vai sendo feita a expansão do serviço, descentralizando-o para que o atendimento esteja nas regiões, esteja mais próximo das pessoas.

Agora estamos falando dos cursos de medicina. Pois bem, temos que lembrar que a ampliação dos cursos de medicina nas universidades federais também aconteceu. No governo do presidente Lula, tivemos o curso de medicina em Divinópolis. Por falar em Divinópolis, lá teremos um hospital universitário, pela Ebserh. O Estado doou o imóvel, e a Ebserh vai assumir um hospital universitário para atender a todo o Centro-Oeste. Em Mariana também, deputado Leleco. Bem lembrado. Estamos falando também de São João del-Rei, que agora tem, na Universidade Federal, o curso de medicina. Olhem o governo do presidente Lula.

Pergunto – o deputado Bruno, na sequência, vai me responder – quantos cursos de medicina nas universidades federais foram abertos pelo governo Bolsonaro e quantos equipamentos de acelerador linear para radioterapia foram entregues no governo do presidente Bolsonaro. Essas são perguntas importantes para que a gente faça as comparações. Vamos lá. (– Lê:) “Ministério da Saúde recebe medicamento inédito para tratamento de câncer de mama no SUS.” Queria pedir aos deputados, principalmente aos colegas que atuam muito na questão da saúde e do câncer, que listem para mim todas as ações e investimentos do governo Bolsonaro no enfrentamento ao câncer. Nós vamos fazer o mesmo sobre o presidente Lula, sobre o governo do PT. Essa é a comparação que interessa à sociedade para que se saiba quem está cuidando de fato da saúde.

O deputado Bruno Engler (em aparte) – Obrigado, deputado Cristiano. V. Exa. pediu que eu ficasse no Plenário para ouvi-lo, e assim o fiz. Acho que, como V. Exa. disse, o debate é salutar. Inclusive, acho que podemos, sim, fazer uma audiência pública para tratar de como tem sido o atendimento à saúde no atual governo e também no governo anterior, do presidente Bolsonaro. O presidente da Comissão de Saúde está aqui – deputado Arlen –, e tenho certeza de que tem disponibilidade para fazê-lo. Poderemos nos aprofundar tecnicamente no tema.

Pedi um aparte, e isto é exatamente o que eu falei da tribuna: é preciso justamente separar as narrativas e os fatos. Quando se fala da Hidroxicloroquina e da Ivermectina, o que o governo Bolsonaro fez – e de fato fez, acredito que acertadamente – foi defender a autonomia dos médicos. O governo Bolsonaro não prescreveu tratamento para ninguém. Mas o que a gente observou na pandemia foi uma tentativa de proibir, de criminalizar os tratamentos off-label, isto é, o uso de medicamentos para além do que está previsto na bula. O governo saiu em defesa da autonomia médica. Cada médico conhece a realidade do seu paciente e pode prescrever aquilo que julga ser mais eficiente. Posso falar da minha experiência pessoal. Contraí covid duas vezes. Nas duas vezes, minha médica receitou o tratamento off-label. Nas duas vezes, tomei e, graças a Deus, não tive nada. Se foi por causa dos remédios, não sei. Mas segui o tratamento que a minha médica orientou e, graças a Deus, não tive nada.

Da mesma maneira, há a questão das vacinas. Muito se critica a postura do presidente Bolsonaro a respeito das vacinas, mas o que ele defendeu foi o direito de cada cidadão de escolher se iria se vacinar ou não. Não houve demora na aquisição de vacinas. Assim que as vacinas foram aprovadas pela Anvisa, elas foram compradas. Mais de trezentos milhões de doses de vacinas foram compradas no governo Bolsonaro. Todo mundo que se vacinou até 1º de janeiro de 2023 se vacinou com vacina comprada pelo governo Bolsonaro. O que o Bolsonaro sempre defendeu foi a liberdade de cada um de escolher se tomaria essa vacina ou não; aquilo a que ele sempre se opôs foi a obrigatoriedade. E não houve demora. A diferença de tempo entre a primeira vacina aplicada no mundo contra a covid-19 e a primeira vacina aplicada no Brasil foi de menos de dois meses. Assim que tivemos a aprovação da Anvisa, que é um órgão técnico, o governo federal comprou as vacinas.

Respeitosamente – assim como V. Exa. me concedeu o aparte –, se a gente for falar de Anvisa e demora, a gente poderia tratar, por exemplo, da vacina da dengue. A Anvisa aprovou a vacina produzida pelo Japão, e o governo Lula demorou – demorou bastante – para comprar. Trata-se de uma doença que também assola bastante os brasileiros. Então acho importante a gente separar narrativa e fato. Acho interessante o convite de V. Exa. Podemos trabalhar, sim, uma audiência nesse sentido na Comissão de Saúde.

