Pronunciamentos

DEPUTADA BELLA GONÇALVES (PSOL)

Questão de Ordem

Manifesta repúdio a casos recentes de violência sexual contra mulheres, crianças e adolescentes, em referência a caso de estupro de adolescente ocorrido no Município do Rio de Janeiro (RJ) e critica a naturalização da violência de gênero na sociedade. Propõe mobilização social e atuação do Poder Legislativo no enfrentamento da violência contra mulheres e meninas.
Reunião 5ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/03/2026
Página 52, Coluna 1
Indexação

5ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 3/3/2026

Palavras da deputada Bella Gonçalves

A deputada Bella Gonçalves – Muito obrigada, presidenta Leninha. Venho aqui manifestar, mais uma vez, o meu mais do que repúdio, o meu nojo diante de uma sociedade que, a cada dia, Leleco, nos traz uma nova notícia de brutalidade machista. Hoje a notícia é de uma jovem de 17 anos que sofreu estupro por cinco homens no Rio de Janeiro. Sabe, é muito difícil viver em um país onde 61% dos estupros notificados são contra crianças e adolescentes, onde temos medo de andar nas ruas e sermos emboscadas e que as nossas filhas e irmãs sejam emboscadas como estão sendo cotidianamente por uma sociedade que não consegue tratar a violência de gênero como algo sério. Queria relembrar que esse é um debate profundo no mundo hoje. Está todo mundo escandalizado ao acessar os arquivos do caso Epstein nos Estados Unidos, que envolve senadores, deputados, intelectuais e até presidente da República em caso de abuso e exploração sexual de mulheres, de crianças e de adolescentes com requintes de crueldade. Aqui, no Brasil, já tivemos presidente dizendo que, ao passar de moto por uma cidade periférica, sentiu que pintou um clima com uma adolescente. Em Minas Gerais, na semana passada, o nosso Tribunal de Justiça virou caso nacional porque um desembargador resolveu absolver um homem de 35 anos que tinha relação com uma menina de apenas 14 anos, ou melhor, 12 anos! Uma sociedade que naturaliza esse tipo de violência não pode prosperar. E mais do que medidas punitivistas que possamos ter contra esses homens agressores precisamos gerar uma campanha de engajamento de mulheres e também de homens para enfrentar a violência contra as mulheres e, em especial, a violência contra crianças e adolescentes. Chega, chega de sermos emboscadas, mortas, violentadas todos os dias! Estamos às vésperas do 8 de março, Leninha, e ocorre mais uma notícia triste. Cada semana é uma nova notícia triste de violência que acomete as mulheres e as meninas do Brasil. Então achei importante trazer esse tema para o Plenário para que comecemos este mês de março pensando como a nossa Casa Legislativa pode dar respostas concretas a essa onda de violência que mulheres e meninas estão vivenciando. Muito obrigada.