Pronunciamentos

DEPUTADA LUD FALCÃO (PODE)

Discurso

Lamenta problemas enfrentados por Minas Gerais, como dificuldades do setor leiteiro, instalação de pedágios sem contrapartidas de obras de segurança e falta de professores de apoio para crianças atípicas na rede estadual. Contesta declarações do vice-governador sobre a sua trajetória política e a de seu esposo, prefeito do Município de Patos de Minas.
Reunião 1ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 06/02/2026
Página 159, Coluna 1
Indexação

1ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 4/2/2026

Palavras da deputada Lud Falcão

A deputada Lud Falcão – Boa tarde a todos os colegas presentes. Começamos o ano de 2026 com muitos problemas em Minas Gerais, e aqui eu cito alguns deles. Hoje, como grande defensora do agro da nossa Minas Gerais, que é o Estado que mais produz leite no nosso Brasil, a gente vê os nossos produtores de leite sangrando em razão do alto custo de suas produções e de um valor muito baixo na hora da comercialização.

Na região do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste, nós somos obrigados a engolir, goela abaixo, a instalação de pedágios que têm um dos maiores valores cobrados na nossa região. Temos como exemplo um lote feito na nossa região, o Triângulo Sul, onde não há nenhuma obra estruturante para garantir segurança a quem trafega nessa importante rodovia, a 365. Já me reuni com muitas mães atípicas neste ano de 2026, que procuram, para os seus filhos, professores de apoio nas escolas estaduais, para garantir o desenvolvimento e o acolhimento dessas crianças. De fato, são muitos os problemas que Minas Gerais enfrenta.

Iniciei o ano de 2026 convicta de que nós temos que trabalhar muito pelos mineiros e mineiras que confiaram a nós o voto de seriedade, honestidade e muito trabalho. Respeito, democraticamente, quem pensa diferente, assim como foi o vídeo do vice-governador feito no primeiro dia, no dia 1º/1/2026, no qual ele fala que no dia 1º de janeiro, de manhã, depois do Réveillon, metade das pessoas está preocupada em fazer dieta ou em acordar; nós estamos preocupados em trabalhar. Por que falo isso? Hoje começo o meu trabalho na Assembleia e confesso a vocês que utilizaria o meu espaço de tempo aqui para comunicar a todo o Parlamento as dificuldades que estamos vivenciando em diversos setores. Mas, depois de 15 dias, o vice-governador apareceu, mostrando o rosto e usando o nome de Lud Falcão, reconhecendo a ameaça que ele fez a mim. Em uma fala, uma entrevista que fez ao jornal Estado de Minas, ele cita alguns pontos que eu gostaria de destacar.

O primeiro deles: ele fala que tanto eu quanto o meu marido, o prefeito Falcão, fomos eleitos graças ao apoio do governo. Quero pedir licença a todos os colegas e explicar como chegamos até aqui. Patos de Minas estava cansada de políticos que já não entregavam as necessidades do nosso povo. Falcão nunca teve ninguém na sua família que fosse político. Quando colocou o nome à disposição, ele levava para o nosso povo valores e ideias que mudariam a cidade. À época, Falcão era uma pessoa filiada ao Partido Novo. No entanto, o primeiro golpe veio daí, quando o Partido Novo não o aceitou para ser candidato a prefeito no Estado de Minas Gerais.

Posteriormente, quando Falcão foi eleito prefeito de Patos de Minas, não ocupei nenhum cargo na prefeitura, mas trabalhei com o coração, cuidando da minha população. A função de primeira-dama, para mim, é uma função de mãe: olhar a dor do outro com os seus olhos. Foi esse povo que pediu para que eu fosse candidata na minha cidade. De Patos de Minas saí com quase quarenta e dois mil votos. Ao total, foram 59.381 votos. Patos é uma cidade que cobra muito dos seus políticos, com toda a razão e legitimidade. Patos tem a história de nunca ter reeleito um prefeito. Falcão concorreu novamente. Não foi só reeleito, como teve o apoio de 85% dos votos válidos. Hoje, Falcão tem 91% de aprovação.

Quando isso aconteceu, vendo a expressão de um prefeito sério e idôneo, o governador Romeu Zema convidou Falcão para voltar para o Partido Novo. Ele voltou ao Partido Novo para contribuir, porque sabe a dor do interior do Estado de Minas Gerais. Os prefeitos convidaram Falcão para ser candidato à presidência da AMM, para representar a instituição, que é a maior da América Latina em representatividade dos nossos prefeitos. No entanto, não houve apoio do governo do Estado de Minas Gerais; pelo contrário, o governo do Estado de Minas Gerais, que era do partido do qual o Falcão fazia parte, além de virar as costas, começou a trabalhar contra.

