Pronunciamentos

DEPUTADA ANDRÉIA DE JESUS (PT)

Discurso

Declara posição contrária ao Projeto de Lei nº 4.380/2025, que autoriza o Poder Executivo a promover medidas de desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais – Copasa –, em 2º turno. Apresenta argumentos contra a privatização da companhia.
Reunião 86ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 113, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4380 de 2025

86ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025

Palavras da deputada Andréia de Jesus

A deputada Andréia de Jesus – Quase boa noite, não é, gente? Há quantas horas vocês estão aqui! Quero começar… O nosso diálogo tem que ser direto, olho no olho. A gente não fica escondido, principalmente porque a gente está lidando com vidas. Eu me inscrevi – agora que a gente já está encaminhando a votação – para registrar e, mais vez, usar a minha voz, o meu corpo, o meu corpo político para dizer “não” à venda da Copasa, “não” a abrir mão de uma empresa pública responsável. Escutem isto: responsável por água potável, responsável por uma tarifa que seja possível para as mães de família pagarem; “não” a entregar uma empresa que gera lucro para o Estado, “não” a entregar para empresário que não tem a capacidade que vocês, trabalhadores, têm de garantir o abastecimento de água no Estado de Minas Gerais, que não tem o know-how de vocês. Dizer “não” à venda da Copasa é também dizer “sim” à vida.

Eu quero compartilhar com vocês algo muito grave. Nós vimos gente aqui, nesta Casa, preocupada com o fato de que, se se vender a Copasa, a água pode vir novamente contaminada e doenças que a gente já havia superado com água potável poderia voltar. Sabe o que é isso? É isso mesmo, Cristina. Podem voltar doenças que matam os nossos filhos, filho de mãe solo, filho de mulher preta, filho de gente que mora na periferia. Pessoas podem voltar a morrer, antes de inteirar 5 anos de idade, por não ter acesso à água potável, água de qualidade, água segura para beber. Essa ameaça é real, e cada um dos deputados que aqui estão precisam pôr a mão na consciência e saber disso. Nós podemos estar autorizando uma empresa a soltar água que não seja potável para a casa do povo mineiro.

Existem perguntas, volto a dizer, que não foram respondidas. Que segurança existe em entregar para um governador, o governador do TikTok, o governador que come banana com casca… Que segurança nós temos ao autorizá-lo a privatizar a água do Estado de Minas Gerais? Uma pessoa incrivelmente falou: “Eu bebo água de garrafinha”. Não é para rir, não, gente! Nós estamos falando de uma elite podre, de uma elite atrasada, que não se preocupa com a vida dos trabalhadores da Copasa e também daqueles trabalhadores que precisam da água no seu dia a dia. Gente que faz curativo em casa! Usa água. Nós somos usuários do serviço público, o senhor tem toda razão. Não podem tratar água como mercadoria, senão nós vamos virar, de fato, clientes. “Vá ao Procon reclamar, porque não existe mais órgão de Estado acompanhando”. É isso que acontece quando se privatiza.

Eu tenho acompanhado de perto várias concessões do Estado. Eu posso listar mais de 20 concessões que foram feitas a toque de caixa, desde que o Zema assumiu. Ele vem entregando tudo quanto é prédio público para virar boate, para virar casa de show, sem nenhum compromisso com o patrimônio, com a história, com a memória de Minas Gerais. E é isso que ele quer fazer com a Copasa, é isso que ele quer fazer com a Cemig. Só que nós, aqui na Assembleia Legislativa, podemos dizer “não”. Este é o papel que nós estamos fazendo aqui desde as 10 horas da manhã, usando o microfone, usando a nossa voz, usando a força dos trabalhadores que aqui estão no Plenário, que é um plenário pequeno e não tem 1/3 da quantidade de servidores, de trabalhadores da Copasa, de trabalhadores estatais, de usuários do serviço público que estão lá fora, debaixo de chuva, acompanhando este debate.

É imoral, é ilegal abrir mão da água, que é soberania, e entregá-la a uma empresa privada. É isto mesmo que a deputada Bella disse: nós iremos aos tribunais e vamos continuar dizendo que não permitimos retrocesso no Estado de Minas Gerais. Não vamos recuar nisso. Se até o momento a nossa voz, o nosso discurso não sensibilizou os deputados da base do governo a mudarem de posição em relação à venda da Copasa, que não tem como objetivo resolver nenhum problema deste estado do ponto de vista fiscal, do ponto de vista da dívida e muito menos de melhorar o serviço…

São Paulo precisou de intervenção federal, estava sem luz. Foi a Cemig que saiu daqui; são servidores públicos de Minas Gerais que estão lá socorrendo São Paulo. Tarcísio não deu conta, o governo federal teve que atuar. É isto o que ele quer: intervenção federal em Minas Gerais. Com um homem sem compromisso com o Estado, sentado na cadeira do governador, precisa haver intervenção federal. É preciso haver intervenção do Supremo Tribunal Federal, é preciso que o Judiciário olhe para o Executivo, porque, até o momento, nós estamos aqui diante desse pensamento irrevogável de que se privatizar melhora.

Aí eu quero falar para você, que está em casa acompanhando a Assembleia: eu quero deixar registrado para a história que eu, uma mulher negra que ocupou uma cadeira na Assembleia, tenho convicção de que os meus princípios como mulher pobre que mora em Ribeirão das Neves é defender o Estado, sendo o Estado todos os serviços públicos. O que me sustentou até aqui foram escola pública, posto de saúde, vacina e água chegando à minha casa por meio da Copasa, por meio dessa empresa que não faz seleção de quem pode pagar mais, que garante água para aqueles que não podem pagar, mesmo estando extremamente distantes do centro da capital. Essa é uma realidade que só se sustenta se a empresa for pública. Se for privatizada, a primeira coisa é pôr, na ponta do lápis, quanto vai custar levar água a lugares como Manga, Virgem da Lapa e o Sul de Minas. Isso impactará tarifas, pesando no bolso de quem paga, e dificultará a garantia de atendimento às cidades menores. Com muita luta, com muita briga, a gente conseguiu avançar na Casa, melhorando os blocos que vão atender, os blocos que vão pagar e os blocos que precisam de ajuda para manter o acesso à água.

Gente, estamos caminhando para a votação. Dizer “não” hoje é uma questão de dignidade, é uma questão de compromisso com os mineiros, é uma questão de compromisso com a saúde. Doenças erradicadas não podem voltar por causa de uma decisão de hoje que envolve apenas colocar o dedo neste equipamento aqui e votar. Então votem “não” e retirem essa pauta. Isso não é pauta para final de ano, isso não é pauta para entregar aos trabalhadores às vésperas do Natal. Para concluir, tenho 15 segundos para dar os parabéns a cada um dos trabalhadores que estão aqui por 10, 12 horas, defendendo a água potável como soberania para o Estado de Minas Gerais. Palmas para os trabalhadores da Copasa.

O presidente – Obrigado, deputada Andréia.