DEPUTADA BELLA GONÇALVES (PSOL)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 111, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4380 de 2025
86ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025
Palavras da deputada Bella Gonçalves
A deputada Bella Gonçalves – Eu também tenho muito orgulho de vocês e muito amor por vocês, trabalhadores e trabalhadoras da Copasa! Que categoria aguerrida, mobilizada e persistente! Parabéns ao Sindágua, ao presidente Eduardo e a cada um e a cada uma de vocês que vieram aqui participar desta que é a maior mobilização da história da Assembleia nesta Legislatura em defesa da Copasa. Uma salva de palmas para vocês.
Eu também queria falar do meu orgulho de compor o bloco Democracia e Luta. Sabe, quando eu era vereadora de Belo Horizonte, a gente sofria muitos ataques e, muitas vezes, tinha dificuldade de jogar junto. Sabe, jogar junto, combinar que num dia em que eu não estiver passando bem uma companheira vai me substituir na obstrução de um projeto de lei ou dar quórum na minha comissão? Sabe jogar junto, do tipo de ninguém aqui poder ser perseguido por uma extrema direita, sabendo que quando mexerem com um vão mexer com todos? Esse é o trabalho do Bloco Democracia e Luta. Muitos têm inveja da unidade e da capacidade de luta desse bloco. Eu falo isso porque foi o Bloco Democracia e Luta que segurou, por mais de sete anos, a privatização da Copasa nesta Casa Legislativa.
Quando o Zema, aquele canalha, ganhou para governador, a primeira coisa que ele queria fazer, gente, era privatizar tudo: a Copasa, a Cemig, a Gasmig e todas as nossas estatais. Se nós resistimos até aqui foi graças a um trabalho muito forte da oposição desta Casa, do Bloco Democracia e Luta. Então eu queria conversar com vocês sobre o trabalho, de fato, de cada pessoa que fez aqui as obstruções em comissão, as obstruções em Plenário, em especial, a deputada Beatriz, que, mesmo com várias questões de ordem pessoal, nunca faltou a uma reunião de obstrução para defender a Copasa. Bia, Bia, Bia! (– Manifestação nas galerias.) Ela nunca faltou a uma reunião para discutir aqui a defesa da Copasa. Isso não é exatamente só por um cálculo de “o que dá mais voto, o que dá menos voto”, é por um trabalho de lutar pelo que acreditamos, pelo que fomos colocados aqui. Não fomos colocados como deputados estaduais, Betão, para apenas distribuir emendas parlamentares, sequestrando o orçamento inclusive das suas prioridades. Não fomos eleitos, deputado Lucas Lasmar, para ficar agradando ao governador em troca de afagos nos municípios onde temos prefeitos ou vereadores. Não é verdade? O Lucas, inclusive, é um dos que é muito atacado por isso, porque é um deputado de uma região. E o trabalho dele… Muitas vezes, a região fica sem conversa com o governador porque o Lucas está lá. Não fomos eleitos para nos reunir a portas fechadas com André Esteves, dono do BTG Pactual, para fazer negócios em cima do nosso voto. Fomos eleitos, sim, deputado Ulysses, para liderar um bloco que diz que a privatização da Copasa é um crime contra a soberania e a vontade popular, porque água e esgoto não são mercadorias. E a maioria do povo mineiro não aceita a privatização nem a venda da Copasa.
O governador Zema tratou de fazer um saldão do Estado de Minas Gerais em seus últimos momentos como governador do Estado. Ele quer privatizar a Copasa, tentou fechar a Uemg e a Unimontes, tentou destruir o Memorial dos Direitos Humanos, a Casa Tina Martins; tentou acabar com tudo. Se o céu de Minas Gerais pudesse ser vendido, ele também o venderia, a preço de casca de banana. Tudo isso, gente, para tentar garantir orçamento e financiamento para uma aventura política fadada ao fracasso, que é a proposta de uma chapa presidencial. Esses dias, vi a notícia de uma possível aliança entre Zema e Ratinho Júnior, e alguém brincou comigo: “Vai ser a chapa do Ratinho e do Ratão”. O governador Zema vem se comportando, de fato, como alguém que rói os nossos direitos, rói a história do nosso estado, ao propor a venda da Copasa da forma como está fazendo.
O prejuízo será para a população, para o cidadão, porque hoje, quando falta água, nós cobramos do governo: “Faltou água na minha casa, a conta veio errada, vamos cobrar do governo”. Mas, se privatizar, quando faltar água, faremos o quê? Vamos ligar para um call center, sentar e chorar? Que poder de ingerência terão os representantes do povo para obrigar o presidente de uma companhia privada a vir aqui prestar esclarecimentos? A privatização da Copasa significa a eliminação da soberania sobre um direito fundamental, que é a água e o esgoto. Sem água, ninguém vive sequer um dia.
A gente sabe que a falta de água ainda é um dos maiores motivos de pobreza nas regiões rurais, especialmente no Vale do Jequitinhonha e no Norte de Minas, que ainda correm o risco de ficar completamente sem água, Ricardo Campos. Esta votação é muito séria. O deputado Leleco já falou: está tudo muito cercado, está difícil virar votos neste final de votação. Nós não vamos desistir. Nós vamos até o final tentando virar voto. Mas eu queria dizer para vocês que, mesmo depois da votação, a luta continua. Eu acho que, a título de publicidade, é importante dizer que hoje existe um questionamento da votação da PEC no Tribunal de Justiça, cujo recurso pode chegar até o Superior Tribunal de Justiça – STJ. Nós temos uma ação no STF – PT e PSOL – questionando o fim do referendo popular. Nós temos uma atuação do Tribunal de Contas, que já foi provocado pelo fato de os municípios não terem sido escutados no debate sobre a privatização da Copasa, sobre a questão da espionagem de deputados, sobre a compra das ações da Copasa pela Perfin. Houve uma operação que contou com o ex-presidente e atual diretor da Copasa, Guilherme Duarte. Foi uma operação ilegal que ainda pode fazer com que a Polícia Federal – toque-toque-toque – bata à porta de muita gente, porque nós sabemos que há mutreta nessa privatização, gente. Por que as informações não foram trazidas para cá? É porque elas nem importavam. Os acordos foram feitos em outro lugar; não foi aqui, no Parlamento mineiro. Isso é triste. Isso é degradante.
Hoje nós vamos dar um redondo voto “não” à venda da Copasa, à privatização, porque estamos conscientes de que água e energia não são mercadorias. E aqueles que acham que, depois da votação, se houver maioria ali no painel, vão ser vitoriosos, eu digo para vocês: a luta está só começando. Não vão botar a mão na nossa água. Vamos para cima, gente!
O presidente (deputado Tadeu Leite) – Obrigado, deputada Bella.