DEPUTADA LENINHA (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 100, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4380 de 2025
86ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025
Palavras da deputada Leninha
A deputada Leninha – Uma boa tarde a vocês que permanecem desde a manhã de hoje nesta galeria, demonstrando nosso compromisso, nossa força e nossa coragem de nos posicionarmos contra este projeto absurdo de privatização da Copasa.
Começo a minha a fala nesta tarde lembrando, mais uma vez, a resolução da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas de julho de 2010, que afirma que: reconhecer a água limpa e segura e reconhecer um plano de segurança hídrica para a população do mundo é princípio básico para qualquer gestor, para qualquer governo. Não podemos ter um estado que se nega a garantir água potável segura na casa dos mineiros e das mineiras. Por isso a nossa luta de obstrução, que é o mecanismo que nós temos na democracia, o que aplicamos na prática. A gente se posiciona claramente contra esse governo que quer privatizar a Copasa; a gente já usou diversos argumentos, mas, ao mesmo tempo, a cada hora, ouve informações contraditórias, incompletas sobre esse processo. O que nós estamos querendo dizer com isso é que esse processo com muita desinformação, com muita contradição, tão acelerado, na Assembleia, de fato, ameaça essa segurança para os mineiros e as mineiras.
Em relação às diversas desculpas dadas pelo governo para a privatização, nenhuma colou. Falar que o Estado precisa de recursos para a adesão ao Propag é verdade; precisa, sim. Agora, falar que o Estado precisa vender a Copasa, sendo que há outros mecanismos para buscar esse recurso, aí, a gente não faz acordo. A gente não tem acordo e a gente já falou sobre isso há mais tempo. Nós estamos acompanhando a mesma estratégia desses projetos dos representantes da extrema direita. Trata-se de um projeto de modelo liberal instalado no Brasil e em outros países. E aqui, em Minas Gerais, não é diferente com o Zema. O que mais nos deixa sobressaltados é como esse processo, que nem foi vencido na Assembleia, já movimenta grandes investidores interessados em comprar a Copasa, já movimenta articulações e negociações muito obscuras para a aquisição desse patrimônio do povo mineiro.
Zema quer entregar a água dos mineiros e das mineiras, como nós já falamos, para a iniciativa privada, negando esse direito fundamental e essa garantia para a população; Zema quer vender o nosso patrimônio, construído ao longo dos anos, de forma irresponsável, na nossa avaliação. Por isso a nossa luta na Assembleia. A gente segue até o fim junto com vocês, para tentar sensibilizar os parlamentares desta Casa, principalmente aqueles que veem essa condição do acesso ameaçada. Nós estamos falando de regiões em que há um trabalho importante da Copasa, em que a água chega à casa dos mineiros e das mineiras. E agora a gente fica preocupado, a gente se sente ameaçado por esse projeto que está sendo colocado para apreciação.
A privatização da Copasa, de fato, é a concretização de um projeto ideológico de desmonte do Estado. Nós estamos lutando por um estado forte, um estado capaz de responder às diversas fragilidades e vulnerabilidades da população mais pobre; nós estamos aqui para dizer que queremos um estado forte que cuide de sua gente. Mas o que nós temos conseguido acompanhar, ao longo dos anos, é um processo de precarização, é um processo de fragmentação, é um processo frágil de desmonte do Estado, que coloca em risco a vida das pessoas mais pobres. Lutar por um estado forte é lutar por um estado presente. Este estado está presente em diversos locais, através da Copasa. São os seus funcionários que percorrem distantes quilômetros neste estado para fazer chegar água ao nosso povo. Faça sol ou faça chuva, são os funcionários da Copasa que estão lá para garantir a segurança hídrica da população. Por isso a nossa saudação aos “copasianos” e às “copasianas”.
Queremos dizer ainda que nós, que viemos de uma região com muita escassez de água, sabemos o que é acordar de manhã, abrir a torneira e não ter água para alimentação, para manutenção da casa; e que nós, que acompanhamos as comunidades abastecidas por carros-pipas, ficamos à mercê da disponibilidade da prefeitura de enviar um carro-pipa, a fim de que essa água seja colocada em algum recipiente, para podermos passar o dia, vários dias ou várias semanas. Estamos falando de um elemento essencial da vida humana, mas também da vida da natureza, como molhar a horta, dar água para os bichos. A gente sabe o quanto isso é importante; a gente tem falado isso porque, em relação a essas regiões que percorremos, grande parte das pessoas guarda a água da chuva para usar no período de longa estiagem, grande parte das pessoas sabe que a falta de água provoca o que a gente chama, inclusive, de refúgio ambiental. As pessoas se deslocam de suas cidades quando o rio não mais corre, quando não há nenhuma fonte de água, então, elas se deslocam para outro lugar onde há água.
Então ter água da Copasa, água segura, água tratada que garante não só sobrevivência, mas principalmente garante saúde… Todo mundo sabe que o tratamento de água que a Copasa faz evita diversas doenças, inclusive doenças endêmicas em Minas Gerais que já desapareceram do mapa. Todo mundo sabe do carinho, do afeto que o pessoal da Copasa tem para prestar um serviço de qualidade, mas esse sentimento não é o mesmo sentimento daqueles que estão no conselho, daqueles que estão na direção. É o que a gente vem falando: para estes, a água é mercadoria, a água é lucro, a água não é um bem essencial que deve chegar à casa de todos e todas.
Dessa forma, minha gente, os meios de comunicação deste estado já disseram que o povo quer a Copasa pública, o povo quer que a Copasa seja nossa, do Estado. Este é o sentimento traduzido em várias pesquisas. Olhe só: a Itatiaia colocou que quase 60% dos mineiros reprovam a privatização da Copasa. É pesquisa feita não por nós, do bloco de oposição, mas por um meio de comunicação respeitado. A maioria dos mineiros é contrária à privatização da Copasa, também diz uma pesquisa da Quaest. O Estado de Minas: “População mineira é contra a privatização das estatais” – esta foi uma consulta feita pela Assembleia. O Brasil de Fato também reafirma – Datatempo: “Maioria é contra privatizar empresas estatais de Minas Gerais”. Nesta Casa, a gente fez também essa consulta.
Dessa forma, a gente quer crer que a voz do povo, que não é ouvido nesse processo de consulta, mas é traduzido nas pesquisas, deveria ser considerada pelos parlamentares que aqui ocupam uma cadeira. A voz do povo, espalhada nos vários cantos deste estado, deveria ter tido a atenção nesta Casa. Por que a pressa? Por que nós não podemos suspender esse processo para fazer um amplo debate, ouvir as prefeituras, ouvir os prefeitos e os gestores de Belo Horizonte e das principais cidades superavitárias? Por que a gente quer fazer, no apagar das luzes do trabalho parlamentar, essa votação? Então a nossa postura, na Casa, de pedir adiamento, de pedir para deixar para outro momento a continuação do debate, de fazer a consulta aos prefeitos e às prefeitas nos faz estar aqui, nesta quarta-feira, para fazer o nosso trabalho de obstrução, o nosso trabalho também de trazer elementos para fazer mudança na posição dos votos dos parlamentares desta Casa.
E, para o governador Zema, a gente já deu o recado: não dá, Zema, para querer ser presidente do Brasil transformando Minas Gerais num estado em que foram vendidos para a iniciativa privada esses elementos tão essenciais, como a água. Não dá para fazer o debate num período em que a maioria do mundo está fazendo o processo desestatização. O recado está dado. E eu creio que nós vamos acompanhar esse processo e vamos falar, lá na frente: “Nosso nome não está marcado nessa história de privatização em Minas Gerais”. Um grande abraço.