DEPUTADO LUCAS LASMAR (REDE)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 125, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4380 de 2025
43ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025
Palavras do deputado Lucas Lasmar
O deputado Lucas Lasmar – Boa noite a todos os “copasianos” e às deputadas e aos deputados presentes neste momento tão importante para o futuro do Estado de Minas Gerais. Quando falamos da Copasa, estamos falando de água e de saúde pública. A Copasa representa hoje um atendimento de mais da metade dos mineiros e das mineiras no nosso estado. Então nós temos que ter responsabilidade no voto. Quero já encaminhar o meu voto contrário à privatização da Copasa. Estarei sempre em defesa dos servidores que fazem um grande trabalho, mesmo com esse planejamento estratégico de enfraquecer a Copasa, que o governo Zema vem fazendo desde o início da sua posse à frente do governo do Estado de Minas Gerais, indicando gestores com pouca competência na área de saneamento básico. Basta ver as audiências públicas! A gente viu um presidente da Copasa com um nível muito inferior àquele de que o cargo necessita.
Quero relembrar que o governo Zema fez várias narrativas para vender a Copasa, para privatizá-la. Primeiramente ele precisava vender a Copasa para aderir ao Propag na melhor proposta. Nós sempre dissemos, no Parlamento, que a Codemig seria suficiente, e aí saíram os números dela mostrando que o seu valor de mercado seria o suficiente para aderir ao Propag. Posteriormente ele disse que ia colocar o recurso no fundo de investimentos que é do próprio Propag. Nós sabemos que isso não vai acontecer! Conforme muito bem falado pela deputada Beatriz Cerqueira, isso é para tentar tirar a âncora que o governo vai ter que carregar até o dia 4 de outubro do ano que vem. Mas não será com o nosso voto! Esse homem, que é o vice-governador Mateus Simões, não chegará nem perto do segundo turno! (– Manifestação nas galerias.) Ele é um homem que sequer tem humildade para vir e conversar com os prefeitos que são contrários a essa privatização e conversar com os deputados que também são contrários a essa privatização.
Nós sabemos que este é um governo que quer apenas flertar com o mercado acionário. Dizem que a única forma de universalizar o saneamento básico no nosso estado é vendendo a Copasa para buscar recursos de empresários e de bancos. Mas falei aqui sobre uma opção muito simples que o governo poderia fazer: oferta pública de ações, de ações preferenciais, para que o Estado não perca a gestão da Copasa devido ao fato de ter direito a voto em ações ordinárias. E aí, naquela reunião, ele buscou todos os banqueiros para falar que a Copasa seria privatizada e que já havia um acordo nesta Casa para fazer a coisa avançar, e esses empresários utilizaram dessas informações para comprar ações da Copasa. Apenas uma empresa comprou 5% da Copasa após uma reunião com o governador Zema. É inadmissível aceitarmos ações como essa. Por que ele não utilizou dessas reuniões para ofertar novas ações, para que a gente pudesse buscar os R$28.000.000.000,00 que o governo diz serem necessários para universalizar o saneamento básico no Estado até 2033? Essa é uma informação importante para todos aqui.
Agora, nós temos um momento de muita reflexão e precisamos dizer a cada deputado que vai votar daqui a 10, 15 minutos o futuro da Copasa, o futuro dos servidores, dos seus familiares, de servidores que estão há 30 anos na empresa, alguns faltam quatro, cinco anos para se aposentar: como eles vão se realocar no mercado de trabalho caso a Copasa decida demiti-los, pessoas com 60, sessenta e poucos anos de idade? É isso que os deputados vão decidir.
Agora, com a privatização, não com o meu voto, caso isso aconteça, nós iremos ver a mudança de prioridade da Copasa. Hoje a prioridade da Copasa é o interesse coletivo, que passará, caso seja privatizada, para o interesse dos dividendos dos acionistas do mercado. Essa vai ser a realidade. Nós vamos transformar um serviço essencial que teria o objetivo coletivo, o desenvolvimento sanitário, para se transformar numa arma de distribuição de lucro. A Copasa, no ano passado, em lucro líquido, teve R$1.200.000.000,00 e ainda fez distribuição de dividendos extraordinários. Ela tinha dinheiro em caixa para investir, e preferiram dar aos acionistas.
Agora vão utilizar o direito à água para se transformar em um grande capital financeiro, busca de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos dos pequenos municípios. Felixlândia, Corinto, São Francisco de Paula, Resende Costa, todos esses municípios dão prejuízo. E a carta de todos esses municípios já deve estar pronta para chegar na Arsae e falar assim: “Nós não vamos aumentar a conta de água só com a inflação. Nós vamos ter que aumentar mais, porque nós estamos dando prejuízo operacional naquela cidade”.
Então eu quero dizer aqui a todos os “copasianos” que este parlamentar não fugiu à luta. Votei com vocês contrário no 1º turno contra a retirada do referendo e estarei aqui hoje votando contra essa privatização, pois sei que o futuro vai mostrar aqueles deputados que votarem favoráveis que estão errando e colocando em risco o futuro sanitário do nosso Estado de Minas Gerais. E a conta vai aumentar para o pobre, infelizmente, que é a massa que carrega a contribuição, que paga a conta de água para a Copasa.
Eu saio daqui com a consciência tranquila com o fato de que estará registrado na história que meu voto será contrário a esse erro histórico que o governador Zema e o vice-governador Mateus Simões querem fazer com a Copasa.
O presidente – Obrigado, deputado Lucas.