Essa, meus queridos colegas, é a história de Lud Falcão e do prefeito Falcão. Então queria lembrar ao vice-governador que chego até aqui também pelo meu trabalho e por tudo o que desempenho. Quando o vice-governador fala hoje que ligou para o vice-líder do governo… Quantas vezes eu já recebi ligações e receberei ligações para construir o governo do Estado de Minas Gerais! Cheguei aqui porque sei que este estado precisava de mãos fortes depois de um governo ser destruído pela gestão Pimentel, pela gestão do PT. Pegamos na mão do governador Romeu Zema para construir um estado melhor. Quando recebo ligações, essas vêm para fazer construção. Nesse caso, essa ligação não foi para ter construção, mas, sim, de ameaça a algo que não tinha nada a ver com a minha atuação parlamentar. Ligou porque se sentiu ameaçado quando o Falcão defende a dor dos prefeitos, defende a dor do interior que tem de custear serviços do Estado, sendo que os municípios vivem com o pires na mão. Mais do que isso: o entendimento do vice-governador, pelo que disse em sua fala, é que ele deveria ligar para mim porque sou eu, parlamentar, que tenho cargos e emendas. Ora, a boa e a nova política pregada, então, por esse governo e da qual o vice-governador diz que faz parte! Nós sabemos que as emendas e as indicações de cargos técnicos vêm para construir um estado mais forte, para ouvirmos as demandas das pessoas e entregarmos soluções e resultados; porém, para ele, não. As emendas e os cargos no governo aos quais ele se refere são um instrumento de barganha. E aqui é a minha resposta a ele: “Respeite o Parlamento mineiro! Aqui não é balcão de troca, não! Nós estamos aqui para atuar em favor de um estado que é muito respeitado. A junção de todos esses votos é a confiança de um povo mineiro, independentemente de ideologias ou posições”. Quando diz isso, ele vem para desmerecer a nossa atuação; e isso não podemos aceitar.

Sobre o oportunismo eleitoral que ele cita eu preciso falar algo aqui para todos os nossos colegas. Sou uma deputada estadual que realizei o meu trabalho olho a olho, sem medir esforços, fazendo entregas, ouvindo a nossa população – e, hoje, continuo como deputada estadual. Ele é candidato ao governo do Estado de Minas Gerais. O oportunismo eleitoral não é da minha parte. Não sou eu que tenho de subir nas pesquisas. É ele quem tem de subir nas pesquisas. Não vou falar aqui de machismo, porque, muitas vezes, já debati com muitos colegas à altura. Quando firmavam a voz do lado de cá, eu firmava também; quando subiam o tom, eu subia também, até porque sempre existiu respeito dentro desta Casa. E a gente sabe o que é a força da voz de uma mulher mineira. Existe diferença. E a diferença aqui é a falta de respeito, é não valorizar uma vice-líder que sempre atuou na construção do Estado de Minas Gerais ao lado do atual governador Romeu Zema. É desrespeito!

Caros colegas, lembro-me, com muito carinho, da primeira vez que subi neste púlpito. Há uma frase que está tatuada dentro do meu coração: “Chego com valores fortes, inquestionáveis e – digo mais – inegociáveis. Eu não cedo a ameaças”. O que o senhor fez foi me ameaçar, foi se acovardar, infelizmente, e não ter coragem de ligar para o meu marido, que fala, institucionalmente, a dor por entender o que é o interior. Como cristã, como mulher de fé, eu rezo para que Deus toque o seu coração, vice-governador.

O senhor disse que espera que a gente ainda consiga deixar tudo certo. Tudo começa pelo pedido de desculpas, isso é nobre do ser humano. Todos nós erramos, mas temos que reconhecer o nosso erro. Espero também que o senhor seja autêntico e mostre realmente quem o senhor é. O povo de Minas Gerais espera uma disputa eleitoral em que as pessoas estejam de cara limpa, que sejam o que realmente são.

O que eu posso falar hoje para vocês é que eu sigo com os mesmos princípios com os quais cheguei até aqui e que vou caminhar ao lado de pessoas que têm esses mesmos princípios. Respeito, diálogo, comunicação e sensibilidade faltam no senhor. Muito obrigada e fiquem com Deus.