DEPUTADO RICARDO CAMPOS (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 127, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4380 de 2025
43ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025
Palavras do deputado Ricardo Campos
O deputado Ricardo Campos – Boa noite, caro presidente, caros colegas deputados, colegas deputadas e a todo o povo “copasiano” que resiste a luta e presencia esta que vai ser, com certeza, uma data histórica nos anais desta Casa e para Minas Gerais.
Desde que iniciamos o nosso mandato, nós temos trabalhado a máxima na cabeça das pessoas que tudo aquilo que está na Constituição Federal, tudo aquilo que deve ser melhorado no Parlamento é para trazer mais garantias e para viabilizar mais direitos. E aí, quando subimos a esta tribuna para fazer a defesa do que é lógico, esse sentimento vem de encontro àquilo em que acreditamos.
Quero dizer a vocês, povo de Minas Gerais, que nos assiste pela TV Assembleia e pelos nossos canais de mídias sociais, que hoje corremos um grande risco de fazer com que Minas Gerais sofra um colapso no atendimento, no abastecimento de água e no tratamento de esgoto, assim como temos visto ocorrer no Estado do Rio de Janeiro e em várias capitais do Brasil, como em Porto Alegre e em Manaus. Ontem o governador e o prefeito de São Paulo tiveram que se apequenar e pedir clemência e apoio ao presidente Lula para retirar São Paulo do apagão, para retirar São Paulo dos dias de escuridão. E sabem quem foi lá socorrer? Foi uma empresa pública de energia de Minas Gerais: a Cemig. A mesma coisa ocorreu quando tivemos a grave crise climática que acabou causando situações adversas lá no Rio Grande do Sul. Quem socorreu os gaúchos levando água e tratamento de água de forma emergencial foi a Copasa. Isso ocorreu não por meio do governador e do corpo dirigente da empresa, mas sim dos “copasianos”, da sua expertise e da sua formação.
E aí, gente, eu poderia narrar os mais de 200 municípios que há mais de 10 anos esperam o governo cumprir os contratos do programa e colocar água nas suas comunidades. São distritos que chegam a representar mais da metade da população dos seus municípios. Querem um exemplo? O nosso povo de Nhandutiba e de Cachoeirinha, assim como de Brejo de São Caetano, lá no Município de Manga; o nosso povo de Simão Campos e de Olímpio Campos, lá em São João da Ponte; o nosso povo de Bonita 1, de Bonita 2, de Espigão, de Charque e Charquinho, lá em Espinosa; o nosso povo de Mocambinho, das colonizações e de todo o projeto Jaíba, lá em Jaíba; o nosso povo de Lajedão, Gado Bravo e Lajedinho, lá em Matias Cardoso. Estou dizendo, gente, de pessoas que sonham em abrir a torneira e ter água potável. Com a possível aprovação desse projeto hoje e sem uma discussão ampla que deveria ter sido feita com os prefeitos, os vereadores e as comunidades… E mais ainda: que haja garantias estabelecidas em regra para que possam ter parte do lucro que a empresa Copasa obteve nos últimos anos e operar daqui para frente, de forma que sejam reinvestidos em saneamento, sejam aplicados. Mas isso não ocorreu. Sabem de uma coisa que não contam para ninguém aqui? Em caso de uma possível privatização, além de todo o desastre e do caos já anunciado em nossas falas anteriores e pelos nossos colegas deputados e deputadas, em situações de crise climática, sabem o que vai acontecer? Vai acontecer também, com certeza, o superfaturamento da tarifa de água, assim como ocorre com as bandeiras da tarifa de energia. Quando falta água e não há produção de energia suficiente, elevam as nossas tarifas até 30% ao ano – e não vai ser diferente também com o nosso saneamento.
Quero dizer, em nome de vários “copasianos” e de todos vocês, que essa luta não acabará hoje, porque, ao mesmo tempo em que devemos promover a defesa da Copasa, do “copasiano” e do saneamento, devemos impor na agenda institucional do governo que nada é favor, mas que tudo é direito. Os mineiros são pagadores de impostos e precisam que eles sejam investidos em serviços.
E o que nós vimos aqui é o governo do Estado cometer aquilo que ele já anunciava. Um governo, gente, que, para o ano de 2026, dará R$24.000.000.000,00 de isenção fiscal a grandes donos de locadoras, a grandes donos de transportadoras, a corretores imobiliários e a banqueiros está preocupado se vai faltar água para o povo pobre? Está preocupado se esses municípios abastecidos hoje com água da Copasa, em função do subsídio cruzado, poderão não ser atendidos? Esse é o recado claro do governo Zema e da sua base governista.
Eu quero mesmo é dizer que nós somos contrários a essa proposta. Quero também dizer, deputado Ulysses, que não poderia deixar de trazer o nosso descontentamento em ver esta Casa votar um projeto que traz, com certeza, um desastre ao saneamento de Minas Gerais. Quero dizer também, deputado Ulysses, que o Bloco Democracia Luta, liderado pelo nobre colega, com certeza aprofundou o debate, com certeza trouxe propostas que poderão ser votadas aqui, agora, que, no mínimo, irão minimizar os efeitos de uma privatização. Esses efeitos serão drásticos. Não quero eu ser um dos pagadores, como aquele que colocou o saneamento de Minas Gerais na privada. Mas quero ainda, deputado Ulysses, dizer do nosso compromisso enquanto Bloco Democracia e Luta, enquanto parlamentar da região do semiárido, da região na qual o Estado mais deveria investir em saneamento, mas trata o nosso povo com descaso, que nós chegamos ao momento ímpar de mostrar à população mineira que quem defende o saneamento, quem defende o “copasiano”, quem defende a água para todos sempre foi e será o Bloco Democracia e Luta e este deputado que aqui vos fala.
Por fim, presidente, quero pedir que nós possamos votar “não” à privatização da Copasa, “não” a essa proposta absurda imposta pelo governo Zema e seus aliados. Mais ainda, que possamos aprovar aqui as emendas e as subemendas trazidas pelo Bloco Democracia e Luta, como forma de reparar um pouco o dano que será causado com essa possível privatização. Muito obrigado, presidente.
O presidente – Obrigado, deputado Ricardo.