O deputado Cristiano Silveira – Obrigado, deputado. Eu só queria demarcar algumas posições com relação à sua fala. O presidente Bolsonaro, em vários vídeos da época da pandemia, fazia propaganda, com embalagens, para o uso desses medicamentos. Não se tratava somente da autonomia do ato médico. Havia também a defesa pessoal dele a respeito da utilização desses medicamentos. Acho importante dizer isso. Também é evidente que a pandemia era um contexto de muita gravidade; era grave o que estávamos vivendo. A reclamação que temos é que o governo demorou a assumir a disposição de comprar as vacinas. Vamos lembrar que tivemos o ministro do próprio governo Bolsonaro, que deixou o governo. Antes do Pazuello, o ex-ministro Mandetta deixou o governo por discordar da forma como o governo conduzia a política de saúde à época da pandemia. Eu estou falando de membro do próprio governo Bolsonaro, do ex-ministro Mandetta. Ele, que é médico, falou: “Isso aqui está errado, essa condução está errada”. Acho que é importante a gente demarcar isso. Seria fantástica uma audiência para a gente fazer as comparações. Fantástica! Poderíamos comparar orçamento, investimento, programas, políticas, resultados que temos tido na saúde em cada um desses governos. Eu acho que seria uma audiência muito, muito salutar.

Então eu queria dizer para os colegas que a gente precisa lembrar que, nos nossos governos, tivemos a criação de programas fundamentais. E nós não temos uma marca. O que está na memória do povo brasileiro, em termos de lembrança da saúde pública no governo de Jair Bolsonaro, infelizmente, como todo mundo sabe, são as centenas de milhares de mortes que ocorreram à época da pandemia, porque houve, sim, negligência na condução da pandemia àquela época.

O deputado Leleco Pimentel (em aparte) – Eu creio que hoje nós estamos oportunizando, para todos que nos acompanham, que aguardam a votação dos projetos, um debate sem hostilidade e sem ataque pessoal, mas respondendo às pessoas. Deputado Cristiano, nem o Arlen nem o Bruno Engler dedicaram um segundo sequer a responder às perguntas feitas pelo senhor sobre o que o governo Bolsonaro fez. O que eles poderiam aqui dizer para nós? O senhor citou, eu citei também, durante a minha fala, que agora, por exemplo, estão abertas 40 UBS só para o Norte de Minas. O senhor citou os hospitais que agora somarão cinco ou seis. Também o hospital de Santana do Paraíso foi anunciado, porque hoje existe um curso de medicina da Universidade Federal de Ouro Preto, em Ipatinga, assim como em Mariana, que é o epicentro também do crime da Vale. O governo federal é que tomou a atitude de coordenar a construção de um hospital público, o primeiro em 300 anos. Esse era o debate.

Quero dizer algo ao deputado Bruno Engler, que tentou aqui desqualificar a fala de V. Exa. É um filósofo; eu, historiador. Parece-me que Bruno Engler também não é médico, e o Bolsonaro nomeou um tal de Pazuello, que não é médico também. Aliás, paira sobre ele muitas investigações de corrupção, porque a tal da compra feita pelo ministro anterior e por ele demonstra que houve corrupção. Corrupção! Pagaram pela vacina não sei quantas vezes mais, porque foram obrigados. Deputado Cristiano, boa lembrança. Retiraram do ar aquelas baboseiras de indicação que o Bolsonaro fazia de automedicação com ivermectina. Eu acredito que ele tinha, sim, que usá-la, inclusive porque deve ter muito problema. Ele precisa usar aquilo até para a cabeça.

Agora peço que essas palavras do Bruno Engler também não permaneçam aqui, como se verdade fossem, porque o que tivemos aqui, na fala do deputado, é muito perigoso. Ele praticamente prescreveu e disse que usou. Então eu acho perigoso a gente ter, no tempo em que a ciência avança, no tempo em que combatemos fake news, falas que continuam a asseverar que ivermectina é que pode ter salvado vida no Brasil. Devolvo a palavra. Obrigado pelo aparte.

O deputado Cristiano Silveira – Eu só queria lembrar também, deputado Leleco, que, à época da pandemia, durante aquele processo de discussão de compras de vacina, nós vimos, nos noticiários, que o governo teria pedido propina em dose de vacina. A informação que circulou, à época, era que se pedia US$1,00 por dose de vacina para se fazer a compra do medicamento. Esse é um componente que, claro – além de mostrar que pessoas que estavam em postos estratégicos do governo puderam utilizar esse espaço para um ato de corrupção evidente –, tem impacto, depois, na demora em todo esse processo. Então, como o Brasil não se preparou, não se antecipou, foi um dos últimos países a receber as vacinas. Quando elas começaram a ser produzidas, os países que já estavam mais organizados passaram a ter a preferência nas compras, a receber o medicamento primeiro. Nós vimos o que aconteceu.

Agora, vejam… Lembram o que era a pandemia, gente? Todo mundo está aqui – os repórteres, inclusive. Todo mundo que está aqui lembra o que era a pandemia? Todo mundo guardado dentro de casa, e o povo morrendo daquele jeito. Como nós estamos hoje? Como nós estamos hoje? Ainda existe covid, mas não há mais pessoas morrendo como estavam morrendo naquele período. Esse é o efeito da vacina. Por isso eu sempre repito: não neguem a ciência. Não neguem a ciência. Ciência salva vidas. Não sei se tenho mais tempo para dar um aparte ao deputado Bruno. Poderia, por uma questão de ordem…