DEPUTADA LOHANNA (PV)
Declaração de Voto
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 27/02/2026
Página 74, Coluna 1
Indexação
4ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 25/2/2026
Palavras da deputada Lohanna
A deputada Lohanna – Boa tarde a todos os presentes. Boa tarde à deputada Leninha, nossa presidenta, e a todos os colegas deputados que estão aqui. Presidenta, quero falar sobre dois assuntos muito rapidamente, mas antes eu queria citar o que aconteceu mais cedo, na audiência que a gente teve de convocação do secretário de Estado de Educação. Foi lamentável a audiência. Quero dizer, a audiência foi excelente, mas a participação do secretário foi lamentável. Ele foi convocado para apresentar aspectos importantes da educação, mas não trouxe números, não citou Minas Gerais e havia slide do Pará no meio da apresentação. Meu líder, deputado Ulysses, no meio da apresentação do secretário, havia slide do Pará. Ele sequer atualizou a própria apresentação para nos apresentar. Mas o pior de tudo, que quero citar aqui, é que a gente pediu para ele o plano de aplicação do programa Juros por Educação, que é uma etapa do Propag, construído pelo presidente Tadeu junto ao senador Rodrigo Pacheco. A gente pediu no início da audiência. A audiência terminou às 14h15min, e ele ainda não havia apresentado. Quero reforçar aqui, de público, o meu pedido, porque, gente, estamos falando de um investimento de R$1.000.000.000,00! Isso não pode estar na mão de uma pessoa na Secretaria de Educação, guardada a sete chaves. Ninguém dá conta de apresentar ou não querem apresentar. Então estou aqui deixando esse registro. Para além disso, presidenta, eu queria muito rapidamente falar sobre como é lamentável a postura pequena do governo de Minas e a politicagem que eles estão fazendo em cima das mortes em Juiz de Fora. E eu me enganei, sabe, presidenta? Porque ontem, quando vi que o governador Romeu Zema e o vice-governador Mateus foram a Juiz de Fora e Ubá, deixei um comentário no Instagram, em um post do jornal Estado de Minas, que comentou que eles estavam indo para lá, para a Zona da Mata. Comentei no post: “Que bom que eles estão indo. Esse é um gesto muito importante”. Às vezes, fico achando que posso ficar na política por 20 anos, que não vou endurecer e ficar cética o suficiente. Eu realmente achei bom, realmente acreditei que eles estavam indo de boa-fé. Quando o vice-governador chegou lá e demonstrou sua solidariedade à prefeita Margarida, fiquei super satisfeita. Achei que eles estavam fazendo uma política de alto nível pela primeira vez na vida, respeitando a institucionalidade e os cargos que eles ocupam. Pois não dura muito, não é, deputada Beatriz? Hoje, pela manhã, o vice-governador deu uma entrevista para a CBN. E que marmota de entrevista, que entrevista mais desrespeitosa! Ele deu uma entrevista culpando a prefeita Margarida pelo que aconteceu em Juiz Fora, dizendo que, há não sei quantos anos, a cidade sabia sobre as casas nas encostas. Ora, quanto o governo do Estado mandou de recurso para construir casas fora das encostas? Quantas casas a Cohab construiu fora das encostas? Porque não estou sabendo, presidenta, de nenhuma casa que o vice-governador Mateus Simões mandou construir lá em Juiz de Fora, fora das encostas. E se construiu, definitivamente, não foram 50 mil casas. Programa habitacional é sempre feito pelo governo federal e pelo governo do Estado, as prefeituras que conseguem fazer isso são poucas. Então acho importante colocar isso. Para além disso, acho importante colocar a matéria relevante que o jornal O Globo fez hoje de manhã, contando do corte de 95% dos investimentos para a prevenção de enchentes em Minas Gerais. Saímos de R$135.000.000,00 para R$6.000.000,00. Gente, R$6.000.000,00 para o Estado é troco de pão, não paga o buffet que o governador gasta para receber os convidados dele na Cidade Administrativa. Então a gente tem esse corte ao mesmo tempo em que a gente tem o maior aumento da história de isenções para setores específicos da economia. Hoje são mais de R$25.000.000.000,00 – bi, com “b” – em impostos que não são pagos. Então eu acho que é muito importante a gente colocar o fim melancólico que o governo de Minas está tendo. Ele está escolhendo fazer politicagem sobre a dor, está escolhendo o caminho do ódio, e não o caminho de apoiar verdadeiramente o povo de Minas Gerais num momento tão duro quanto esse que tem vivido. Mais cedo, o deputado Professor Cleiton fez um questionamento que eu achei muito pertinente. Presidenta, ele falou que estava na hora de o vice-governador perguntar para a bancada do Partido Novo, o qual ele integrava até ontem, como ela votou no PL da Devastação. É com a aprovação de projetos de lei como o PL da Devastação que a Mata Atlântica está sendo destruída. A Zona da Mata é uma região de Mata Atlântica, o bioma de lá é Mata Atlântica. Graças à ausência de todos os processos de licenciamento ambiental, a gente tem construções em encostas, mineração onde não devia, plantação e gado onde não devia. Para finalizar, presidenta, acho importante a gente colocar que não há como plantar vento e querer colher qualquer coisa diferente de tempestade. Neste país a gente precisa tomar um rumo em relação aos desastres climáticos e à emergência climática. Não dá para achar que, do jeito como está, a coisa vai se sustentar no longo prazo. As chuvas serão cada dia mais fortes e mais intensas, as alterações de temperatura serão cada dia mais fortes e mais intensas. Já concluindo, presidenta, a gente precisa se organizar, enquanto poder público, para evitar cenas como essas. Não vamos ficar atacando outro ente federativo enquanto ainda há corpo soterrado. É lamentável! O vice-governador começou bem ontem, mas hoje já agiu como de costume, que é de uma forma péssima. Obrigada, presidenta.